Resenha - White Blood Cells - White Stripes
Por Srta Machiavelli
Postado em 23 de fevereiro de 2002
Ao ouvir pela primeira vez o disco "White Blood Cells", dos The White Stripes, eu senti vontade de ligar na rádio e pedir que tocassem uma das faixas, a mais deliciosamente pop de todas: "We're Going to Be Friends". Essa música fala de dois amigos que vão juntos pra escola num dia de volta às aulas no outono. A música enumera todas as coisas normais de escola: números, letras, aprender a soletrar, livros, mostre e conte, etc. O menino e a menina sentam-se lado a lado e se divertem, na escola, a ponto de não perceberem o tempo passar. Depois da aula o menino vai pra casa e, ao deitar-se para dormir, fica pensando em coisas tolas, nada de muito importante, apostando que no dia seguinte ele e sua amiguinha vão juntos para a escola novamente, porque tem certeza de que serão amigos. A melodia e a cadência da música combinam perfeitamente com o clima da historinha que a letra conta. E "We're Going to be Friends" é só a música mais pop do CD, que traz outras faixas realmente interessantes.
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Um bom exemplo é a "I Think I Smell a Rat", que parece música de filme mexicano, com uma orquestração e uns vocais estranhíssimos, tudo recheado com alto teor de criatividade.
O CD traz ainda a música de garagem mais garagem que se ouvia num CD não-trash há anos, a "Fell in Love With a Girl". E mesmo sendo rock de garagem, sem nenhum arranjo inovador, ela impressiona pela originalidade.
Só para citar mais duas pérolas de White Blood Cells, tem a poderosa "I Can't Wait", um pop de refrão grudento bem arranjado, perfeita para cantar depois do banho, e a power-ballad-anos-60 "Now Marry".
Ao todo são 16 faixas, com o único defeito de serem curtas demais (ou talvez isso demais seja um trunfo) - "Fell In Love With a Girl", por exemplo, tem 1.50mim, e "Now Marry" tem apenas 1.46.
Os The White Stripes fazem um som primitivo, quase inocente, com letras que falam de garotos e garotas, relacionamentos simples, coisas assim. A banda é na verdade é uma dupla, Jack White (vocais e guitarras) e Meg White (bateria), que apesar
da semelhança física e de possuírem o mesmo sobrenome, teimam em não revelar o tipo de ligação que existe entre si: se são marido e mulher, namorados, irmãos ou etc.
"White Blood Cells" entrou para as principais listas de melhores discos de 2001, merecidamente. É o terceiro disco dos The White Stripes, que já haviam lançado "De Stijl" e "White Stripes". A banda é considerada uma das grandes promessas do rock primitivo* norte-americano atual, ao lado dos The Strokes. No entanto, ao contrário dos Strokes, que optaram por conservar uma sonoridade similar em todas as faixas de seu álbum de estréia (o ótimo "Is This It?", lançado pouco depois do single de sucesso "The Modern Age"), os The White Stripes seguem influências variadas, e não é difícil identificar faixas que soem como Led Zeppelin, Beatles, Beach Boys, Pixies ou até, acreditem se quiserem, Velvet Undergound. Imperdível.
* Rock Primitivo: uma guitarra ou duas, baixo, bateria e vocal. Nada de experimentalismos eletrônicos.
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