Resenha - Crossing The Styles: The Transatlantic Anthology - Gryphon
Por Rodrigo Werneck
Postado em 26 de junho de 2006
Nota: 10 ![]()
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Em mais uma excepcional antologia de um dos pilares do rock progressivo britânico dos anos 70, dessa vez a Sanctuary nos presenteia com uma compilação contendo os 4 primeiros discos do lendário grupo Gryphon.

Um grifo ("griffin" ou "griffon" em inglês) é uma criatura fantástica pertencente à mitologia de várias culturas, possuindo cabeça e asas de águia, e corpo de leão. "Grifo" é, ao mesmo tempo, um termo alternativo para enigma, ou uma elocução ambígua. Desse interessante jogo de palavras e definições, somado a uma pequena digressão artística, surgiu o nome dessa inusitada banda de rock progressivo oriunda do prolífico celeiro musical da Inglaterra, no início dos anos 70.

Formado por músicos de consistente formação musical acadêmica, o Gryphon rapidamente conseguiu fazer-se notado. Richard Harvey e Brian Gulland se conheceram quando estudavam juntos no Royal College Of Music, e formaram o Gryphon em 1971 com uma orientação musical dissonante do óbvio, buscando uma fusão de diferentes estilos que iam desde a música renascentista à música sacra medieval. Como o rock progressivo era definido em grande parte pela indefinição (ops!), alem da riqueza de execução, arranjos e composição, foram inseridos em tal cenário. Dentre as bandas que poderiam ser citadas como possuindo um estilo de certa forma similar ao do Gryphon, mesmo que sutilmente, está o Gentle Giant, grupo também inglês.

Harvey tocava uma seleção de flautas dos mais diversos tipos, e ainda o "krumhorn" (instrumento de sopro renascentista, em formato de "J"), o harmônio (pequeno órgão de sala com palhetas livres em vez de tubos), bandolim e guitarra. Já Gulland tocava fagote, krumhorn baixo, teclados e flautas. Completavam a formação o guitarrista Graeme Taylor (mas que também tocava flautas e teclados), o baterista Dave Oberlé, e a partir do segundo disco o baixista Phil Nestor, depois substituído por Malcolm Bennett.
O grupo, que no princípio passou pelo tradicional circuito de clubes e pubs ingleses, começou a se apresentar em locais insólitos como restaurantes com motivos renascentistas e, após atingir algum sucesso, em catedrais como a descomunal St. Paul (a segunda maior do mundo, em Londres) e a de Southwark, bem como em prisões! Chamaram ainda a atenção por ser a primeira banda da história a ter músicas tocadas em todas as estações da BBC (Rádios 1, 2, 3, e 4) na mesma semana. No caso, as músicas eram provenientes do disco de estréia, homônimo, lançado em 1973.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | O segundo disco do grupo, "Midnight Mushrumps" (1974), é aclamado por muitos como sendo o seu melhor. Foi nessa época que a banda foi convidada pelo Yes, então no seu auge artístico, a participar de uma turnê pelos EUA. O Gryphon atingia status de banda conhecida mundialmente, e de queridinha do – na época, não tão pequeno – gueto progressivo (inclusive no Brasil, sendo amplamente divulgada pela lendária rádio Eldopop, do Rio de Janeiro).
O disco que se seguiu, "Red Queen To Gryphon Tree" (1974), contendo apenas 4 longas faixas instrumentais baseadas num jogo de xadrez, se tratava de um disco conceitual portanto, mesclando mais uma vez orquestração típica do século XVI com rock do século XX. Richard Harvey tocava sua flauta de forma célere, sendo que críticos hoje em dia chegam a comparar o seu estilo, pasmem, ao dos guitarristas de thrash metal (!!).

Largando um pouco os instrumentos renascentistas de lado, em 1975 lançaram "Raindance", num estilo menos idiossincrático e mais próximo ao dos grandes nomes do rock progressivo mundial, que vendiam milhões de discos então. Mantiveram a extrema qualidade de suas composições e arranjos, continuando portanto, felizmente, no caminho certo.
Assumindo, talvez para tentar atingir um maior sucesso comercial, uma postura similar ao Genesis, o baterista Dave Oberlé largou as baquetas e veio para a frente do palco cantar, à la Phil Collins. Novos integrantes se juntaram ao grupo nessa época: o guitarrista Bob Foster, o baixista Jonathan Davie e o baterista Alex Baird, substituindo os músicos de apoio originais. O trio Harvey/Gulland/Oberlé, espinha dorsal do conjunto, permaneceu à frente. Com esta nova formação lançaram o disco "Treason", já fora da Transatlantic Records e portanto não coberto por esta antologia (este último trabalho saiu pela EMI).

Esta antologia dupla lançada pela Sanctuary contempla todas as músicas dos primeiros 4 discos do conjunto, com exceção apenas de "Touch And Go" (do disco "Gryphon") e de "Wallbanger" (do disco "Raindance"). Como mencionado acima, são exatamente os discos que saíram originalmente pela Transatlantic Records (daí o nome do CD). O encarte inclui, além de fotos da época, excelente texto do jornalista inglês Malcolm Dome, narrando de forma cronológica e sucinta a carreira do grupo, como usual entre grupos progressivos dos anos 70, abreviada pelo advento do movimento punk, em 1977. As faixas não estão apresentadas em ordem cronológica, tendo sido "embaralhadas" propositalmente, para dar maior dinâmica ao lançamento, e o resultado acabou sendo ótimo.

Após a dissolução da banda, todos os seus integrantes se dedicaram a diversos projetos na área musical, notadamente à composição de trilhas sonoras e à produção de outros artistas. Merecidamente, todos os músicos do Gryphon continuaram a desfrutar de grande sucesso em suas novas empreitadas.
Mais uma pérola progressiva dos anos 70, imperdível para todos os apreciadores de música rica em nuances, e desprovida de preconceitos.
CD 1
1. Sir Gavin Grimbold
2. Pastime With Good Company
3. The Unquiet Grave
4. Opening Move
5. Second Spasm
6. Gulland Rock
7. Ethelion
8. Dubbel Dutch
9. Raindance
10. (Ein Klein) Heldenleben
11. Mother Nature's Son
12. The Devil And The Farmer’s Wife
13. The Ploughboy’s Dream
14. Don’t Say Go
15. Crossing The Stiles
CD 2
1. Midnight Mushrumps
2. Lament
3. Checkmate
4. Fontinental Version
5. Estampie
6. Juniper Suite
7. Tea Wrecks
8. The Last Flash Of Gaberdine Tailor
9. Down The Dog
10. Le Cambrioleur Est Dans Le Mouchoir
11. The Astrologer
12. Ormolu
13. Three Jolly Butchers
14. Kemp’s Jig
Website: http://www.gaudela.net/gryphon/
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