Resenha - First Rays Of The New Rising Sun - Jimi Hendrix

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Por Ricardo
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Durante toda sua vida, Jimi Hendrix sempre foi obstinado por encontrar o momento certo de se encaixar uma nota, de procurar dar o máximo de si para que seu som soasse sincero, autêntico, inovador. Bem, digamos que dessa vez, o tempo não foi o grande amigo desse gênio da guitarra, tendo-o levado de nós prematuramente. Mas não sem antes deixar quase tudo registrado do que viria a ser seu último trabalho de estúdio, agora com o Band Of Gipsies (Jimi Hendrix, Billy Cox e Mich Mitchell).

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Infelizmente, com sua morte em setembro de 1970, esse material ficou engavetado por tempo indeterminado, tendo somente sido tocadas algumas músicas dele nos últimos festivais em que Hendrix participou, incluíndo o célebre festival da Isle Of Wight, em 1970. Em 1997, porém, a meia irmã de Jimi, que protege com unhas e dentes o seu legado resolve chamar velhos amigos de Jimi, desengavetar essas pérolas e disponibilizá-las aos fãs como um disco póstumo.

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O título do álbum, foi mantido, o mesmo que Hendrix havia escolhido. Porém, faltava alguma coisa. Uns overdubs aqui, outros alí, uma reedição para o formato digital e pronto! First Rays Of The New Rising Sun é lançado. As músicas de Hendrix são maravilhosas, como sempre, porém os fãs se dividiram em dois grupos: os que aceitaram o novo material sem grandes problemas (pode me incluir aí!), e os que sentiram repúdio em ver um material feito por Hendrix overdubbeado. Alguns consideraram sacrilégio o que foi feito com as músicas, incluíndo o lançamento deste material sem saber se hendrix o aprovaria. Bem, como saber? Alguém conhece uma boa médium? :))

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Bem, mas conflitos a parte, uma coisa deve ser considerada: o disco é maravilhoso! Aliás como não deveria deixar de ser, vindo de Hendrix! Não é conceitual como Electric Ladyland, tampouco parecido com Are You Experienced ou Axis Bold As Love, mas maravilhoso.

"Freedom" já inicia com não só Jimi gritando pela liberdade, como também seus companheiros de banda e sua guitarra inconfundível! "Izabella" mantém o mesmo pique, com solos alucinantes de Hendrix, e uma bateria bem marcada de Mitchell. A seguir temos "Night Bird Flying", com Hendrix mais uma vez mostrando porque é considerado um dos maiores guitarristas do planeta! Solos muito be encaixados na melodia, feeling, uma boa batida, enfim, um ótimo som.

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Depois, segue com a bela "Angel", uma de suas mais belas composições, na minha opinião, ficando só atrás de "Little Wing", e um final meio fora dos padrões, onde se tem a idéia de um trem partindo. Segue com a excelente "Room Full Of Mirrors", com um solo introdutório surreal de Hendrix, um efeito bem espacial, afinal, espaço é um termo que não existe na música de Hendrix. Sua música literalmente transcende espaço e tempo, sendo por isso sempre atual. O tal efeito espacial criado por Hendrix é algo bem similar ao que Joe satriani faz em "The Power Cosmic", em sua guitarra. Simplesmente transcedental!

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A seguir, temos a ótima "Dolly Dagger", um som bem dançante e funkeado, com a assinatura guitarrística de Hendrix. Um pouco de peso, acrescentado ao poderoso baixo de Billy Cox e temos a excelente "Ezy Ryder". Aqui, Hendrix esconde um pouco sua poderosa voz, porém o impacto não perde o efeito, e ele segue impressionando na guitarra com um riff contagiante e um solo matador e viajante!

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"Drifting" é outra bela canção, com Hendrix melhor do que nunca no vocal. Outro solo viajante do mestre, que chega a arrepiar de tão maravilhoso.

A seguir, vem "Beginnings", o mesmo som que ele tocou no festival de Woodstock, entitulado "Jam Back At The House", um verdadeiro show, e uma aula de feeling, inspiração e improviso. Uma jam instrumental impressionante, onde Hendrix se supera em algo quase beirando o progressivo!!

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A seguir, um som que eu considero como um dos melhores de Hendrix! "Stepping Stone" já entra quebrando tudo, com sua batida super contagiante, um blues rock forte, poderoso, Jimi soando mais pesado do que nunca, sem nunca perder o feeling, e mais um show de guitarra do mestre!! É um som pra levantar até defunto.

Após essa porrada na orelha, Hendrix nos brinda novamente com um blues cheio de feeling, "My Friend", que arranca lágrimas dos olhos, com direito a gaita, bem naquele clima de bar! Feche os olhos e se imagine no melhor Saloon do Oeste!

"Straight Ahead" parece com uma continuação de "Freedom" e "Night Bird Flying".

O que vem a seguir é a mais bela música do disco, "Hey Baby (New Rising Sun)", onde Hendrix transborda feeling e ao mesmo tempo emociona com uma interpretação super inspirada!

A seguir, temos "Earth Blues, que segue o mesmo esquema de "Freedom" e das outras, porém com um backing vocal.

A próxima música, tem um título que tem tudo a ver com Hendrix, "Astro Man", um som espacial e fora dos padrões, apesar dele usar a mesma escala pentatônica.

"In From The Storm", um ótimo som, mostra mais uma vez a maestria de Hendrix em variar ritmos, e sua genialidade infinita, com mais uma viagem transcedental em sua guitarra.

"Belly Button Window" fecha o disco com chave de ouro, com um ótimo slow blues cheio de feeling.

Um trabalho póstumo magnífico de um dos caras que mais faz falta no rock, principalmente nesses tempos bicudos, cheios de artistas falsos e sem nenhum caráter. Para todos aqueles que querem apreciar as maravilhas que esse cara criou, que querem saber de onde vêm tantas influências dos artistas mais novos, aprender a tocar guitarra com o máximo de feeling, ou simplesmente escutar boa música, vão atrás desse fantástico disco de um dos maiores mestres da guitarra de todos os tempos.

Fly, Jimi. Fly on through the sky, my dear friend, 'cause you're the most shining star to kiss the sky...

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