Resenha - Zero e Um - Dead Fish
Por Raphael Crespo
Postado em 11 de maio de 2004
Desconhecidos do grande público, mas enormes no underground nacional, os capixabas do Dead Fish chegam a seu quarto CD de inéditas com um trabalho completamente profissional e muito bem produzido, que, do alto de sua maturidade de 13 anos de estrada, credencia a banda a um lugar de destaque no cenário do rock brasileiro. Ao contrário dos três primeiros e do CD Ao vivo lançado em 2002, todos bancados pela própria banda, Zero e um, tem o respaldo da gravadora Deck Disc e até mesmo uma mixagem internacional, feita pelo renomado Ryan Greene, que já trabalhou em discos de bandas importantes do hardcore mundial, como NoFX e Sick of it All.

Com seu punk rock melódico com toques de hardcores, o Dead Fish bota no chinelo o CPM 22, novos queridinhos das adolescentes pseudo-revoltadas e crentes que são punk rock. Para começo e fim de conversa, a banda tem letras inteligentes e não se resume a baboseiras românticas, como o bom e velho estilo criado por Ramones e Sex Pistols deve ser. E a grande diferença está aí.
Zero e um é composto de 14 músicas, uma pancada atrás da outra, além de uma faixa interativa, com o clipe da faixa-título, e um vídeo com a banda e o produtor do CD, Rafael ''ex-Baba Cósmica'' Ramos, falando sobre o processo de produção e as músicas. O som está de primeira, assim como o visual do CD. Alyand (baixo e voz) Hóspede (guitarra), Nô (bateria), Philippe (guitarra e voz) e Rodrigo (voz) apresentam uma segurança enorme em suas composições, com muito peso nas guitarras, uma cozinha competente e vocais nervosos, como o punk rock deve ser.
Logo de cara, Zero e um é a música que mais salta aos ouvidos, com uma bateria veloz e uma letra super interessante, que fala da relação do homem com o progresso da tecnologia. O próprio título se refere ao código binário, que é a linguagem mais básica e fundamental para o funcionamento de um computador. Queda livre, com o refrão ''Você é covarde demais!'', é outra que se destaca. Senhor, seu troco e Desencontros são as faixas arrasa-quarteirão, rápidas, pesadas e rasteiras, ao ponto que Você diminuiu um pouco o ritmo, mas sem deixar o pique cair. Enfim, é um disco de punk rock honesto, enérgico, de uma banda que, há muito tempo, já está merecendo um bom lugar ao sol.
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