A canção que queimou o filme do Iron Maiden nos EUA, e atraiu ainda mais fãs para a banda
Por Bruce William
Postado em 31 de julho de 2025
Em 1982, o Iron Maiden lançou uma música que rapidamente se tornou um de seus maiores clássicos, e ao mesmo tempo virou o centro de uma histeria coletiva nos Estados Unidos. "The Number of the Beast", faixa-título do terceiro disco da banda, foi acusada de promover o satanismo. Não demorou para surgirem protestos, queima de discos e ataques de grupos religiosos durante a turnê americana. A comoção só ampliou o alcance do Iron Maiden.
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Segundo Steve Harris, autor da música, nada disso fazia sentido. Ele contou que a letra foi inspirada em um pesadelo que teve após assistir ao filme "Damien: Omen II", além de influências do poema escocês Tam o' Shanter, de Robert Burns. "Basicamente, essa música é sobre um sonho. Não é sobre adoração ao diabo", explicou. A ideia nunca foi pregar nada, mas os fanáticos, claro, não se preocuparam em ler a letra antes de sair queimando LPs em praça pública.
A introdução falada, com trechos do Apocalipse, também colaborou para a polêmica. A banda queria que fosse narrada por Vincent Price, mas o ator cobrou caro demais. No fim, o texto foi lido por Barry Clayton, um locutor britânico que sequer conhecia o Iron Maiden. A voz grave entoando "Woe to you, oh Earth and Sea..." ("Ai de vós, ó Terra e Mar...") abriu caminho para o grito mais visceral da carreira de Bruce Dickinson, que no fim das contas foi o resultado da irritação após horas sendo forçado a repetir a mesma entrada pelo produtor Martin Birch.
"The Number of the Beast" também marcou a consolidação da nova formação do Iron Maiden. Bruce Dickinson tinha acabado de assumir os vocais no lugar de Paul Di'Anno, e Clive Burr ainda era o baterista - ele seria substituído por Nicko McBrain após o fim da turnê. O lado B do single, "Remember Tomorrow", foi registrado ao vivo na Itália dias depois da estreia oficial de Bruce nos palcos com a banda.
O clipe da música ajudou a alimentar a fama de "satânica". Gravado em março de 1982, trouxe imagens de filmes como Nosferatu, Mothra vs. Godzilla e The Crimson Ghost (youtube). Também foi ali que Eddie, o mascote da banda, apareceu gigante no palco pela primeira vez. A capa do single mostrava Eddie com um sorriso sinistro segurando a cabeça do diabo - parte de uma trilogia visual iniciada em "Purgatory" e seguida por "Run to the Hills".
Apesar das críticas, "The Number of the Beast" alcançou o 18º lugar nas paradas britânicas em 1982, e voltou a figurar no Top 3 com as reedições de 1990 e 2005. É presença garantida nos shows desde então. "Eles entenderam tudo completamente errado", disse Harris. "Eles só queriam acreditar nessa bobagem de que éramos satanistas". Nada mal para uma música que nasceu de um pesadelo e virou combustível para um clássico do heavy metal.
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