Beach Boys: "Pet Sounds" é um "Sgt. Peppers" ianque

Resenha - Pet Sounds - Beach Boys.

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Por Elias Rodigues Emidio
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Quando nos perguntam se gostamos de Beach Boys a primeira coisa que nos vem a cabeça são as canções alegres do inicio de sua carreira como “Surfin’ USA”, “Surfer Girl”, “Barbara Ann”, etc; quando a banda ainda flertava com o Surf Rock, no máximo as pessoas se recordam de “Good Vibrations” de 1967, sem dúvidas uma das maiores criações da banda em toda sua carreira.
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Apenas alguns fãs mais ardorosos de rock se lembram de “Pet Sounds”, o grande álbum da banda lançado em 1966 e que sem exageros pode ser considerado um “Sgt. Peppers” ianque. Aliás, talvez o “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” dos Beatles seja um dos raros álbuns que rivalizem com “Pet Sounds” na disputa de melhor álbum de todos os tempos. Sua influência para a música é algo incalculável. Este álbum estabeleceu novos parâmetros para a música pop que seria produzida após o seu lançamento. “Pet Sounds” marca o ápice do experimentalismo na carreira dos Beach Boys. E pensar que esta obra-prima foi concebida baseada em uma suposta disputa inventada pelo líder do grupo Brian Wilson com os Beatles, que considerava os únicos capazes de rivalizar com o seu talento (reza a lenda que Brian ficou deprimido quando os FabFour lançaram “aquele álbum”).

Ouvir este álbum é uma experiência sonora única. Os mais variados instrumentos clarinetes, harpas e até sinos de bicicleta compõe a sonoridade pop mais perfeita e cristalina alcançada em toda história da humanidade, algo grandioso e elaborado sem muito virtuosismo, fazendo qualquer um literalmente viajar sem precisar consumir drogas. Algumas das melhores canções do Rock estão aqui como os mega sucessos “Caroline No”, “Sloop John B.”, “Wouldn’t It Be Nice” e “God Only Knows” (que Paul McCartney considera como a melhor canção do melhor álbum já lançado na história).

A ideia para compor este álbum veio do líder e baixista da banda Brian Wilson, após este ouvir o álbum “Rubber Soul” dos Beatles, que já trazia alguns arranjos bem elaborados para a época e foi o pontapé inicial para a revolução musical que os Beatles promoveriam no período que vai de 1965 a 1967. Brian sentiu-se na obrigação de lançar um álbum que contribuísse de certa forma para o engrandecimento da música mundial, então ele se afastou um pouco da banda (que ainda se apresentava ao vivo) e trancafiou-se durante semanas em uma casa de campo, onde começou a compor canções que entrariam no próximo disco da banda em parceria com um colaborador chamado Tony Asher, intercalando dias na casa de campo com idas ao estúdio de gravação.

O disco abre com a sensacional e romântica “Wouldn’t It Be Nice”, uma canção cujo arranjos mais simples ainda contém resquícios do início da carreira da banda, porém prepara o ouvinte para o que está por vir pela frente e desconstrói de uma vez por toda a imagem de bons moços que os Beach Boys tinham no inicio de sua carreira, o destaque fica por conta dos vocais de Mike Love e Brian que alternam entre si com competência. A faixa de abertura é perfeita para introduzir as demais músicas e talvez seja a faixa mais conhecida do álbum.

Em sequência temos “You Still Believe In Me”, outra faixa grandiosa, Brian canta com o coração e a introdução desta música é simplesmente perfeita, capaz de comover até o mais sisudo dos headbangers.

A próxima faixa do disco “That’s Not Me” traz a melodia mais simples de todo o álbum, o que deixa o destaque para a percussão que beira a perfeição. Esta canção traz uma letra muito descompromissada e ingênua com versos como "Eu poderia tentar ser grande aos olhos do mundo, mas o que importa para mim é o que eu significaria para apenas uma garota."

Temos uma ligeira queda de qualidade na próxima faixa “Don’t Talk (Put Your Head On My Shoulder)”. Esta canção traz o clima mais triste e pesado em todo álbum, porém o destaque da canção fica por conta do belíssimo trabalho nas cordas.

