Resenha - Rocks - Aerosmith

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Vinícius Almeida Gomes
Enviar correções  |  Ver Acessos

Um belo dia, estava eu me deliciando ao som de "Machine Head", clássico absoluto do Deep Purple, e viajando pelo delicioso mundo do rock'n'roll atráves da leitura da Discografia Básica aqui mesmo no Whiplash, quando me dei conta de que algo faltava ali: onde estavam os discos daquela banda... aquela que um dia ousou "imitar" os Rolling Stones (que maldade! só porque o andrógino vocalista tinha a boca daquele tamanho?), mas que logo no início da sua carreira mostrou que tinha personalidade própria, e que vinha ao mundo para escrever seu nome na parede do rock?

Keith Richards: colocando Justin Bieber em seu devido lugarPink Floyd: The Wall é uma obra de arte conceitual

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Quando me dei conta disso, corri para minha caixa postal para escrever uma máteria, descompromissada, para a redação! E a minha surpresa foi a resposta "... embora bem escrita, sua matéria está muito curta para publicarmos no Whiplash..." Sim! Eu tinha a chance de deixar meu nome lá, e o melhor, de levar o ROCKS a outras pessoas, para que elas possam ter o mesmo prazer que eu tive, quando ouvi ROCKS pela primeira vez ... uau!

Então caros amigos, aqui estou eu, para introduzir o Aerosmith e sua obra mais fantástica na "Discografia Básica" do Whiplash.

Porém eu não tinha muitas histórias pra contar... minha relação de amor com o disco, etc e tal... como me senti quando o ouvi pela primeira vez em 1976... Não, nada disso. O pirralho ainda nem pensara em nascer em 1976. A primeira vez que botei o vinil (cd) na agulha (no laser), foi em 1999, e,
minha nossa, quase cai da cadeira quando os primeiros acordes de "Back in the Saddle" entraram cabeça adentro!

Depois de 6 anos de estrada e 3 discos lançados, o Aerosmith estava no ápice musical de sua carreira. Quando o disco ROCKS foi lançado, foi recebido com atenção pela crítica americana, afinal o disco anterior, TOYS IN THE ATTIC (1975) já havia feito um estardalhaço no país com petardos como "Sweet Emotion" e "Walk this Way" (um dos riffs de guitarra mais marcantes da história). E logo todos perceberam que ROCKS era a pérola definitiva da banda. O disco era sólido, marcante e pesado.

Logo no início, Joe Perry faz a guitarra cavalgar no melhor estilo velho-oeste em "Back in the Saddle", a marcação pesada da bateria de Joey Kramer permite que Brad Whitford e Tom Hamilton mantenham um ritmo forte para que Perry e seus riffs mantenham você preso num pesadelo de cowboy, onde somos acordados sob a voz de Steven Tyler que berra maravilhosamente em seu final.

Saindo do clima "Texas", a seguir um outro clássico ... quando a introdução nos ameaça aquela balada, de repente ouve-se como um trovão o baixo de Tom Hamilton, numa deliciosa batida funkeada. Sim, eis que surge "Last Child" a maravilhosa canção que faz com que suas pernas saiam dançando
sem lhe dar satisfações. Quem brilha aqui é Brad Whitford.

Agora é vez do corpo todo se mexer... a heavy-punk "Rats in the Cellar", a terceira faixa do disco, entra na sua mente sem pedir licença. A sirene policial que se ouve no início poderia facilmente ser trocada pela de uma ambulância, dada a
insanidade da música. "Rats in the Cellar" é uma canção suja e veloz que retrata os tempos de pobreza em NYC (qualquer semelhança de "You're Crazy" do Guns'n'Roses com essa música não é mera coincidencia, Slash declarou "Rocks" um dos discos que mudou sua vida).

Após esse tapa no ouvido, o que se ouve é "Combination", que pode lhe trazer uma vaga lembrança dos Rolling Stones, escrita por Joe Perry, esse música é mais 'alternativa' do disco e fecha o lado A com suas guitarras flamejantes, uma música onde você fecha os olhos e viaja... morria aqui o lado A da bolacha.

