David Byron: registro digno de um grande vocalista

Resenha - That Was Only Yesterday; The Last EP - David Byron

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


David Byron é um daqueles nomes do cenário rock que certamente obteve menos crédito do que merecia. Se notabilizou por ser o vocalista do Uriah Heep no seu auge (1969-1976), e após ser expulso da banda nunca mais se reergueu. Este EP recém-lançado inclui as derradeiras gravações de Byron, realizadas poucos meses antes de sua morte.
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Nascido em 1947 na Inglaterra, David Garrick era o seu nome real, e após uma rápida ascensão até montar o Spice junto ao guitarrista Mick Box na segunda metade dos anos 60, Byron veio a experimentar com o Uriah Heep tudo o que acompanha o sucesso em grandes proporções: as multidões de fãs, limusines, Rolls-Royces, mansões, discos de ouro e platina, mas também drogas, álcool, e todos tipos de excesso. No caso dele, principalmente álcool.

O Uriah Heep vendeu entre 1969 e 1976 mais de 30 milhões de discos, e em alguns países como a Finlândia, por exemplo, era ainda mais popular que o Led Zeppelin e o Deep Purple. Os problemas de David com o álcool foram entretanto se agravando, até que sua situação na banda se tornou insustentável. Em 1976, foi finalmente convidado a se retirar do grupo, que então convidou John Lawton para substituí-lo.

Com muito dinheiro no bolso, tentou se manter na ativa com uma série de projetos subseqüentes, sem que nenhum deles tenha de fato gerado o sucesso almejado. Montou o Rough Diamond com o guitarrista Clem Clempson (Colosseum, Humble Pie) e o baterista Geoff Britton (Paul McCartney & Wings, Manfred Mann’s Earth Band), mas a banda só gerou um disco (em 1977) e vendas decepcionantes. Lançou um disco solo em 1978 (na verdade o seu segundo, o primeiro tendo sido lançado ainda na época do Heep), e nada obteve de repercussão positiva. Com o guitarrista Robin George (Phil Lynott, Robert Plant) e o saxofonista Mel Collins (King Crimson, Camel, Bad Company), montou a Byron Band, que também gerou apenas um LP (em 1981) e mais frustração. Os anos foram se passando, seu dinheiro se esvaindo, e o vício do álcool teimando em não deixá-lo.

Até que, em 1984, o produtor Richard Manners (Blue Mountain Music) montou um projeto especificamente destinado à voz eclética e especial de Byron. Para tal, chamou o produtor Richard Digby Smith, que por sua vez montou um time de primeira categoria: o guitarrista Tim Renwick (Pink Floyd, Roger Waters, Elton John, David Bowie, Procol Harum), o tecladista John “Rabbit” Bundrick (Free, Crawler, The Who, Roger Waters, Bob Marley), o baixista Alan Spenner (David Coverdale, Joe Cocker, Roxy Music, Jesus Christ Superstar) e o baterista Neil Conteh. Nos backing vocals, The Chanter Sisters. Esse supertime se uniu a Byron em gravações no Power Plant Studios de Londres, no início de 1984. Somente em 2007 essas gravações foram resgatadas, remasterizadas e finalmente lançadas no início de 2008. O único ponto negativo é que apenas 3 faixas foram registradas na época. O material é totalmente composto por covers, porém em arranjos bastante elaborados. As primeiras 250 cópias do Mini-CD vêm acompanhada de um pôster especial, comemorando a edição.

A faixa que abre o EP é justamente a que dá título ao mesmo, “That Was Only Yesterday”, um cover da original do Spooky Tooth. Uma excelente composição, aqui numa ótima versão. Os vocais de David, suaves nos versos e potentes nos refrãos, nos remetem aos seus melhores momentos no Uriah Heep. A banda toda brilha junto, com destaque a Renwick, que intervém de forma soberba com vários pequenos solos de guitarra a seu encargo, assim como Rabbit e Spenner, que solam juntos no meio da música, sintetizador e baixo ao mesmo tempo, algo fora do usual.

Em seguida temos “Waiting For The Sun”, do The Doors. O baixão de Spenner conduz os trabalhos de forma contagiante, com os teclados de Bundrick criando um clima psicodélico apropriado a uma composição de Jim Morrison. Por sinal, os vocais de Byron certamente deixariam Morrison orgulhoso (uma pena que ambos tenham nos deixado tão cedo). Bases pesadas e outro inspirado solo de Tim Renwick dão o toque roqueiro à faixa. Essa versão não inclui a slide guitar presente na original, nem é tão intensa e dramática quanto ela, mas mesmo assim é um ótimo “remake”, em especial se levarmos em consideração o estilo de produção vigente em meados dos anos 80.

Infelizmente a terceira faixa é também a última, pois a primeira sessão de gravação do disco acabou sendo a derradeira, e o projeto foi abortado. “Pride & Joy” é uma composição original de Marvin Gaye, um rhythm & blues que foge ao estilo de David, mas que por outro lado mostra o quão versátil ele podia ser, se saindo bem em qualquer contexto. Mais uma vez o baixo de Alan Spenner se sobressai, assim como o piano de Bundrick, que ainda se dá ao luxo de tocar um ótimo solo de órgão Hammond (literalmente “escovando o Raimundão”, como diz o ditado popular). As Chanter Sisters tem o seu momento de glória aqui, cantando em contraponto a David.

Há de se lamentar que apenas 13 minutos de música é o que tenha sobrado dessas últimas sessões. Incrível imaginar que poucos meses depois, no princípio de 1985, David fosse ser encontrado morto em sua casa, com apenas 38 anos de idade recém-completados. Sua voz nessas últimas gravações não nos dá mostra alguma de fadiga, e é portanto um registro digno do grande vocalista que ele foi.

Tracklist:
1. That Was Only Yesterday
2. Waiting For The Sun
3. Pride & Joy

Sites:
http://www.david-byron.com
http://www.myspace.com/david_byron

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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