Resenha - Change - Richie Kotzen
Por Marcio Carreiro
Fonte: Disconnected
Postado em 19 de outubro de 2004
Quando um amigo - por acaso o editor do Disconnected - me sugeriu ouvir o trabalho de Richie Kotzen, com toda sinceridade eu torci o nariz. O Daniel dizia "Ele é um gênio da guitarra" e eu ficava ainda mais desconfiado. "Pô, o cara era guitarrista do Poison", pensava eu na minha santa ignorância - e, pior, com um preconceito de dar dó. Até o dia em que, num surto de boa vontade, parei para prestar atenção nele e de cara fiquei impressionado com a versatilidade do rapaz, que já gravou mais de uma dezena de discos que vão desde o jazz/fusion até o hard-quase-pop de extremo bom gosto que faz atualmente.
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Mas "versátil" é apenas um dos adjetivos que o guitarrista carrega. Além disso, é excelente compositor, dono de uma voz marcante, quase aveludada, e para completar toca uma guitarra redondinha. Sabe aqueles solos deliciosos de se ouvir, melodiosos até não poder mais, rápidos e precisos apenas quando necessário? Pois é, assim são os de Kotzen empunhando sua Fender. Change, que chega agora ao Brasil (numa agradabilíssima surpresa) via Wet Music, é o primeiro lançamento significativo de Kotzen por aqui desde o álbum que ele gravou com o Poison, Native Tongue, e é um excelente trabalho.
As qualidades listadas no parágrafo anterior estão presentes em seu 12º disco solo. Pode acreditar, todas as músicas têm harmonias vocais e refrãos caprichadíssimos, além de solos de guitarra de arrepiar, beirando (para ser humilde) a perfeição, riffs, suingue, feeling... Tudo transborda no álbum. As canções em sua maioria são hard rock, algumas com menos e outras com mais pitadas de soul e pop. Sem querer ser injusto, já que todas as músicas são excelentes, os destaques são Shine, previamente lançada no último álbum do Mr. Big, Actual Size, e que aqui ganhou muito com a roupagem acústica e a voz de Kotzen; o jazz Unity (jazz bee bop instrumental) e a faixa bônus Don't Ask em versão voz e violão. Sensacional.
Alguns detalhes não podem passar em branco. Kotzen gravou todos os instrumentos (baixo ótimo e bateria... Bem, a bateria não compromete em nada a proposta do CD), exceto em High, cujas baquetas foram comandadas por Pat Torpey, ex-companheiro de Mr. Big; e o bônus é parte do álbum Acoustic Cuts, à venda apenas via Internet - confira o site oficial do guitarrista. Resta tirar o chapéu para a Wet Music, pelo arrojo do lançamento e capricho no acabamento do CD. Para quem gosta de música sem fronteiras e de bom gosto e não conhece o trabalho desse gênio ainda pouco reconhecido, o lançamento é imperdível. Compre agora!
Wet Music: www.wetmusic.com.br
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