"Sick as a Dog" é a música mais experimental do disco, onde os integrantes chegam a trocar de intrumentos. Joe Perry toca baixo, Tom Hamilton assume a guitarra base e Brad Whitford detona na solo. No final (depois daquela paradinha no dedilhado), Steven Tyler assume o baixo e Joe Perry retoma seu lugar pra um final com 3 guitarras... êxtase! Tornou-se um clássico underground da banda.

Falando em clássico ... quem não naum conhece certamente irá levar um susto quando ouvir "Nobody's Fault". Depois de uma
introdução misteriosa e quase insonora, ouve-se uma paulada ! É aí que o inferno começa, essa é uma das músicas mais pesadas da banda. Uma paulada que fala sobre um sentimento de culpa, Joe Perry esbanja vigor e harmoniosidade enquanto Brad Whithford dá tanto peso como se o culpado por algo fosse ele e Joey Kramer espanca todos os pratos da bateria. Mais um vez
o vocal maravilhoso de Steven Tyler deixa o carimbo do Aerosmith.

A sétima faixa é "Get the Lead out". Uma batida mista de swing e peso hard-rock, onde Tom Hamilton dá mais uma mostra do peso de seu contra-baixo.

No lado B a hora de dançar é quando começa "Lick and Promise". Oh Deus! Seu rádio vai sair pulando, sua cabeça vai fazer movimentos involuntários para cima e para baixo, sua mãe vai lhe perguntar "Que artista é esse?" ... sim essa é "Lick and Promise", um boogie-hard rock que arrepia, uma música que parece ter sido crida a bordo de uma montanho russa. Energia pura, mr.Tyler!

Quando os ouvidos já ameaçam sangrar, e você quer repetir tudo, mas sabe que não irá lhe fazer bem, surge o remédio: uma balada! Claro, uma balada! "Home Tonight" é uma rock-ballad das boas, faz o papel que "You See me Crying" fez no disco anterior. Porém, mais direta, é também onde Joe Perry mais uma vez se deleita preenchendo o vazio do seu coração
com riffs harmoniosos...

Infelizmente o disco acaba!

Isso é ROCKS, o disco definitivo do Aerosmith. Onde ele entra, pode ter certeza que não sai. Definitivamente em qualquer lista de Hard/Heavy que se preze. Fico imaginando Steven Tyler e Joe Perry completamente afundados nas
drogas e compondo seu melhor álbum. Coisas da vida... foi nesse época que eles ganharam o apelido de Toxic Twins.
Bons tempos aqueles ...


Outras resenhas de Rocks - Aerosmith

Aerosmith: um álbum completo que mostra a banda em seu ápice




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Aerosmith"


Memoráveis como a música: os 25 melhores logos de bandasMemoráveis como a música
Os 25 melhores logos de bandas

USA Today: as 20 maiores bandas de todos os tempos nos EUAUSA Today
As 20 maiores bandas de todos os tempos nos EUA


Keith Richards: colocando Justin Bieber em seu devido lugarKeith Richards
Colocando Justin Bieber em seu devido lugar

Pink Floyd: The Wall é uma obra de arte conceitualPink Floyd
The Wall é uma obra de arte conceitual


Sobre Vinícius Almeida Gomes

Paulistano apaixonado por futebol e rock'n'roll. São-Paulino doente desde que se entende por gente, rocker desde que ganhou o disco "Led II" de um tio no Natal de 1998. Adepto do classic rock, deve muito ao Aerosmith, Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Iron Maiden, Megadeth, Stevie Ray Vaughan, The Rolling Stones, Pink Floyd, Rush, The Joe Perry Project entre outros dinossauros, além dos conterrâneos Titãs, Raul Seixas, Ira!, Mutantes, Secos e Molhados e Sepultura. Baixista amador, tocou em bandas covers na noite paulistana mas continua arranhando o baixão em casa.

Mais matérias de Vinícius Almeida Gomes no Whiplash.Net.

adGoo336