Loudness: banda muito conhecida mas pouco ouvida

Resenha - Metal Mad - Loudness

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Por Igor Natusch
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O Loudness é, para muitos, uma banda conhecida mas não ouvida, se é que me entendem. Trata-se, com certeza, da banda japonesa que mais sucesso fez fora do seu país natal – e para muitos é um nome citado automaticamente, sem que na verdade se conheça muito bem sua música ou sua carreira. Mas os nipônicos merecem muito mais do que vagas lembranças: a carreira da banda é extensa, muitos de seus discos são de altíssimo nível – e, mais importante, a banda segue ativa, vendendo horrores em seu país natal e gravando discos como se não houvesse amanhã.

"Metal Mad" é o mais novo item de uma carreira que já soma cerca de quarenta títulos, entre álbuns de estúdio, discos ao vivo e coletâneas. E, embora a banda tenha modificado um pouco seu som com o passar dos anos, nunca virou as costas para o Heavy Metal que a caracteriza e que garantiu a sua fama. O disco abre com um tema instrumental, chamado "Fire of Spirit", que de certo modo escancara o que é o Loudness 2008: sonoridade moderna – com direito a guitarras pesadíssimas e uma timbragem bastante aguda de bateria – a serviço de um tema bastante pesado, mas marcante e que gruda na cabeça sem muita dificuldade.

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A formação é a clássica, a mesma que caiu na estrada no início dos anos 80 e conquistou o mundo com discos como "Thunder In the East" e "Hurricane Eyes". Akira Takasaki segue comandando tudo, com seu espírito de liderança e sua guitarra pesada, dotada de riffs marcantes e solos altamente inventivos. A cozinha de Masayoshi Yamashita (B) e Munetaka Higuchi (D) é precisa e segura, com destaque para a pegada impressionante do segundo, que nada deixa a dever ao material de vinte anos atrás. E na voz, o velho Minoru Niihara, que gravou o material mais clássico da banda, antes de ser substituído por Mike Vescera (sim, o mesmo que tocou até com o Dr. Sin) no final dos anos 80. De volta à banda desde 2001, o cantor conseguiu se adaptar bem à sonoridade modernizada do Loudness, e em temas como "Whatsoever" e "Crimson Paradox" a versatilidade do homem chega a ser impressionante, segurando todas sem deixar a peteca cair.

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Mas, no fundo, o que interessa é o som, certo? Bem, as músicas mais imediatas, por assim dizer, são sem dúvida a faixa-título e "Call of the Reaper" – duas pauladas com levada bem tradicional, belos riffs e linhas vocais das mais grudentas. Canções não tão típicas, mas igualmente boas, estão presentes, como por exemplo "High Flyer" e a dramática "Can’t Find A Way". No mais, temos uma série de sons experimentais, com influências que vão desde o jazz até o new metal, mas que quase sempre trabalham a favor da boa música, sem exageros ou bizarrices demasiadas. Talvez os que conhecem os trabalhos mais antigos do quarteto estranhem músicas como "Spellbound #9" ou "Gravity", mas acredito que um pouco de paciência revelará que se tratam de boas composições, dignas de respeito e atenção dos fãs de um bom Heavy Metal – frutos de uma banda que não se repete, mas também não vira as costas para as glórias do passado.

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As últimas notícias dão conta de que o baterista Higuchi está com câncer no fígado, o que torna o futuro imediato do Loudness bastante incerto. Seja como for, nos resta torcer pela plena recuperação do músico – e para que logo ele esteja em condições de retornar aos palcos e estúdios, mantendo viva a chama do que já são mais de 25 anos de Heavy Metal.

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LOUDNESS – Metal Mad (2008)

01. Fire of Spirit
02. Metal Mad
03. High Flyer
04. Spellbound #9
05. Crimson Paradox
06. Black and White
07. Whatsoever
08. Call of the Reaper
09. Can’t Find a Way
10. Gravity
11. Transformation




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Sobre Igor Natusch

Igor Natusch é gaúcho, gremista, profissional de vídeo, jornalista, baixista e fã de Heavy Metal desde que se conhece por gente. Viciado no Metal oitentista, em especial NWOBHM, gasta boa parte do seu tempo livre pesquisando sobre bandas da época, tentando ao mesmo tempo não se desligar dos sons e novidades do presente. Apegado ao passado, ainda não tomou coragem para jogar fora suas fitas K7, embora já tenha substituído todas elas por arquivos mp3 há muito tempo. E nunca pintou a barba em toda a sua vida.

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