Resenha - Slaughter Prophecy - Sacred Steel

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Por Leandro Testa
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Das cinzas da banda progressiva Variety of Arts, surgiu em 1994 o Tragedy Divine, que, com contrato assinado com a T&T/Noise Records, lançou um único álbum, apresentando um som um pouco menos complicado, ou seja, mais direto que da primeira investida. Não obstante, o vocalista Gerrit P.Mutz e o guitarrista Jörg M.Knittel ainda não contentes com a aproximação ‘heavy’ que esta lhes forneceu, logo resolveram voltar à estaca zero, formando o Sacred Steel, algo que de imediato a gravadora não aprovou, dando-lhes liberdade para serem os pioneiros germânicos no fechamento dum acordo de três lançamentos com a Metal Blade, já que, para a felicidade dos músicos, o representante da unidade européia desta assistiu à apresentação primogênita da nova formação. A proposta então voltada ao Speed/Tradicional gerou no mesmo ano, 1997, a obra inaugural Reborn in Steel, com todos os clichês do True Metal, não deixando os ouvintes esquecerem um minuto sequer de quem são os “verdadeiros” ‘metalheads’ e de que esse mundo é feito de “aço, ferro, ou seja, metal”. A sonoridade relativamente simplória aliada a uma produção nos moldes oitentistas resultou num material tosco para a época, porém simpático, indicado tão somente aos saudosistas. Um ano depois esse fator veio a ser um pouco mais bem cuidado em Wargods of Metal (que lhes rendeu uma indicação ao Grammy), com o produtor ora almejado, cuja especialidade foi de infelizmente manter o clima de nostalgia. Fora isso, evidenciou-se uma estagnação musical, ou melhor, um retrocesso qualitativo nas canções, agravado pelos atributos daquele que detém o microfone, uma espécie de Geoff Tate (Queensryche) parcialmente fanhoso e afetado, com um jeitão Schwarzenegger de se expressar e uns cacoetes a lá Kai Hansen (ex-Helloween) em início de carreira, ao desferir seus gritinhos empolgados (o sujeito canta tão bem quanto posa para as fotos).
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O terceiro esforço, intitulado Bloodlust (disponível em versão nacional pelo selo Rock Brigade/Laser Company), trouxe uma cara mais atual, e consigo uma injeção de peso, que somente fez jus à década de 90 em pleno exercício 2000, sobrepondo-se de todas as maneiras aos empecilhos supracitados, tornando o contexto geral bem mais interessante. Desta forma, a trajetória destes alemães pode se dividir em duas partes iguais, pois os dois ‘plays’ iniciais em muito se assemelham, e Slaughter Prophecy remete diretamente ao seu antecessor, cuja agressividade crescia e veio aqui se solidificar, perpetrando assim o melhor de seus trabalhos, não só em termos de arranjo, timbragem, ‘backing vocals’, como pela bela capa sombria e o ‘picture-disc’ perfeito, mas também pelo fato da voz do dito-cujo manter o bom encaixe à pancadaria aqui presente. Logo após a introdução cinematográfica “The Immortal Curse”, tal detalhe se evidencia na faixa-título, na qual ele abusa da versatilidade adquirida, passando do estilão gutural ao corriqueiro, apenas deslizando quando inventa de encarnar o King Diamond (grande influência) emitindo aqueles falsetes insuportáveis. Tamanha variedade não é de se estranhar, pois além de todos os integrantes serem fãs declarados de diversas categorias metálicas, e os dois citados no início desta resenha fazerem parte de um grupo de Doom, o guitarrista Oliver Großhans incrementou o conjunto de Death Metal de Jörg, My Darkest Hate, que conta ainda com o baterista do Primal Fear, Klaus Sperling, e dois álbuns já registrados, tornando sem efeito quaisquer explicações adicionais.

Portanto, enquanto as coisas se mantêm frescas, tudo caminha conforme o esperado, mas se ela pende para as bases convencionais de antigamente, aí a coisa complica um pouco, como em “Pagan Heart”, que não chega a empolgar, até mesmo por ser a mais curta de todas e conter os revezes supracitados de Gerrit. Ademais, saraivadas de riffs thrash, um atrás do outro, permeiam temas que alternam entre a visão anti-religiosa do próprio (compositor exclusivo das letras, muito “imaginativas”, por sinal) e seu “manual de boas maneiras e costumes para o ‘headbanger’”, ou seja, como se portar, levantar a bandeira metálica, etc... (ouça a cadenciada “Raise the Metal Fist” para visualizar o capítulo 5), sem obviamente descambar para os movimentos direcionais das magníficas bandas de pagode/axé, com os típicos ‘pra frente, pra trás, agora dá uma abaixadinha..., maínha!’.
O épico de nove minutos “Invocation of the Nameless Ones” encerra o CD que marca a estréia com a Massacre Records, e assim lapida a identidade do Sacred Steel, pondo-se mais uma vez em ascensão, da qual espero que escancarem de vez em termos de brutalidade no petardo Iron Blessings, sucessor deste que já se encontra em processo de composição.

Duração – 45:53 (11 faixas)

Site oficial: www.sacredsteel.de

OBS: O formato nacional, bem como em vinil e `digipack` trazem a ‘bonus-track’ “Crush the Holy, Save the Damned” repetitiva, porém de graça, então todos ficamos felizes.

Material cedido por:
Hellion Records – www.hellionrecords.com
Rua 24 de Maio, 62 – Lojas 280 / 282 / 308 – Centro
São Paulo – SP – Brasil
CEP: 01041-900
Tel: (11) 5083-2727 / 5083-9797 / 5539-7415
Fax: (11) 5549-0083
Email: hellion@hellionrecords.com.br

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