Radio Moscow: essência do "rock pesado" dos anos 60 e 70
Resenha - Brain Cycles - Radio Moscow
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 11 de novembro de 2009
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Hard Rock, Blues Rock e Rock Psicodélico são gêneros ainda escassos atualmente, mesmo se lembrarmos de novas - e ótimas - promessas, como as bandas The Answer, Siena Root e Black Bonzo. Deste seleto grupo, vale destacar também uma certa banda 'estadunidense' que, apesar de ser humilde e desconhecida, consegue esbanjar brilhantismo. Estou falando do Radio Moscow!
Formada em 2003 pelo vocalista/guitarrista Parker Griggs, e tendo passado por mudanças em sua formação ao longo dos anos, o power-trio parece ter se estabelecido em 2009, juntamente com o lançamento do seu segundo álbum: "Brain Cycles". O álbum de estréia, intitulado "Radio Moscow" (2007), havia mostrado para o mundo um grupo promissor, mas ainda preso a certas convenções do hard rock setentista e do rock psicodélico (alguém pensou em Blue Cheer?). Neste segundo trabalho, a banda confiou na sua legítima paixão pelo bom rock "com cheirinho de naftalina", e se permitiu descobrir mais possibilidades em um nicho musical que na verdade é mais amplo do que muita gente imagina...
"Então a banda apostou em uma sonoridade um pouco mais moderna e atualizada?", pergunta o curioso ouvinte. Moderna? Atualizada? Que nada! O Radio Moscow "se soltou" mais neste novo trabalho, mas continua captando a essência e produção de todo e qualquer "rock pesado" que era feito no final dos anos 60 e início dos anos 70. É como se o grupo pertencesse a um meio termo perfeito entre a simplicidade e energia do garage rock sessentista, e o virtuosismo das bandas clássicas de hard rock setentista. Sem esquecer dos ótimos riffs, solos, baixos que realmente aparecem, viradas de bateria, letras "sem fírulas" e o diabo a quatro!
Faixas como as "suingadas" "I Just Don't Know", "The Escape", e a longa "No Good Women" (que traz um belíssimo solo de bateria) nos fazem imaginar um espécie de Cream ou Led Zeppelin formado por músicos delinquentes que não conseguem ficar parados, enquanto que a alucinada faixa instrumental "Brain Cycles" nos leva a imaginar como seria uma deliciosa jam do Jimi Hendrix com o Grand Funk Railroad. A faixa "250 Miles" começa como um blues acústico cheio de atitude, mas no final encontra um caminho bem mais rock 'n' roll. E pra descontrair um pouco, o divertido bluegrass instrumental "Black Boot" mostra que não está no álbum apenas para preencher espaço...
Outros destaques ficam por conta do contagiante "groove" de "Hold on Me", e das sutis influências 'southern rock' da - não menos hard - "City Lights". A única faixa que pode lembrar algo mais atual é a ótima "Broke Down", basicamente por remeter a um suposto White Stripes formado por músicos virtuosos. Como único ponto "negativo" (assim entre aspas mesmo), temos a equivocada decisão da banda em transformar a promissora "No Jane" em uma viagem que começa com bastante peso e agitação, mas termina com um instrumental psicodélico que poderia ter sido reservado para uma futura faixa regada a "dorgas, mano"...
Com "Brain Cycles", o Radio Moscow superou seu 'debut' em grande estilo, trazendo este que também é um dos melhores álbuns de 2009. O grupo continua provando que palavras como "evolução" e "maturidade" também se aplicam a bandas que gostam de tocar apenas o bom e velho rock 'n' roll. Aos fãs do bom "hardão setentista", apenas uma recomendação: podem parar de cavar velharias, pois o Radio Moscow está na área!
Músicas:
1. I Just Don't Know
2. Broke Down
3. The Escape
4. No Good Women
5. Brain Cycles
6. 250 Miles
7. Hold on Me
8. Black Boot
9. City Lights
10. No Jane
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
O disco nacional dos anos 70 elogiado por Regis Tadeu; "hard rock pesado"
A banda que é "obrigatória para quem ama o metal brasileiro", segundo Regis Tadeu
Cinco álbuns que foram achincalhados quando saíram, e que se tornaram clássicos do rock
Por que Angra não convidou Fabio Laguna para show no Bangers, segundo Rafael Bittencourt
A música do Angra que Rafael Bittencourt queria refazer: "Podia ser melhor, né?"
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
O álbum "exagerado" do Dream Theater que John Petrucci não se arrepende de ter feito
A música feita pra soar mais pesada que o Black Sabbath e que o Metallica levou ao extremo
Playlist - Uma música de heavy metal para cada ano, de 1970 até 1999
O melhor álbum de 11 bandas lendárias que surgiram nos anos 2000, segundo a Loudwire
Quantas guitarras Jimi Hendrix queimou ao longo de sua carreira?
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
Por que David Gilmour é ótimo patrão e Roger Waters é péssimo, segundo ex-músico


Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai


