David Bowie: The Rise and Fall of Ziggy Stardust
Resenha - Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars - David Bowie
Por Pedro Zambarda de Araújo
Fonte: Bola da Foca
Postado em 28 de abril de 2008
The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars popularizou o chamado Glam/Glitter Rock e fez uma história conceitual sobre a própria música.
Quando um jovem, que é inglês e observador, como sempre foi, chega aos Estados Unidos da América, sua vida sofre drásticas alterações. Em 1971, o músico David Bowie teve essa experiência, saído de uma sociedade conservadora e mergulhando no universo underground norte-americano, com bandas como Velvet Underground, The Stooges e, principalmente, The New York Dolls, que despertou profunda admiração.
Os Dolls, grupo do guitarrista Johnny Thunders e do vocalista David Johnansen, utilizavam roupas de mulheres em suas apresentações, apesar de serem heterossexuais, em sua maioria. Aquilo despertou em Bowie um personagem que marcaria sua carreira nos anos 1970: Ziggy Stardust, um marciano rockstar que é enviado até a Terra para transformar a mente dos seres humanos. Com a maquiagem que caracterizou Alice Cooper, anos antes, o visual feminino e o cabelo repicado e tingido de laranja avermelhado, Bowie deixou sua fase hippie, onde usava cabelos longos e composições típicas da década anterior.
Essa explicação introdutória é necessária. O LP, posteriormente transformado em CD, "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", de 1972, não é apenas uma simples gravação de músicas de sucesso, mas uma peça de teatro que caracterizou o aclamado glamour rock: bissexualidade, atitude, temas polêmicos, visual andrógino e forte interação com o público.
Sua primeira faixa, "Five Years", inicia a história de Ziggy com todo o sofrimento existente na Terra. Com rimas simples, Bowie ilustra a vida cotidiana, enquanto berra em plenos pulmões o refrão, resultando em uma música de peso. "Soul Love" quebra o clima causado pela introdução, trazendo uma peça predominantemente acústica, com letras positivas de renovação e exaltação do amor. "New love - a boy and girl they talking" mostra uma admiração descompromissada.
"Moonage Daydream", a terceira música, traz a intervenção dos marcianos, que falam de uma relação elétrica. David Bowie assume um vocal nitidamente afeminado, que caracteriza sua atuação como Ziggy Stardust, sob o som de piano, baixo, guitarra e bateria. Com a quarta faixa, a chegada triunfal do "alien" se concretiza, de forma quase divina. O solo de guitarra em seqüência dos acordes no violão cria uma harmonia em "Starman", assim como sua letra tranqüilizadora: "There´s a Starman waiting in the sky...".
Com uma melodia extremamente folk, "It Ain´t Easy" fala do duelo entre a satisfação e as dificuldades que se encontram no caminho. "Lady Stardust", pela ambigüidade de sua letra, trata da sexualidade de Ziggy, além da natureza obscura e reflexiva de suas músicas. "And he was alright, the band was altogether" faz uma primeira menção à banda que acompanha Ziggy Stardust, chamada no CD pelo nome The Spiders from Mars.
"Star", música chamada, originalmente, de "Rock´n´Roll Star", fala sobre como se tornar um ídolo e mudar o mundo, tal como os músicos de rock. A canção é acompanhada por um piano constante, que marca uma progressão ritmada de seus instrumentos. Música com a introdução definitiva dos Spiders from Mars, "Hang Onto Yourself" é uma música com poucas letras e muito dançante, mostrando que a história conceitual não se manifesta somente por palavras.
"Ziggy Stardust" é a música que resume a obra de setentista de David Bowie: "Making love with his ego. Ziggy sucked up into his mind". Vemos a clara decadência no glamour do astro, o retrato de crítico de Bowie sobre o cenário musical, embora ele mesmo participasse de orgias e tivesse uma vida bissexual pública, um cotidiano completamente desregrado e voltado para si mesmo.
"Suffragette City" abandona o vocal feminino de David para incorporar uma balada carregada antes da conclusão do CD. "Rock´n´Roll Suicide" conclui, na verdade, a música-tema "Ziggy Stardust", mostrando o astro cometendo suicídio no palco, fumando cigarros que, no fundo, simbolizam sua vida. Bowie berra, antes da morte de Ziggy, o memorável "You´re wonderful! Gimme your hands!" que não se trata apenas de um clímax musical, mas do ápice de uma verdadeira peça teatral, seja sobre si mesmo ou sobre pessoas jovens que morrem após uma vida desvairada.
Com todas essas excelentes 11 faixas, mais os extras lançados na reedição do CD em 1990, como "Johnny I´m Only Dancing", "Velvet Goldmine", a inédita "Sweet Head" e as versões demo de "Ziggy Stardust" e "Lady Stardust", temos em mãos não somente uma obra-prima comercial de 1970, mas um retrato artístico do que é viver o rock.
Não é pela rebeldia ou pelas aventuras sexuais que os cantores de glam viveram que a vida de quem admira o rock´n´roll é curta. Bowie não se restringe a demonstrar apenas seu estilo musical, porque a própria invenção de Ziggy Stardust e sua atuação remetem, além dos estereótipos, até emoções, êxtases.
Diversas teorias rondam esse material primordial para quem quer, realmente, conhecer a música dos anos 70. O próprio nome de Ziggy aponta diferentes influências de Bowie – uns dizem que veio de Iggy Pop, a versão oficial alega que a inspiração real foi Vince Taylor, frontman do The Playboys, da década de 50.
Vale a pena ouvir o material, que é raridade em lojas hoje em dia.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Churrasco do Angra reúne Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Fabio Lione e mais
Max Cavalera celebra 30 anos de "Roots" com dedicatória especial a Gloria Cavalera
Slash aponta as músicas que fizeram o Guns N' Roses "rachar" em sua fase áurea
Aos 94, "Capitão Kirk" anuncia álbum de metal com Zakk Wylde e Ritchie Blackmore
A maior canção de amor já escrita em todos os tempos, segundo Noel Gallagher
Como foi a rápida conversa entre Kerry King e Jeff Hanneman que originou o Slayer
Michael Amott diz que nova vocalista do Arch Enemy marca um passo importante
Regis Tadeu atualiza situação de Dave Murray: "Tenho fonte próxima do Iron Maiden"
As melhores músicas de todos os tempos, segundo Dave Gahan do Depeche Mode
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
Os 3 álbuns que são obras-primas do southern rock, segundo Regis Tadeu e Sérgio Martins
O que já mudou no Arch Enemy com a entrada de Lauren Hart, segundo Angela Gossow
Geddy Lee sobre os fãs do Rush; "um bando de garotos feiosos"
10 discos de rock que saíram quase "no empurrão", e mesmo assim entraram pra história
O álbum de rock que deslumbrou Elton John; "Nunca tinha escutado sons tão mágicos"
O clássico que é imbatível, segundo Slash e Bruce Dickinson; "não existe nada mais pesado"
A resposta de Roger Waters para as críticas do Genesis ao Pink Floyd nos anos 70



O cara que, com David Bowie, fazia a dupla ser como Axl Rose e Slash
31 discos de rock e heavy metal que completam 10 anos em 2026
A lenda do rock que Axl "queria matar", mas depois descobriu que era tão ferrado quanto ele
O artista que The Edge colocou ao lado dos Beatles; "mudou o rumo da música"
O músico que seria salvo pelo The Who, ficou a ver navios e David Bowie o tirou da lama
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



