Resenha - Diamond Dogs - David Bowie

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Por Guilherme Rodrigues
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Diamond dogs é um trabalho que mostra Bowie, redundância, em nova fase de transição. Ele já tinha visitado os mods na Swinging London de 1967, o folk lisérgico em "Space Oddity" (1969), o hard rock em "Man who sold the world" (1970), tinha forjado a persona Ziggy Stardust e vários discos antológicos (vide "Hunky Dory", "Ziggy Stardust" e "Alladin Sane"), e ajudado, ainda, a cristalizar o gênero (???) que ficou na história com o nome de glam rock.

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Em fins de 1973, meio de saco cheio com toda a badalação criada em torno de Ziggy, que, diga-se, tomava mais vulto que sua própria música, Bowie se despede da Spiders From Mars (Banda que o acompanhava desde 1970), mas ainda encarna o andrógino no disco "Pin Ups", no qual presta tributo às suas influências. Anuncia, entretanto, em shows, que era para breve a última aparição da persona.

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1974 abre com Bowie definindo o projeto que tentaria tirá-lo da arapuca Ziggy e que mostrava o desejo de direcionar sua inspiração apenas àquilo que melhor sabia fazer: compor e interpretar, sem rotulações e teatrinhos baratos. O projeto se chamava "Diamond Dogs" e era calcado em "1984", livro de George Orwell que tratava de um suposto (hoje, sabemos, nem tão suposto) futuro em que tudo e todos eram vigiados pelo tal Big Brother (desnecessário maiores explicações).

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Um disco conceitual calcado em uma obra sombria. Certamente uma aposta alta para a esfuziante cena rock de 1974, dominada pelo energético hard do Purple, pelo etéreo som do Zep, pelo soft rock do America e do Steely Dan e pelo power pop do Big Star e do Badfinger.

Mas Bowie tinha cartuchos para queimar e apostou tudo em "Diamond Dogs". A imprensa desceu a lenha no disco, chamando-o de pretensioso, depressivo, esparso, inócuo e outros adjetivos menos nobres, criticando, ainda, Bowie por não ter coragem suficiente para se desvincular totalmente da persona Ziggy (vide a capa do disco).

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Ok, Bowie realmente não se desvinculou totalmente da androginia (se por motivos comerciais ou não, não vem ao caso), e tomar a si a tarefa de fazer um disco baseado na obra de Orwell era realmente um trabalho pretensioso que acabou por gerar uma obra conceitualmente esparsa... mas... e daí? Quase trinta anos depois, 2002, tempos em que reina a megalomania dos Liam Gallaghers e Eddie Vedders, é inevitável a conclusão: Bowie podia ser pretensioso! E se o lado "conceitual" do disco não ficou tão bem resolvido por David quanto se esperava, a música explode num amálgama de rock and roll, white soul e até mesmo toques de disco music, mais experimentações, wall of sounds e melodias ("Sweet Thing" e "1984"), vocais ("Big Brother"), riffs ("Rebel Rebel") e letras inesquecíveis.

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Como toda obra-prima, o disco não somente suporta o teste do tempo (apesar da temática paradoxalmente datada/atual), como soa melhor a cada vez que é ouvido... e eu imagino o que os críticos da época, ainda vivos e com os espíritos desarmados por anos seguidos de mediocridades pop, dizem atualmente de "Diamond Dogs"...

Enfim, Diamond Dogs pode não ser o melhor ponto de partida para conhecer a obra de Bowie (as coletâneas "ChangesBowie", "Best of 1969/1974" e "1974/1979" são uma boa opção para o ouvinte casual ou iniciante), mas certamente é um dos discos essenciais da carreira do camaleão e dos 70s num nível mais amplo.

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Imperdível.

Obs.: A remasterização e remixagem feitas pela Ryko melhoraram em muito a qualidade da gravação original, e a adição de versões demo das canções "Dodo" e "Candidate" são um atrativo a mais.

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