Slipknot: a esperança está de volta com o novo álbum
Resenha - All Hope Is Gone - Slipknot
Por Fernão Silveira
Postado em 18 de setembro de 2008
Desde que estourou, na segunda metade dos anos 90, o SLIPKNOT mostra repetidamente que chegou para renovar a cara do metal pesado. E agora, quatro anos após a concepção do diferenciado "Vol. 3: The Subliminal Verses", os nove de Des Moines (cidadezinha no Estado americano de Iowa) entregam aos fãs um novo trabalho: "All Hope is Gone", que mantém em alta a categoria da banda.
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No hiato de quatro anos entre "Vol. 3..." e "All Hope...", que foi parcialmente preenchido pelo lançamento do registro ao vivo "9.0: Live" (2005), muito se discutiu na mídia a respeito dos rumos do SLIPKNOT. Os próprios integrantes se diziam cansados da rotina e da responsabilidade de usar as máscaras e os macacões. Proliferavam os projetos paralelos de alguns dos membros da banda, com maior destaque para o STONE SOUR, de Corey Taylor (vocal) e James Root (guitarra).
Para contribuir com a polêmica, muitos fãs e críticos enxergaram a profundidade (meio depressiva, completamente brutal) de "Vol. 3..." como um presságio para o fim, um canto de cisne, um ponto de ruptura aparentemente sem volta. Felizmente, tivemos outro desfecho para a história – embora o título do novo álbum avise que "toda a esperança se foi".
"All Hope is Gone", lançado em 26 de agosto de 2008 nos Estados Unidos, configura-se como uma feliz síntese dos trabalhos anteriores do SLIPKNOT. Na escala evolutiva da banda, que começou com o quase juvenil (porém extremamente vigoroso e inovador) "Slipknot" e desembarcou no amadurecido "Vol. 3..." (violento de forma única, profundo como o BLACK SABBATH dos melhores tempos de Ozzy), passando pelo irretocável "Iowa" (que estabeleceu novos padrões para a porradaria e chamou a atenção inclusive dos fãs mais xiitas de death metal), "All Hope..." mostra que a banda aprendeu a conhecer bem o seu público e teve inteligência para aproveitar tudo de bom que fez no passado.
A bateria de Joey Jordison (#1) continua primorosa. As guitarras de James Root (#4) e Mick Thomson (#7) seguem entrosadas e muito pesadas, assim como o restante da galera instrumental. E Corey Taylor (#8) tem incorporado um pouco mais de STONE SOUR em seus vocais de SLIPKNOT, mas isso está longe de ser um problema. Portanto, o banquete está servido!
Como não poderia faltar, ".Execute." é a breve introdução para o espetáculo de violência que está por vir nos próximos 70 e poucos minutos. "Gematria (The Killing Name)" dá as boas-vindas, mostrando que os nove rapazes estão em ponto de bala, com a mão pesada que lhes tornou famosos e notáveis.
Em "Vendetta", Corey Taylor procura deixar sua voz mais limpa, em contraposição aos coros de Chris Fehn e Shawn Crahan ao fundo, o que confere um resultado bem legal à música. Mas para quem curte brutalidade em seu estado mais puro, "Wherein Lies Continue" e "All Hope Is Gone" são excelentes exemplares do "death à moda do SLIPKNOT" que conquistou tanta gente ao redor do mundo.
"Psychosocial", "Dead Memories" e "'Til We Die" são os momentos em que "All Hope..." se aproxima mais de "Vol 3...". Mas o diálogo com o trabalho anterior em estúdio se escancara em "Vermilion Part. 2", um remix interessante de uma das melhores faixas dos "versos subliminares".
"All Hope is Gone", em resumo, é um trabalho de primeira, mais facilmente digerível que o complexo "Vol. 3..." e tão impactante quanto "Iowa". Se você é desprovido de preconceitos – pois, infelizmente, muitos bangers radicais acham sacrilégio curtir o que classificam de "nü metal" (como assim!!!???) do SLIPKNOT -, tenho certeza que não conseguirá concluir a audição deste último álbum sem proferir um surpreso e satisfeito "CA-CE-TE!".
Isso sem falar no trampo altamente caprichado da versão gringa, em digipack e com DVD bônus, em que "All Hope is Gone" foi lançado nos EUA. Nem seria preciso falar sobre a qualidade da embalagem, das artes e do encarte, mas estes truques da indústria fonográfica estrangeira não podem passar isentos de merecidos elogios - e se você considerar que este CD foi lançado a US$14 (pouco mais de R$23,50) na Amazon.com, chega a dar pena (para não falar raiva...) dos lançamentos pelos quais nós, infelizmente, temos de pagar fortunas para comprar aqui no Brasil.
All Hope Is Gone - SLIPKNOT
1 - .Execute.
2- Gematria (The Killing Name)
3 - Súlfur
4 - Psychosocial
5 - Dead Memories
6 - Vendetta
7 - Butcher's Hook
8 - Gehenna
9 - This Cold Black
10 - Wherein Lies Continue
11 - Snuff
12 - All Hope Is Gone
13 - Child of Burning Time
14 - Vermilion, Pt. 2 (Bloodstone Mix)
15 - 'Til We Die
Gravadora: Roadrunner Records
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