Resenha - Diamond Dogs - David Bowie
Por Guilherme Rodrigues
Postado em 18 de outubro de 2002
Diamond dogs é um trabalho que mostra Bowie, redundância, em nova fase de transição. Ele já tinha visitado os mods na Swinging London de 1967, o folk lisérgico em "Space Oddity" (1969), o hard rock em "Man who sold the world" (1970), tinha forjado a persona Ziggy Stardust e vários discos antológicos (vide "Hunky Dory", "Ziggy Stardust" e "Alladin Sane"), e ajudado, ainda, a cristalizar o gênero (???) que ficou na história com o nome de glam rock.
David Bowie - Mais Novidades
Em fins de 1973, meio de saco cheio com toda a badalação criada em torno de Ziggy, que, diga-se, tomava mais vulto que sua própria música, Bowie se despede da Spiders From Mars (Banda que o acompanhava desde 1970), mas ainda encarna o andrógino no disco "Pin Ups", no qual presta tributo às suas influências. Anuncia, entretanto, em shows, que era para breve a última aparição da persona.
1974 abre com Bowie definindo o projeto que tentaria tirá-lo da arapuca Ziggy e que mostrava o desejo de direcionar sua inspiração apenas àquilo que melhor sabia fazer: compor e interpretar, sem rotulações e teatrinhos baratos. O projeto se chamava "Diamond Dogs" e era calcado em "1984", livro de George Orwell que tratava de um suposto (hoje, sabemos, nem tão suposto) futuro em que tudo e todos eram vigiados pelo tal Big Brother (desnecessário maiores explicações).
Um disco conceitual calcado em uma obra sombria. Certamente uma aposta alta para a esfuziante cena rock de 1974, dominada pelo energético hard do Purple, pelo etéreo som do Zep, pelo soft rock do America e do Steely Dan e pelo power pop do Big Star e do Badfinger.
Mas Bowie tinha cartuchos para queimar e apostou tudo em "Diamond Dogs". A imprensa desceu a lenha no disco, chamando-o de pretensioso, depressivo, esparso, inócuo e outros adjetivos menos nobres, criticando, ainda, Bowie por não ter coragem suficiente para se desvincular totalmente da persona Ziggy (vide a capa do disco).
Ok, Bowie realmente não se desvinculou totalmente da androginia (se por motivos comerciais ou não, não vem ao caso), e tomar a si a tarefa de fazer um disco baseado na obra de Orwell era realmente um trabalho pretensioso que acabou por gerar uma obra conceitualmente esparsa... mas... e daí? Quase trinta anos depois, 2002, tempos em que reina a megalomania dos Liam Gallaghers e Eddie Vedders, é inevitável a conclusão: Bowie podia ser pretensioso! E se o lado "conceitual" do disco não ficou tão bem resolvido por David quanto se esperava, a música explode num amálgama de rock and roll, white soul e até mesmo toques de disco music, mais experimentações, wall of sounds e melodias ("Sweet Thing" e "1984"), vocais ("Big Brother"), riffs ("Rebel Rebel") e letras inesquecíveis.
Como toda obra-prima, o disco não somente suporta o teste do tempo (apesar da temática paradoxalmente datada/atual), como soa melhor a cada vez que é ouvido... e eu imagino o que os críticos da época, ainda vivos e com os espíritos desarmados por anos seguidos de mediocridades pop, dizem atualmente de "Diamond Dogs"...
Enfim, Diamond Dogs pode não ser o melhor ponto de partida para conhecer a obra de Bowie (as coletâneas "ChangesBowie", "Best of 1969/1974" e "1974/1979" são uma boa opção para o ouvinte casual ou iniciante), mas certamente é um dos discos essenciais da carreira do camaleão e dos 70s num nível mais amplo.
Imperdível.
Obs.: A remasterização e remixagem feitas pela Ryko melhoraram em muito a qualidade da gravação original, e a adição de versões demo das canções "Dodo" e "Candidate" são um atrativo a mais.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Mastodon oficializa nova formação, que conta com músico brasileiro
Nicko McBrain surpreende ao eleger os álbuns do Iron Maiden do pior ao melhor
A banda que bateu um recorde dos Beatles e afundou em poucos anos
Mike Browning, baterista e vocalista original do Morbid Angel, morre aos 62 anos
A música do AC/DC que Angus Young escolheu como sua favorita na guitarra
Ex-baterista do Guns N' Roses fala sobre o Axl Rose que a maioria não conhece
Novo vídeo mostra como está Mingau quase três anos após o tiro na cabeça
A opinião de Steve Harris, do Iron Maiden, sobre o The Darkness
Iron Maiden transforma primeiro festival próprio em celebração monumental de 50 anos
O show do Guns N' Roses que foi rejeitado por Slash; "Eu me recuso a ver"
O disco de 1983 que Dave Grohl sabe tocar de cor e salteado; "Conheço cada virada de bateria"
O que diabos significa "SPLAT!", título do novo álbum do Deep Purple, segundo Roger Glover
Mick Jagger não vê nada de bom em envelhecer, mas admite uma vantagem inesperada
Steve Harris, do Iron Maiden, quer fazer shows até o fim da vida
Existe alguma banda melhor que o Iron Maiden ao vivo? Steve Harris e Bruce Dickinson respondem

A trairagem de David Bowie que lhe rendeu uma marca perfeita para a fama
O artista que Bono considera responsável pela verdadeira estética do punk rock
Os 100 melhores álbuns da década de 1980, em lista da Classic Rock
Tributo a Syd Barrett une Pink Floyd, David Bowie, Violeta de Outono e John Paul Jones
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos


