Avantasia: Sammet ainda o maior hitmaker do Metal

Resenha - Scarecrow - Avantasia

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 10


Existe uma matemática simples para entender (e descobrir se vai te agradar...) este terceiro disco do projeto-solo Avantasia, capitaneado por Tobias Sammet, o frontman do Edguy. Vejamos: em 2001 e 2002, quando lançou as duas partes de "The Metal Opera", o Edguy, sua banda principal, soava cada vez mais power metal/metal melódico. Adivinha o que aconteceu? Os dois primeiros discos do Avantasia são épicos, cheios de orquestrações pomposas e com uma história conceitual que vai para o lado da fantasia-medieval. Agora, sai "The Scarecrow". Juntemos 2 + 2. Se você lembrar do mais recente disco do Edguy, "Rocket Ride", vai entender o que esperar deste novo Avantasia. É um disco igualmente épico, igualmente pomposo e com um elenco igualmente estelar de vocalistas. Mas...as referências sonoras são muito mais diversificadas, evocando especialmente o hard rock clássico que tanto seduziu Sammet em "Rocket Ride". Conseguiu captar o resultado da equação?

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Para esclarecer de uma vez por todas: a história não é uma continuação dos dois "The Metal Opera". Esqueça. Vamos começar do zero. Em "The Scarecrow", Tobias usou algumas doses de auto-biografia (embora não revele o quanto...) para nos levar ao mundo de um genial compositor do século 19. Rejeitado por seu grande amor, ele experimenta a ascensão e a queda de um artista, o doce sabor da fama e o amargo gosto da solidão, lentamente enlouquecendo e sentindo-se afastado de seus iguais, exatamente como o espantalho do título – e também da belíssima ilustração da capa.

Ou seja: as letras resvalam para o lado psicológico, muito mais introspectivas, sombrias e metafóricas. Apesar da comparação, digamos, artística com "Rocket Ride", é melhor você esquecer o bom humor da bolacha dos edguys. Aqui, Sammet fala bem sério. E fala muito bem, aliás. Basta assistir ao DVD que vem junto com a versão brasileira do CD para conferir os comentários que o próprio Sammet faz de cada faixa do disco.

Sei que, assim que foram lançados os singles "Carry Me Over" e "Lost In Space", teve muito fã por aí xingando até a primeira geração da família Sammet, acusando o camarada de ter se vendido, de estar fazendo um som "pop" e de ter se tornado o Bon Jovi da Alemanha. Tremendo exagero. Ambas são baladas calcadas fielmente nos anos 80, glam metal total, farofas até a alma, grudentas até dizer chega? São mesmo. Mas as duas são deliciosas, envolventes, para cantar junto. Ou vocês não se lembram do tempo em que até o Bon Jovi fazia boa música? :-)

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O que dizer, então, da rasgadona "Cry Just A Little", dueto com Bob Catley daquele tipo para arrancar o coração e colocar em cima da mesa, com direito a coral e tudo mais? Com certeza, estes mesmos fãs iriam odiar muito mais, com direito a bater a cabeça na parede até sangrar! O mesmo vale para o hardão meio Van Halen de "I Don’t Believe In Your Love", com a guitarra venenosa de Rudolf Schenker e uma letra dor de cotovelo que vai fazer os puristas roerem até as unhas dos pés.

O principal acerto de Tobias neste terceiro Avantasia foi mesmo na seleção de seus convidados especiais, que se encaixam como verdadeiras luvas nas canções para as quais foram convocados. Na abertura, "Twisted Mind", Roy Khan assume o papel de um assustador psiquiatra que declara o personagem principal como louco, em uma interpretação operística e quase teatral que lembra os melhores momentos do Kamelot pós-"The Black Halo". Em "What Kind Of Love", Amanda Somerville ganha uma chance para sair da eterna sombra de vocalista de estúdio e backing vocal de luxo, desfilando requinte em uma faixa onírica com ares de discussão de relação.

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Só de ouvir, já até para imaginar Alice Cooper em seu papel diabólico de costume, maquiagem, bengala e cartola na cabeça, como um estranho negociante em "The Toy Master", música divertida, sacana e sarcástica como o próprio vocalista. E o sempre excelente Michael Kiske apresenta seu momento mais inspirado de todos os Avantasia, usando sua voz limpíssima e de longo alcance em uma faixa totalmente para cima e com uma mensagem bastante positiva, do jeito que ele gosta, nitidamente inspirada naquele Helloween das antigas. E o que é melhor: com os riffs de ninguém menos do que Kai Hansen, resgatando uma saudosa e saudável parceria de décadas atrás. O resultado poderia estar facilmente em qualquer dos "Keepers" – menos no sofrível terceiro, é claro.

