O riff escrito nos anos 2000 que causou inveja em Jimmy Page
Por Bruce William
Postado em 17 de janeiro de 2026
Jimmy Page sempre tratou riff como motor de música, não como enfeite de abertura. Quando lembrou do nascimento do riff de "Whole Lotta Love", ele descreveu para a Open Culture a reação da banda assim: "Quando eu toquei o riff para a minha banda durante os ensaios, a empolgação foi imediata e coletiva. Nós sentimos que o riff era viciante, como uma coisa proibida."
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Talvez por isso ele nunca tenha vendido a imagem de "gênio que caiu do céu". Falando sobre quando começou a tocar, Page disse para a NPR: "Eu estava entediado, então eu aprendi guitarra sozinho ouvindo discos. Então, obviamente, era uma coisa muito pessoal."
Só que, décadas depois, tem um detalhe curioso: o cara que escreveu uma lista enorme de riffs que todo mundo sabe cantarolar sem pensar aparece, em filme, tentando decifrar o riff de outra pessoa. "It Might Get Loud" (2008) junta Page, Jack White e The Edge numa espécie de encontro de gerações, e é ali que esse "momento humano" acontece.
Num trecho do documentário que circula por aí, relembrado pela Far Out, White mostra como toca e como surgiu aquele tema repetitivo que grudou no ouvido do mundo. E dá pra ver Page acompanhando com atenção, naquela mistura de curiosidade com "como é que eu não pensei nisso antes?".
O riff em questão é "Seven Nation Army", do The White Stripes (youtube). Do lado do Jack White, dá pra entender por que Page olhou aquilo com respeito: o riff nasceu em 2002, na estrada, e foi gravado e lançado em 2003 como single de "Elephant"; a própria montagem do som (guitarra com pedal pra "fingir baixo") e a insistência em manter a linha simples ajudaram a música a ganhar vida fora do rock, virando canto de estádio pelo planeta.
E tem mais uma camada nessa história: White nunca escondeu o tamanho da admiração por Led Zeppelin - ele já chamou a banda de "uma força gigantesca na música" e soltou: "Eu não confio em ninguém que não goste deles." A graça, na prática, é imaginar o Page ouvindo uma multidão inteira cantando um riff que ele não escreveu, percebendo que a "coisa proibida" que ele descreveu lá atrás pode nascer em qualquer década e que, às vezes, o único consolo é que pelo menos dá pra tocar junto, nem que seja olhando pro dono do riff e pedindo, com cara de aluno aplicado, "é assim mesmo?"
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