Resenha - Ink Compatible - Spastic Ink
Por Daniel Dutra
Postado em 20 de maio de 2004
Meu amigo, que disco maravilhoso é o segundo do Spastic Ink, Ink Compatible! Para quem não sabe, a banda é liderada pelo guitarrista Ron Jarzomback (Watchtower) e conta com seu irmão, Bobby Jarzombeck (Painmuseum, ex-Halford), na bateria; Pete Perez (Riot) no baixo; e Jason McMaster (Dangerous Toys) nos vocais. Se alguém não tem idéia do que se trata, posso resumir dizendo que é um dos trabalhos mais insanos que ouvi nos últimos anos, mas indicado apenas a quem gosta de virtuosismo a serviço da boa música.

Muita gente dirá que é auto-indulgente, mas antes toda auto-indulgência fosse assim. As nove músicas do CD são de tirar o fôlego não apenas pela ténica apurada dos músicos, mas sim porque são composições de raro bom gosto. Méritos para Ron, que escreveu tudo sozinho, mas também para o time que o acompanha, incluindo os convidados especiais. O que dizer de um disco que começa com o som de um modem em acesso discado? A loucura tem ínicio com a maravilhosa Aquanet.
É música para poucos, sem dúvida, mas todos felizardos. Uma quebradeira infernal na bateria - Bobby surpreende quem o conhece apenas dos trabalhos com Rob Halford - em meio a convenções insanas e com uma influência de Frank Zappa à flor da pele. Impossível resistir às mudanças de andamento, como o trecho funk durante o solo de Perez, e ao que Ron faz nas seis cordas. O cara toca uma barbaridade, sim, mas toca bonito. Além disso, o tecladista Jens Johansson felizmente relembra seus momentos com Allan Holdsworth e Mike Stern, não com o Stratovarius.
Em Just a Little Bit, os riffs e o andamento mais pesado evidenciam o vocal de McMaster, que nem de longe lembra a época em que tentou ser um novo Axl Rose. Além de Perez mandar ver no groove, predicado necessário a qualquer baixista, Ron nos brinda com um solo de tirar o fôlego. Os solos arrasadores, aliás, continuam em Words for Nerds, que tem a cozinha formada por Ray Riendeau (baixo, ex-Halford) e David Penna (bateria, Static), o tecladista David Bagsby (Xen) brilhando em duelos e um solo de baixo fretless de Michael Manrig, num dos momentos mais bonitos do disco.
Uma das mais esquisitas de Ink Compatible, a ótima Melissa's Friend encaixou-se perfeitamente na voz de Daniel Gildenlow, líder do ótimo Pain of Salvation. A excelente Read Me - com Doug Keyser (Watchtower) no baixo e Penna novamente nas baquetas - apresenta passagens clássicas, enquanto Multi-Masking é outro grande destaque com os duelos de Ron com Johansson e Jimmy Pitts (The Fractured Dimension) nos teclados. Em In Memory of..., o baixista Sean Malone retribuiu a participação de Ron no primeiro disco de seu Gordian Knot, contribuindo para um instrumental sensacional. A faixa é uma quase balada e, digamos assim, a mair normal de todas.
A Chaotic Realization of Nothing Yet Misunderstood é uma pérola de 12min11s, com a maior influência de rock progressivo (tradicional) em todo o disco. É intrincada, complexa e admirável como todas as outras, trazendo um recurso utilziado com maestria pelos músicos - mudar o andamento acelerando e dimuindo o ritmo da música. Além disso, traz Jeff Eber (Dysrhythmia) na bateria e nada mais, nada menos que Marty Friedman (ex-Megadeth) colocando um belo solo.
Composta para ser trilha de uma animação com um rato, a curta e frenética The Cereal Mouse parece ter saído de um disco de Steve Vai, mas é simplesmente mais um exemplo da influência de Zappa no Spastic Ink. Come bem disse Mike Portnoy, batera do Dream Theater, no release: "Preparem-se para ter seus cérebros derretidos". Ink Compatible é arrasador!
Nota: 9,5
Site: www.spasticink.com
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