Mas aquele que rouba a cena nestas 11 faixas é mesmo Jorn Lande. O camarada ataca de goleada, sem piedade. Está em excelente forma, afinado, melódico e agressivo, fazendo o próprio Tobias comer poeira durante o duelo de ambos na faixa-título. Lande incorpora uma espécie de Mefistófeles, o capeta em pessoa, neste que o autor descreve como sendo seu "Fausto" pessoal, uma espécie de consciência macabra que quer arrastar o protagonista para o seu lado negro. Em "Another Angel Down", que tem um gostinho quase Edguy de ser, Lande arregaça, largando Sammet para escanteio. E o ápice acontece na poderosa e surpreendente "Devil In The Belfry", uma paulada power metal que se tornou automaticamente uma das melhores canções do ano, tocando repetidas vezes no meu Mp3 player.

Aliás, uma coisa é fato: Tobias Sammet continua sendo um dos maiores hitmakers do universo metálico. Depois de ouvir os dois "The Metal Opera" pela primeira vez, já saí por aí cantarolando diversas de suas canções, pesadas mas ao mesmo tempo grudentas e com refrões de altíssimo calibre. Se "The Scarecrow" tem alguma coisa em comum com os dois primeiros lançamentos do projeto, definitivamente é esta qualidade pop – na melhor acepção da palavra, embora alguns fãs mais xiitas a utilizem com um lado pejorativo e sem nem ao menos entender o porquê.

Sei que vai ter gente questionando a minha nota 10, chamando de exagero ou puxa-saquismo. E eu explico o meu critério: dou a cotação máxima apenas e tão somente aos álbuns que se tornam melhores após a segunda ou terceira audição. E que, é claro, me mantêm com o mesmo sentimento de puro embasbacamento da primeira à última faixa. Foi o que aconteceu com "Humanity: Hour 1", dos Scorpions, no ano passado. E aconteceu novamente com este "The Scarecrow". Me pegou de jeito, Sr.Sammet. Fazer o quê? E que venha, o quanto antes, este show de São Paulo, afinal!

Line Up Principal:
Tobias Sammet – Vocal e Baixo
Sascha Paeth – Guitarra
Eric Singer – Bateria

Participações Especiais:
Roy Khan (Kamelot) - Vocal
Jorn Lande (ex-Masterplan) - Vocal
Michael Kiske (ex-Helloween) - Vocal
Bob Catley (Magnum) - Vocal
Alice Cooper – Vocal
Amanda Somerville – Vocal
Oliver Hartmann (ex-At Vance) - Vocal
Henjo Richter (Gamma Ray) - Guitarra
Kai Hansen (Gamma Ray) - Guitarra
Rudolf Schenker (Scorpions) - Guitarra

Tracklist:
CD:
01 - Twisted Mind
(Tobias Sammet: vocal e baixo / Roy Khan: vocal / Sascha Paeth: guitarra / Miro: teclado / Eric Singer: bateria)

02 - The Scarecrow
(Tobias Sammet: vocal / Jorn Lande: vocal / Michael Kiske: vocal adicional / Sascha Paeth: guitarra principal / Henjo Richter: guitarra adicional / Miro: orquestração / Eric Singer: bateria)

03 - Shelter From The Rain
(Tobias Sammet: vocal, baixo e teclado / Michael Kiske: vocal / Bob Catley: vocal adicional / Sascha Paeth, Henjo Richter e Kai Hansen: guitarras / Eric Singer: bateria)

04 - Carry Me Over
(Tobias Sammet: vocal e baixo / Sascha Paeth: guitarra / Miro: teclado / Eric Singer: bateria)

05 - What Kind Of Love
(Amanda Somerville: vocal / Tobias Sammet: vocal adicional / Michael Kiske: vocal adicional / Miro: seqüenciamento e orquestração / Sascha Paeth: guitarra acústica e teclados)

06 - Another Angel Down
(Tobias Sammet: vocal e baixo / Jorn Lande: vocal / Sascha Paeth: guitarra / Henjo Richter: guitarra / Miro: teclado / Eric Singer: bateria)

07 - The Toy Master
(Alice Cooper: vocal / Tobias Sammet: vocal adicional e baixo / Sascha Paeth: guitarra e teclado / Henjo Richter: guitarra / Eric Singer: bateria)

08 - Devil In The Belfry
(Tobias Sammet: vocal e baixo / Jorn Lande: vocal adicional / Sascha Paeth: guitarra / Henjo Richter: guitarra / Eric Singer: bateria)

09 - Cry Just A Little
(Tobias Sammet: vocal e baixo / Bob Catley: vocal / Sascha Paeth: guitarra / Michael Rosenberg: teclado e orquestração / Eric Singer: bateria)

10 - I Don’t Believe In Your Love
(Tobias Sammet: vocal e baixo / Oliver Hartmann: vocal adicional / Rudolf Schenker: guitarra / Sascha Paeth: guitarra / Eric Singer: bateria)

11 - Lost In Space
(Tobias Sammet: vocal e baixo / Amanda Somerville: vocal adicional / Sascha Paeth: guitarra / Miro: teclado / Eric Singer: bateria)

DVD:
- Avantasia Comentado Faixa a Faixa;
- Electronic Press Kit "Lost In Space";
- Clipes: "Lost In Space" e "Carry Me Over";
- O Making Of de "Carry Me Over";
- Duas músicas em versões alternativas (apenas áudio): "The Toy Master" e "I Don’t Believe In Your Love" somente com os vocais de Tobias Sammet.




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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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