Resenha - Let It Be - Naked - Beatles

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Por Anderson Nascimento
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Após anos de espera por algum lançamento das cansativas sessões do projeto "Get Back", que se tornaria "Let It Be" um ano depois, eis que finalmente temos alguma coisa desta época. Mas não deu, nem de longe, pra matar a vontade de ter oficializada a nata deste período. Aqui vai então um grande conselho, senhoras e senhores, continuem a preservar os seus bootlegs com muito carinho, pois novamente os organizadores deixaram a desejar.
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O "novo" álbum dos Beatles não poderia ter um nome melhor: "Let It Be... Naked". O novo cd é nu em tudo, nu de encarte, nu de fotos, nu de capa. A arte do álbum não poderia ser pior. A capa é feia, de mau gosto, parece ter sido criada por um iniciante em software de tratamento de imagens... os Beatles em raio-x... ora vejam só que falta de criatividade.

O encarte, além de ser todo em Inglês, como já estamos acostumados a ver, traz uma longa entrevista e as poucas fotos que estão encartadas são em preto e branco. Além disso, talvez este seja o principal defeito do mesmo, este encarte não traz absolutamente nenhuma informação sobre as gravações das faixas que estão no álbum.

A nossa sorte é que quando pomos o cd para ouvir, ouvimos os Beatles, que por si só já garantem a nossa satisfação. Percebe-se sim muita diferença entre esse álbum e o velho "Let It Be" que conhecemos. A diferença é muito palpável, principalmente para os fãs mais experientes. Para os mais recentes, as diferenças ficarão claras ao som de "Let It Be" e "The Long and Winding Road", além, é claro, das supressões de "Dig It" e "Maggie Mae" e da inclusão de "Don't Let Me Down".

Contudo "Let it Be... Naked" é um álbum, completamente novo. As mixagens (colagens?) são bem diferentes do álbum original, mas o que entristece é que este poderia ser muito melhor. Um grande detalhe porém deve ser levado em conta: o som do álbum é maravilhoso, pode-se ouvir as vozes com clareza, o instrumental está muito bom, e as versões novas de "Let It Be" e "The Long and Winding Road" são bonitas de doer!

Já o cd bônus que vinha sendo esperado avidamente é uma lástima. Venderam a idéia de que traria uma nova versão de "Imagine" tocada pelos Beatles, quando na verdade essa versão são 18 segundos de John ao piano. Além disso o cd traz 21 minutos em faixa única de trechos de músicas e conversas dos Fab Four. Serviu apenas para duas coisas: encarecer ainda mais o lançamento e mostrar a todos que é inesgotável a quantidade do material inédito que ainda existe dos Beatles. Por que tiveram que encravar esse contra-peso no novo lançamento? Seria muito mais bonito, atrativo, e decepcionaria menos se o álbum fosse simples!

Parece hilário, mas neste caso, sinto falta de Yoko Ono, tendo em vista que o trabalho que ela vem fazendo com os álbuns de John Lennon é fortemente plausível, sempre trazendo bônus tracks de verdade, fotos inéditas, cópias de manuscitos e vários outros ítens que deixam qualquer um feliz ao comprar um álbum remasterizado de John Lennon.

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Sobre Anderson Nascimento

Anderson Nascimento é Analista de Sistema e Professor Universitário de profissão, tendo cursado Pós-Graduação em Análise, Projeto e Gerência de Sistemas na PUC-RJ. Sua grande paixão é a música, começou a colecionar discos ainda na época do vinil, em 1986, com o álbum Abbey Road dos Beatles. Esse foi o primeiro passo para esse hobby que viria a se tornar tão importante em sua vida. Entre as várias atividades no meio musical, Anderson é compositor e integrou a banda de rock Projeto:Paradoxo entre 1996 e 2004. Anderson é um ávido colecionador de discos e também escreveu sobre música em vários veículos de comunicação. Atualmente é editor do site carioca Galeria Musical.

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