Resenha - Elephant - White Stripes

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Por André Melo (Disconneted)
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Nota: 9


Sabe aquela hora em que você decide que vai montar uma banda e sai à procura de gente que tenha uma certa afinidade musical com você. Pois é, complicado encontrar alguém que tenha os mesmos interesses, expectativas e pretenções. Certa vez, em Detroit, um cara chamado Jack encontrou uma menina chamada Meg e achou que para ele aquilo bastava. Juntou sua guitarra desesperada com a bateria infantil da garota e chamou tudo aquilo de... Rock'n'roll!

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O White Stripes faz parte da nova tendência do rock de reciclar tudo o que foi feito de bom (ou não) por grupos dos anos 60 e 70. Junto a eles, outras boas bandas têm feito coisas interessantes nesse sentido, caso do Darkness, Kings of Leon, Hellacopters, Vines, Hives, Strokes e mais alguns outros, cada um na sua linha. Até mesmo os mineiros do Skank têm se apoiado nessa grande época do rock mundial.

Elephant é o quarto álbum dos Stripes e os mostra mais maduros, mas não menos dispostos a arriscar. Na verdade, a fórmula é bem simples, com canções fortemente calcadas no blues, muitas letras mais declamadas do que cantadas e um garage rock despreocupado e espontâneo.

A primeira faixa é também o primeiro single do disco. Seven Nation Army faturou tudo o que merecia e o que não merecia ganhar no ano passado, talvez até por ser bem diferente de tudo o que se pode ouvir nas FMs de hoje em dia. Tem seus méritos. Uma grande linha de baixo, embora não se encontre referência de algum baixista na gravação do disco, a guitarra se esgoelando de tanto gritar e o bumbo-caixa-bumbo-caixa da Meg. Soa simples, mas cheia de estilo!

A forte e barulhenta guitarra de Jack se espalha pelo disco todo. Black Math possui momentos em que o instrumento soa como um trem descontrolado e um solo que parece uma sirene de ambulância. Dificil é encontrá-la limpa e sem distorção. Quem faz esse papel mais suave no álbum é o mesmo Jack White, só que tocando piano.

A única musica que não é de autoria do cara é a ótima I Just Don't Know What to do With Myself, cover de Burt Bacharach. Composta pelo próprio em parceiria com H. David, pode até soar como uma música calminha, mas na verdade é mais do que rebelde. Para quem não sabe, seu video clip foi dirigido pela indicada ao Oscar Sofia Coppola.

Dando um toque mais romântico ao disco, In the Cold, Cold Night tem Meg nos vocais, se declarando para um cara qualquer. Depois é a vez de Jack dar conselhos também a um cara qualquer com a bela You've Got Her in Your Pocket - quem sabe não seria o mesmo para quem Meg cantava na outra faixa. Mas a melodia mais bonita entre todas as 14 faixas está em I Want to be the Boy to Warm Your Mother's Heart, que com um tremendo de um sotaque caipira acaba lembrando muito o grande Bob Dylan, influência direta dos Stripes.

Daí para frente, a veia blues da dupla pulsa com maior intensidade. Ball and Biscuit é o maior exemplo disso. E depois o som de garagem ganha mais força com The Hardest Button to Button e Little Acorns. Toda a correria de Hypnotize e de Girl, You Have No Faith in Medicine parece uma releitura do álbum que projetou o White Stripes, o bem-feito De Stijl, além de as duas músicas parecerem ter saído diretamente da virada dos anos 60 para os 70.

Continuando com o clima vantage, The Air Near My Finger poderia muito bem estar em algum bolachão do Status Quo, com seu solo psicodélico com base num órgão bem cru. E para fechar, Well It's True That We Love One Another mostra Jack, Meg e a voz esganiçada de Holly Golightly trocando palavras de carinho. É muito amor para dar. No encarte, a banda faz questão de dizer que não usou nenhum computador na gravação e nas demais fases de produção do disco. Pois é, a bateria pode ser tosca, mas os caras têm atitude, virtude pouco encontrada no rock atual. E o rock'n'roll é ou não é atitude?




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