“I’m Waiting For The Day” traz mais uma grande elevação na qualidade do álbum, Brian canta esta faixa maravilhosamente bem com backing vocais para ex-Beatle nenhum colocar defeito, a faixa ainda contém uma flauta de dar arrepios na espinha e a melhor percussão de todo o álbum.

Dando sequência à canção anterior temos “Let’s Go Away Awhile”, uma das melhores músicas instrumentais já feitas na história da música com arranjos simplesmente impecáveis. A melodia da música começa “simples” e vai crescendo à medida que o tempo passa, uma música para relaxar e relembrar momentos agradáveis.

“Sloop John B.” é uma canção popular dos EUA que a banda gravou para este álbum. A introdução e os vocais a capela são um show a parte nesta canção, que traz de volta o inicio da carreira do grupo.

“God Only Knows” é inovadora ao trazer o nome de Deus em uma canção pop e com propriedade. A canção tem arranjos celestiais e os vocais de Carl Wilson estão perfeitos, canção capaz de sensibilizar até lutadores de Boxe, além de pessoas que tem bom gosto musical, que o diga Paul MacCartney.

A melhor de todo o álbum. “I Know There’s Answer” traz a mesma qualidade da canção anterior, com arranjos simplesmente perfeitos.

A próxima canção “Here Today” traz mudanças de tempos dignas dos maiores gênios da música da história, os vocais de Mike Love e a melodia da canção são simples a começo, porém com o passar do tempo vão crescendo e se encorpando, uma das melhores de todo o álbum.

“I Just Wasn’t For These Times” traz uma letra um tanto pretensiosa falando de uma pessoa incompreendida que está à frente do seu tempo, entretanto essa pretensão é compensada pelos vocais no fim da música que estão simplesmente perfeitos. Esta canção é a mais autobiográfica do disco, na qual Brian Wilson expõe os seus sentimentos.

Dando sequência temos a canção homônima que dá titulo a esta obra. “Pet Sounds” traz um excelente trabalho na percussão e uma melodia descontraída que dá uma amenizada no clima da canção anterior.

Por fim temos “Caroline No” outro sucesso absoluto deste álbum e uma das melhores composições de Brian Wilson (era a sua preferida do álbum). Esta canção fala sobre meninas que quando crescem se tornam mulheres repulsivas.

Além das faixas normais, este álbum ainda traz como bônus as faixas “Unreleased Backgrounds”, “Hang On To Your Ego” e “Trombone Dixie”, com destaque para “Hang On To Your Ego” que repete a letra e a melodia, apenas com um refrão diferente, de “I Know There’s An Answer”, porém o resultado de se ouvir praticamente a mesma canção minutos depois, devido a sua qualidade, não soa tão repetitivo.

No fim da década de 1960 o mundo vivenciava uma verdadeira revolução cultural e social. A Guerra Fria (disputa entre URSS e EUA), a Guerra do Vietnã, o crescimento da população jovem mundial, que a industria descobriu na década anterior ser um dos melhores mercados consumidores em potencial, além do engajamento da juventude em questões de cunho social (haja visto a explosão do movimento Hippie) forneceu um cenário social com bastante divergência de ideias e conceitos. Esse grande movimento social aliado a um cenário musical inovador marcado pelo trabalho de músicos como Bob Dylan (que no mesmo ano lançou um de seus melhores discos “Blonde On Blonde”) , The Mothers Of Invention (que lançariam seu primeiro álbum “Freak Out” no mesmo ano), Dick Dale (o grande expoente da Surf Music), entre outros, fez deste período o mais rico culturalmente e cenário ideal para alguns dos maiores álbuns da história do Rock & Roll (e da música), os Beach Boys conseguiram captar como poucos as transformações culturais da época e tiveram genialidade suficiente para transformá-las em canções.

É inegável que os anos de 1966 e 1967 foram fundamentais na história do Rock & Roll, nos quais foram lançados alguns álbuns essenciais e mais influenciadores da história como “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”e “Revolver” dos Beatles, “The Velvet Underground & Nico” do Velvet Underground, “The Doors” dos Doors, “Are You Experienced?” do The Jimmy Hendrix Experience, além de “Pet Sounds” entre outros. Nunca a música mundial deu (e talvez nunca mais dê) um salto de qualidade como este em tão pouco tempo.

Disco básico em qualquer discografia.

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