Resenha - Under a Pale Grey Sky - Sepultura
Por Rafael Carnovale
Postado em 20 de outubro de 2002
Nota: 10 ![]()
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O ano era 1996. O cd era "Roots". O Sepultura ganhava "status" de superbanda, excursionando pelo mundo,consolidando seu nome como um dos maiores do thrash metal, e dando os primeiros toques em movimentos como o New Metal. A formação ainda contava com Max Cavalera nos vocais e guitarra. Este foi o último show antes da saída de Max, e o que consta é que logo após o término deste concerto é que ocorreram todos os fatos que já foram mais que expostos pela imprensa brasileira e mundial.
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Mas deixando essa parte de lado, vamos ao que interessa: o cd capta o Sepultura em uma de suas melhores fases. Os vocais guturais de Max se completavam com a guitarra "Roto-Rotter" de Andreas e a cozinha poderosíssima de Igor e Paulo Jr. Eles ainda tiveram a manha de colocar a intro "Itsari" para abrir o show, levando a galera ao delírio... e aí é só Max anunciar "Saudações do Terceiro mundo" e a pancadaria começar: "Roots Bloody Roots", "Spit" e a furiosíssima "Territory". O cover de Chico Science "Monólogo ao Pé do Ouvido" soa meio deslocado, mas serve de alívio para o massacre em seguida: "Breed Apart", "Attitude" (com especial carinho de Max), "Cut-Throat". Algumas músicas mais antigas para levar a Brixton Academy ao chão de vez: "Troops of Doom" (como o Sepultura dos primórdios era mais agressivo...) e um medley de "Beneath the Remains" com "Mass Hypnosis". A banda ainda tocaria mais músicas antigas neste primeiro cd, como a clássica "Necromancer", mas esta primeira parte do show privilegiaria as músicas dos cd’s "Roots" e "Chaos A.D" como "Born Stubborn" e "Dusted", também excelentes.... que começo de show.
A segunda parte do show (o segundo cd) mescla mais músicas antigas com novas, como "We Who Are Not as the Others" e "Arise/Dead Embryonic Cells" (um medley que a banda faz até hoje). Ainda sobraria espaço para as potentes "Slave New World", a política "Biotech is Godzilla" e o clássico das antigas "Inner Self". O final do show seria marcado pelos covers já consagrados de "Polícia" dos Titãs (com uma inserção de "Gene Machine/Don’t Bother Me" dos Bad Brains e "We gotta Know", junto com as mais experimentais "Kaiowas", "Rattamahatta". O cover matador de "Orgasmatron" fecha o massacre.
O que falar da banda? Totalmente introsada. O Sepultura dá um show musical,com qualidade excepcional. Max tem total domínio da platéia, e Andreas, Igor e Paulo dão show em seus instrumentos. Nem parece que algumas horas depois, tudo isso mudaria.
Não cometerei o erro de comparar este cd ao Sepultura com Derrick Green e ao Soulfly. São duas bandas diferentes, com planos e objetivos de sucesso. É difícil não enxergar neste cd o cheiro de um caça níqueis, aproveitando que a banda devia um disco a Roadrunner Records. Mas vale a pena, como o fechamento de um ciclo fundamental na história de uma das bandas mais importantes do heavy metal brasileiro do final dos anos 80 e anos 90.
Lançado no Brasil pela Sum Records.
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