Nirvana: os primeiros degraus da carreira com "Bleach"
Resenha - Bleach - Nirvana
Por Rafael Correa
Postado em 07 de abril de 2010
O cenário que ensejou o registro do primeiro trabalho em estúdio do NIRVANA era caótico. Em meio a shows em locais lúgubres (quase desprovidos de público) e uma crise financeira insofismável, os primeiros degraus alçados na carreira do grupo foram, por certo, cobertos em brasa.
Já havia algum tempo que o NIRVANA firmara um contrato de gravações com a Sub Pop, selo independente e, aparentemente, sem muitas perspectivas a oferecer no momento. Ainda que bandas importantes do punk e da música independente americana houvessem estampado em seus registros a marca do selo, fato é que a Sub Pop não provia um vislumbre de êxito às bandas que trafegavam sob seu manto. E, por mais que em meio a uma cena anacrônica como a percebida na Seattle de 1986-1988, onde qualquer incentivo era visto de bom grado, com o NIRVANA as chances de sucesso foram igualmente diminutas.
"Bleach" apresenta fielmente o que era o grupo na época. O NIRVANA nunca se preocupou muito em aparar arestas e aperfeiçoar em demasia o seu som (quiçá, "In Utero" seja a única excessão) e, com este álbum, a banda exsurge em seu estado bruto. Mas não há desabono algum nessa constatação: muito embora em "Bleach" não seja encontrada uma construção musical comparada a "Nevermind" e o precitado "In Utero", canções como "Blew", "School", "Negative Creep" (que funciona infinitamente melhor "on stage"),"Downer" e "About a Girl" trazem certo brilho ao registro.
No entanto, ainda que tais canções incrementem a atmosfera criada na audição, a pedra fundamental de "Bleach" é, incontestavelmente, "Love Buzz", cover da banda holandesa SHOCKING BLUE.
Música preferida dos shows, embora a banda ainda estivesse na transição da fase embrionária ao amadurecimento, a faixa oferece o que o NIRVANA tinha de melhor no momento. A letra incisiva combina perfeitamente com a postura ébria de "Kurdt" Cobain, e a sonoridade alicerçada em sobreposições de bases e solos de guitarra revestindo a linha de baixo reproduzida por Novoselic entragam ao ouvinte um interessante momento de diversão.
"Bleach" definitivamente não é o registro peremptório do NIRVANA, afinal, o grupo possui em sua discografia o álbum que é considerado o melhor dos anos 90, responsável por toda uma movimentação que culminou em uma nova desinência musical. Mas, ainda assim, merece ser ouvido com atenção e zelo. Trata-se de um disco cru e interessante, que talvez não represente todo o potencial bombástico da banda. Todavia, de qualquer modo, traz diversas nuances em si que devem ser levadas em plena consideração. Por estes fatores, atribui-se ao disco a nota 7.
Faixas:
1. Blew
2. Floyd The Barber
3. About a Girl
4. School
5. Love Buzz
6. Paper Cuts
7. Negative Creep
8. Scoff
9. Swap Meet
10. Mr. Moustache
11. Sifting
12. Big Cheese
13. Downer
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