Sunseth Midnight: "In Goth We Trust!"

Resenha - Sun Seth - Sunseth Midnight

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Por Maurício Dehò
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Amantes do som gótico, estilo que tem vindo com força de países como a Finlândia, e de algumas batidas eletrônicas em uma levada mais industrial, uma opção caseira surgiu com o nome Sunseth Midnight. O quinteto paulista (hoje um sexteto) apareceu em 2003 e lançou no último ano seu debut, tentando galgar espaço nesse cenário um pouco mais específico do rock/metal e que não tem representantes de peso no Brasil.
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Com Roger Lombardi (vocal, ex-Midnight), Ricardo Campos (guitarra e teclado, ex-C.O.D.E., Threat), Ricardo Picolli (baixo, ex- Dead Nature e Scars Souls), Ricardo Batalha (bateria, ex-Midnight) e, posteriormente, Theo Vieira (guitarra e teclado, também do Hard Rocket), lançaram “Sun Seth”, pela Hellion Records, com uma produção muito bem cuidada, feita pela própria banda, com Theo e Campos, em parceria com Beto Carezzato.

Um aspecto interessante é todo o lado à parte da música em si, com a ligação mitológica usada em letras e símbolos do conjunto. A começar pela própria capa, uma mariposa num fundo preto, que não poderia ser mais alusiva à noite, além do visual carregado do quinteto. E tem mais, o nome Sunseth Midnight remete a pôr-do-sol, da palavra sunset em inglês, junta a Seth, deus egípcio do caos, além de também ser grafado por eles como SS00. Misterioso? Então dê uma olhada na capa do encarte caprichado (“Sun Seth” foi lançado num belo digipack), que tem uma imagem um tanto assustadora...

Música também há, é claro, e para quem gosta de Paradise Lost, H.I.M., The 69 Eyes entre tantos outros como os veteranos do The Sisters Of Mercy, o prato deve ficar cheio com as 14 faixas deste álbum. O foco principal das composições parece sempre ficar com a voz bem grave de Roger, característica até caricata do estilo, e os teclados/sintetizadores, com um som muitas vezes puxado para orquestrações e música clássica. As guitarras também têm seu destaque, com bons solos e riffs simples, ficando mais na parte rítmica com o baixo e a bateria bem reta e sem firulas de Batalha (hoje, o batera não está mais na banda, por problemas médicos e, em seu lugar, entrou Luis Bueno).

Mas a diferença mesmo fica pela parceria vocal de Roger e Theo nos refrões, o que com certeza já é uma das marcas registradas do Sunseth Midnight. Os gravíssimos do primeiro com a voz mais aguda do segundo combinam muito bem e dão um efeito diferenciado nas canções.

Entre os destaques estão a abertura com “Stop Haunting Me”, que logo fica na cabeça, com um refrão bem meloso, e a próxima “The Night’s Still Young”, na mesma levada. “Where I Belong” é ainda mais para o industrial, lembrando o inigualável Rammstein, “Bleed Me” tem destaque total para a bela linha de piano e a seguinte, “Just An Illusion”, aposta em vocais ainda mais variados: graves, agudos, sujos e limpos. Já as letras, como o próprio grupo explica, falam no geral de vampirismo, dualidades como bem e mal, além de ocultismo e magia, para citar alguns dos temas.

Passando por sons mais dark, como “The Bat”, com seus interessantes corais gregorianos, e o órgão misterioso de “Nosferatu”, e antes de chegar a cansar o ouvinte por serem 14 músicas e mais de uma hora de CD, “(She’s Not) Innocent” e “Burning the Night For You” vem para aumentar um pouco a velocidade e dar um novo gás. A surpresa mesmo, mostrando ainda mais o quanto o som da banda é bem trabalhado e pensado, e o quanto eles já sabem a que vieram, é a épica “Sun Seth”, com nove minutos. Grandiosa, possui um clima oriental e relacionado ao Egito, com a presença de sons de cítaras e um andamento bem arrastado.

Num mercado com poucas opções como o brasileiro, o Sunseth Midnight vem para dar um belo chutão inicial, em uma estréia ainda a ser bastante falada. Alguns podem ficar na expectativa de algumas passagens mais pesadas, que parecem querer surgir e ficam só na promessa, mas, no geral, as faixas devem agradar bastante aos amantes do gótico. E ainda é só o início mesmo, já que até o bordão que inventaram, “In Goth We Trust” (ao invés do comum “In God We Trust”), dá uma idéia que a trilha só começou. Quem quiser, confie também!

Formação no álbum:
Roger Lombardi – vocal
Ricardo Campos – guitarra e teclado
Theo Vieira – guitarra e teclado
Ricardo Picolli – baixo
Ricardo Batalha – bateria

Track list:
1. Crystal Teardrops
2. Stop Haunting Me
3. The Night's Still Young
4. Where I Belong
5. Bleed Me
6. Just An Illusion
7. Loneliness
8. Dance With The Fire
9. The Bat
10. Nosferatu
11. A Good Carrousel
12. (She's Not) Innocent
13. Burning The Night For You
14. Sun Seth

Lançamento Hellion Records – nacional – 2006

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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