Raven: quantidades cavalares de energia e honestidade
Resenha - Walk Through Fire - Raven
Por Igor Natusch
Postado em 12 de setembro de 2009
Para os mais versados no Heavy Metal oitentista, o nome Raven é praticamente uma instituição. Surgida na explosão da NWOBHM, a banda capitaneada pelos irmãos Gallagher (não aqueles que andaram brigando esses dias, claro) construiu uma sonoridade bastante pessoal e sobreviveu por cerca de duas décadas, meio aos trancos e barrancos, gravando discos como se não houvesse amanhã. E eis que, depois de um silêncio de nove anos, a banda volta do nada com um disco novo, no qual faz o que todo mundo esperava que fizesse – e, consequentemente, deixa seus fãs bastante felizes.
"Walk Through Fire" traz de volta os irmãos Mark (G) e John Gallagher (V/B) ao lado do baterista Joe Hasselvander, que já tocou com milhares de bandas e ultimamente andou gravando e excursionando com o histórico Blue Cheer. O grupo não esteve exatamente parado durante a última década, mas tinha meio que deixado de lado as gravações, concentrando-se em shows eventuais e na produção de DVDs e coletâneas antes de receber a proposta para gravar um novo trabalho de originais. Lançado originalmente apenas no Japão, o novo CD conta com quinze músicas ao todo, nas quais todas as características típicas do som do Raven surgem sem nenhum disfarce. O que é natural: aqui entre nós, que gravadora do planeta faria uma banda da NWOBHM voltar depois de quase uma década sem gravar pedindo que eles fizessem algo totalmente fora dos seus padrões? Só uma que gostasse de rasgar dinheiro – o que, convenhamos, não costuma ser o caso dos japoneses.

Discussões mercadológicas à parte, "Walk Through Fire" é um disco do Raven do tipo que qualquer pessoa ligada na banda pode imaginar muito antes de colocar a bolachinha para rodar. O trio sempre foi tido como um dos precursores do Thrash Metal, e é um comentário até justo – mas quem não conhece e espera ouvir algo tipo Metallica e Exodus vai quebrar a cara. Na verdade, a muito ridicularizada alcunha "Athletic Rock", criada pela banda para descrever o seu som, me parece muito adequada – é o típico Hard / Heavy britânico tocado num estilo "sem frescuras", com muita energia, repleto de bom humor e sem muitas pausas para respirar. É uma sonoridade direta, mas razoavelmente técnica e com boas ideias sempre bem distribuídas entre as composições, o que dá um dinamismo especial a algo que, tratado com menos cuidado, seria com certeza um tanto bobo e até maçante.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | As influências do Raven surgem fácil em várias composições: "Trainwreck" remete a Sweet, a intro de "Long Day’s Journey" é total AC/DC e tem até um cover de "Space Station # 5" do Montrose, que é para não deixar dúvidas. De qualquer modo, para quem não conhece a banda, o novo disco é quase um resumo do que eles fazem desde sempre. Desde canções velozes como "Attitude" e "Under Your Radar", passando por temas mais cadenciados como "Bulldozer" e músicas cheias de dinamismo como "Against the Grain" e "Running Around In Circles", esse trabalho mostra os ingleses fazendo o que sabem fazer melhor e pouco se lixando para todo o resto. Riffs bem sacados, baixo marcante e inventivo, bateria precisa e vocais ríspidos e cheios de agudos – isso é o Raven, e eles não fazem questão nenhuma de esconder.

Ainda bem. Pois, ainda que não traga inovação alguma para o cenário, "Walk Through Fire" contém em si quantidades cavalares de coisas tão importantes quanto isso – energia, honestidade, empolgação, fidelidade a princípios e todos aqueles outros valores que podem parecer abstratos, mas que fazem muito sentido para apreciadores mais dedicados de boa música. Trata-se antes de tudo de um trabalho coeso e divertido – de fato, bem mais coeso e muito mais divertido do que os álbuns gravados por eles no final dos anos 90, alguns bastante fracos para falar a verdade. Como apreciador da banda, acho que desde "Life’s a Bitch" e "Nothing Exceeds Like Excess" a banda não fazia algo tão bacana – e acredite, isso é sem dúvida uma boa notícia.

RAVEN – Walk Through Fire (King Records – imp. – 2009)
01. Intro
02. Against the Grain
03. Breaking You Down
04. Under Your Radar
05. Walk Through Fire
06. Bulldozer
07. Long Day's Journey
08. Trainwreck
09. Grip
10. Running Around In Circles
11. Hard Road
12. Armageddon
13. Attitude
14. Necessary Evil
15. Space Station #5 (Montrose cover)
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