Resenha - Metal Discharge - Destruction
Por Raphael Crespo
Postado em 28 de dezembro de 2003
Texto originalmente publicado no
JB Online e no Blog Reviews & Textos.
Em 1999, exatos dez anos após sua separação, o Destruction protagonizou um dos retornos mais esperados dentro do cenário do heavy metal, com shows gloriosos nos festivais europeus Bang Your Head, With Full Force e Wacken Open Air. Hoje, depois dos ótimos All hell breaks loose (2000) e The Antichrist (2001), os cultuados alemães lançam Metal discharge, o melhor álbum da banda depois da retomada. Thrash metal na veia e sem firulas, com um petardo atrás do outro.

O Destruction surgiu na época mais fértil para o som pesado nos anos 80, quando algumas bandas começaram a misturar o heavy metal com elementos do punk e do hardcore, dando forma ao thrash, um estilo bem mais rápido e pesado. Os dois principais expoentes eram os Estados Unidos - com bandas como Metallica, Exodus, Testament, Anthrax e Slayer - e a Alemanha, com a trinca Kreator, Sodom e o Destruction. Criado em 1983, na cidade alemã de Weil am Rhein, o grupo era formada por Schmier (baixo e vocal), Mike (guitarra) e Tommy (bateria). Apenas três membros, mas que faziam uma barulheira dos infernos. Com essa formação, foram gravados os discos Sentence Of death (1984), Infernal overkill (1985) e Eternal devastation (1986).
No trabalho seguinte, o clássico Mad Butcher (1987), Tommy deu lugar a Olly na bateria e a banda virou um quarteto, com a entrada do guitarrista Harry. Depois do discutido Release from agony (1988) e do ''ao vivo'' Live without sense, do mesmo ano, o líder Schmier deixou a banda durante as gravações de Cracked brain (1989), que tem os vocais de André (Poltergeist). Mike e Olly seguiram com o Destruction e lançaram três trabalhos que sequer entram na discografia oficial, que pula de Cracked brain para All hell breaks loose.
Metal discharge marca a volta do Destruction às origens, com músicas que poderiam fazer parte dos discos clássicos dos anos 80, honrando o thrash metal alemão daquela longínqua época. Os dois primeiros álbuns depois da volta são muito bons, mas, em comparação ao novo trabalho, parecem uma espécie de aquecimento para a retomada da pancadaria pura e explícita de Metal discharge, que tem músicas mais curtas, riffs e mais riffs e o vocal rasgado de Schmier. A banda, novamente um trio, conta ainda com Mike na guitarra e Marc Reign na bateria.
As faixas que mais se destacam são Desecrators of the new age, Mortal remains, Savage symphony of terror, além da faixa-título. Made to be broken tem uns toques de modernidade que, em muitos momentos, principalmente no riff de guitarra, lembram o Pantera, o que não chega a ser ''traição'' nenhuma aos fãs mais radicais, que esperam o thrash do início ao fim, estilo que consagrou o Destruction.
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