Resenha - World's Best Kept Secret - Talisman
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 24 de outubro de 2005
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Comemorando seus 15 anos de carreira, o Talisman solta no mercado este DVD duplo, que visa cobrir todo este período. Não é o que acontece. Ele não transparece nenhum planejamento mais cuidadoso, nenhuma idéia lapidada com o tempo, é apenas um material lançado no momento oportuno, o que, se não o impede de ser bom, o desabona de ser ótimo.
Quem não está familiarizado com a banda, grande parte dos rockers brasileiros, aliás, encontrará aqui uma excelente oportunidade em conhecer boa parte de sua discografia, toda moldada por um hard rock melódico deveras virtuoso, de refrões pegajosos e influências que vão do soul ao heavy metal.
Iniciando os trabalhos temos, no primeiro disquinho, um show absolutamente intimista num pequeno clube sueco, contando com uma platéia respeitosa, contudo, comportada em excesso. "Break Your Chains" dá a tônica de todos os próximos 170 minutos: hard cativante, de riffs idem, solos rebuscados e melodias contagiantes. A funkeada "Color My Xtc" faz companhia à "Mysterious" quanto aos primórdios do grupo, enquanto o peso revigorante de "Skin On Skin", do álbum "Cats and Dogs", de 2003, mostra quanto o tempo manteve intacto o poderio deste suecos. E falando em Suécia, a referência mais clara que lhe virá à mente neste dvd é, sem dúvida, Yngwie Malmsteen. Não apenas por Jeff Scott Soto já ter cantando com o Mr. Virtuose por excelência, mas as semelhanças vão muito além do país (o que cria, automaticamente, uma ligação próxima). Howie Simon, um monstrinho veloz, preciso e habilidoso em solos, riffs e improvisos, tem um estilo bem parecido com o de Yngwie, e até a guitarra, branca e surrada, lembra o ídolo. Acima de tudo, o jeito de fazer hard rock é praticamente o mesmo, excetuando que aqui a veia clássica é substituída pelo funk/pop/soul, em resumo, AOR.

Jeff Scott Soto, dono de um dos currículos mais extensos da música pesada, continua o de sempre: cantando horrores, proporcionando entonações perfeitas, afinação impecável, e se caracterizando por uma performance notadamente sexy, o único porém são as linhas vocais, que perigam ficarem enjoativas com o tempo. Marcel Jacob (membro fundador ao lado de Soto) é um mestre do baixo. Técnica apurada, personalidade solista, domínio e pluralidade musical, compositor de mão cheia – é o responsável por todo o recheio das músicas, impregnando-as com seu feeling, cadência e sabedoria, além de entregar um solo de baixo valoroso e respeitável, que justifica a sua performance em meio ao show. Fredik Akesson, companheiro de Simon nas seis cordas, embora de gabarito menor que o citado, não decepciona, suas bases são eficientes e os solos perfeitamente executados. Jamie Borger é competente e correto nas baquetas. A classe do conjunto é exemplificada por "In Make Believe", "If You Would Only Be My Friend" e "Tears In The Sky" enquanto os momentos de fúria ficam para "Break It Down Again" – um hard vigoroso – "Outta My Way", excelente conjunto seqüenciado de riffs, bridge e refrão, uma das mais marcantes, e "Standing On Fire", "up" até o osso. A clássica balada "I’ll Be Waiting", single imortal do primeiro disco, conta com a ativa participação da platéia, e ficou ainda melhor que a versão de estúdio, contendo aquela típica melodia inesquecível e grudenta dos anos 80.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Findo o primeiro show (e a opção de acompanhar com as letras é algo sempre simples e relevante), como dito, algo bem próximo de uma festa para os amigos, somos transportados para o Sweden Rock Fest de 2003. E, apesar da potência da banda ser ressaltada pela maior estrutura, o set list (reduzido) é o mesmo do primeiro show, coisa explicada pelos dois serem frutos da mesma época e turnê, o que, claro, configura-se como um erro da produção do dvd. A única novidade que podemos ver na parte do Sweden Rock (num palco estranho e secundário, de decoração "circense") é a elogiável e bacana versão do mega hit pop "Crazy", de Seal. Um revés é que somos obrigados a acompanhar o festival sueco apenas em preto e branco, em mais uma opção execrável da edição.

No segundo disco é feita a promessa de uma "retrospectiva" na carreira da banda, mas não se empolgue. Não há nenhum depoimento, nenhuma história sendo contada, nem traços de um provável tom documental, entrevistas ou algo do gênero. O que temos são apenas trechos de imagens dos integrantes em estúdio, fazendo algumas estripulias pelo mundo afora, ensaiando, compondo, brincando (tudo sem legenda alguma), com um simplório sistema indicatório da entrada de novos membros na banda, entrecortado por clips e vídeos. E aí podemos sentir o peso da época em vídeos como os de "I’ll Be Waiting" e "Just Between Us", com aquela atmosfera sexy e glam, impagavelmente divertido (e compreensivo). A parte mais interessante são os dois diminutos sets ao vivo. O primeiro, datado de 1993, com "Time After Time" – mais do mesmo – "Comin’ Home" e "All Or Nothing" – ótima - é uma gravação amadora feita no Japão, a mina de ouro de todas as bandas de hard melódico que já pisaram pela terra. O segundo, "Here 2day, Gone 2day", "Fabricated War", "Tears In The Sky", "Crazy" e "Outta My Way" (incrível como essa música é boa!), oriundos de Lokerse Feesten, em 2003, é o que possui a melhor qualidade de gravação e a melhor estrutura de show, num palco amplo e completo, apresentando também um público mais participativo que os anteriores.
A discografia e um clip final de algumas fases do Talisman são a sobremesa.

Um bom dvd, que, apesar de suas falhas, incorreções e redundâncias, não deixa de ser um material suculento para todos os fãs do ótimo e virtuoso hard rock europeu, elevado aos patamares mais altos pelo incrível conjunto que é o Talisman. Que o próximo seja planejado com mais cuidado. Rock On!
Site Oficial: www.talismanworld.com
Lançado em território nacional pela Hellion Records.

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ritchie Blackmore fala sobre saúde e atual relação com membros do Deep Purple
"A maioria dos guitarrista não são boas pessoas mesmo", admite Ritchie Blackmore
Dennis Stratton se manifesta sobre entrada do Iron Maiden no Hall of Fame
Regis Tadeu se manifesta sobre os problemas da turnê de reunião do Kid Abelha
A reação de George Israel ao retorno do Kid Abelha
Rafael Bittencourt usa Garrincha e Pelé para explicar diferença em relação a Kiko e Marcelo
Os 10 músicos do Iron Maiden indicados ao Rock and Roll Hall of Fame
O melhor riff de guitarra criado pelo Metallica, segundo a Metal Hammer
Steve Harris esclarece que Iron Maiden não participou da produção de documentário
Hamburgueria que atendeu o Guns N' Roses em Porto Alegre fixa pedido da banda no cardápio
O conselho que Aquiles Priester deu a Ricardo Confessori na época do "Fireworks"
O maior disco do metal para James Hetfield; "Nada se comparava a ele"
Dave Mustaine diz que influenciou todas as bandas do Big Four do thrash metal
Iron Maiden é confirmado no Hall da Fama do Rock; Bruce Dickinson vai aceitar a homenagem?
O hit do Metallica que macetou o apocalipse antes de Ivete Sangalo e Baby do Brasil
Lars Ulrich: O motivo pelo qual o Big Four tocou "Am I Evil"
Como Rita Lee descobriu o câncer e o passo a passo do tratamento, segundo autobiografia


"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme

