Dew-Scented: apenas competente mais do mesmo
Resenha - Incinerate - Dew-Scented
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 16 de dezembro de 2007
Nota: 7 ![]()
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A partir de "Inwards", de 2002, os alemães do Dew-Scented vieram recebendo maior atenção não só no Brasil como em várias outras partes do mundo. Descendentes diretos da escola "sem concessões" do thrash/death, a receita aqui é nítida: música extrema velocíssima, primando por triggers incessantes, vocais urrados e uma usina de riffs que explodem por todo o play. Ou seja, o tipo de som que faz um considerável estrago ao vivo.

A dupla de guitarristas Flo Mueller e Hendrik Bache realmente capricham nos riffs e solos, sendo donos de um poder de fogo não muito comum, calcados diretamente na dupla Kerry King/Jeff Hanneman. "The Fraud", "Now Or Never", "Everything Undone" e "Aftemath", por exemplo. Uwe Werning vem na tradição de bateristas alemães, sendo muito influenciado pelo thrash daquele país, o que é ótimo.
O principal problema, como já apontado por quase todos que têm contato com a música do Dew-Scented é a repetição, a dificuldade de se diferenciar quando uma faixa termina e outra começa. As guitarras são bem "trampadas", para usar uma expressão típica do meio, e a cozinha é funcional, mas a velocidade demasiada e o vocal uniforme de Leif Jensen atrapalham.
Deste modo, as virtudes acabam eclipsadas pelos defeitos. É como se ouvíssemos uma única composição de uma hora e dez minutos - no caso deste CD, recheado de bonus tracks. Contudo, as participações de Jeff Waters (Annihilator), Gus G. (Firewind) e Mille Petrozza (Kreator) conseguem trazer um atrativo a mais em "Perdition For All" e "Retain The Scars".
Talvez a saída para o Dew-Scented seja pisar um pouco no freio, reconhecendo que a velocidade não é o único sentido da existência e assim dando espaço para que a qualidade de seus instrumentistas sobressaia melhor, bem como a atuação do solapado baixista Alexander Pahl. Andy Sneap, preferência de 11 entre 10 bandas do estilo, faz um bom trabalho como sempre, deixando tudo nítido apesar do caos sonoro. Mas não me agrada os timbres sempre parecidos que constrói e o toque excessivamente "moderno" e estalado da atmosfera num todo. As composições não "respiram", como seria saudável. Resta saber se o grupo irá continuar na linha daqueles famosos representantes do "competente mais do mesmo", ou tentará algo com mais cérebro e menos músculos.
Formação:
Leif Jensen (Vocal)
Flo Mueller (Guitarra)
Hendrik Bache (Guitarra)
Alexander Pahl (Baixo)
Uwe Werning (Bateria)
Site Oficial: www.dew-scented.net
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