Matérias Mais Lidas

imagemPaul Di'Anno detona Regis Tadeu após vídeo em que critica seu encontro com Iron Maiden

imagem"A ingenuidade do fã do Iron Maiden é um negócio que beira o patético", diz Regis Tadeu

imagemA dura crítica de Angus Young a Led Zeppelin, Jeff Beck e Rolling Stones em 1977

imagemComo era a problemática relação do Angra no "Aurora Consurgens", segundo produtor

imagemFãs protestam contra Claustrofobia após banda fazer versão de música do Pantera

imagemStjepan Juras retruca comentário de Regis Tadeu sobre reencontro de Di'Anno e Harris

imagemA banda de forró que uniu Nenhum de Nós, Legião, Titãs e Paralamas na mesma música

imagemMorre Andy Fletcher, tecladista e membro fundador da banda Depeche Mode

imagemZakk Wylde relembra ídolo: "tão relevante quanto Bach, Beethoven e Mozart"

imagemEncontro entre Paul Di'Anno e Steve Harris resultou em "algo que será discutido"

imagemA apaixonada opinião de Elton John sobre "Nothing Else Matters", clássico do Metallica

imagemRegis Tadeu explica porque Ximbinha é um dos melhores guitarristas do Brasil

imagemJohn Bonham, Keith Moon ou Charlie Watts, quem era o melhor segundo Ginger Baker?

imagemMorre Alan White, baterista do Yes e que gravou a clássica "Imagine", de John Lennon

imagemIron Maiden: Bruce fala sobre groupies; "parei de transar com elas quando me apaixonei"


Stamp

Resenha - Musique - Theatre of Tragedy

Por Fabricio Boppre
Em 17/11/00

Nota: 8

É sempre difícil resenhar uma banda que mudou significativamente seu estilo no disco em questão. Nessas situações, é fundamental tentar descobrir se a música da banda sofreu essa mudança naturalmente, em virtude do amadurecimento e evolução de seus músicos, ou se é apenas uma jogada de marketing para se manter na moda ou então adentrá-la, no caso das bandas que estavam, digamos, no vermelho. Obviamente, o primeiro caso é bem mais digno de crédito, e geralmente resulta em obras honestas e de qualidade, ao contrário do segundo caso.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O Theatre of Tragedy está no primeiro time, e com o lançamento de "Musique" – o quarto disco dessa banda norueguesa – a banda confirma de vez a condição de adepta da mudança de sonoridade em prol da evolução e amadurecimento musical, acontecimentos que resultam em maior liberdade de composição e desvencilhamento completo das amarras que prendem 99% das bandas de metal à cartilha deste estilo. Infelizmente, nos dias de hoje, nenhuma banda consegue sair ilesa ao cometer tal ousadia, e com o ToT não é diferente: aposto minha coleção de discos que muitos fãs antigos deixaram de ter o ToT como banda preferida, e talvez isso já aconteça desde o disco "Aegis" (1998), o terceiro da banda, que já apresentava diferenças em relação àquilo que o grupo apresentou nos dois primeiros trabalhos, "Theatre of Tragedy" (1995) e "Velvet Darkness They Fear" (1996). Esses dois discos, sozinhos, fizeram a banda ganhar milhões de fãs que viajavam nas melodias tristes e cadenciadas do grupo, que ficavam ainda mais especiais com os vocais inspiradíssimos de Liv Kristine. E provavelmente "Musique", sozinho, faça boa parte desses fãs esquecerem o ToT.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Mas vamos ao fato: basicamente, a mudança no direcionamento musical do ToT resume-se ao uso – intenso – de elementos eletrônicos nesse novo disco. Como foi dito acima, "Aegis" já mostrava (de maneira bem mais sutil) que a banda estava aos poucos apostando em outras sonoridades e mudando gradualmente seu estilo. Estilo esse que, diga-se de passagem, foi forjado pelo próprio ToT e fez surgir várias excelentes bandas como Tristania, Dreams of Sanity, Trail of Tears e deu também um empurrãozinho à outras bandas cujo estilo é diferente, mas que também possuem mulheres nos vocais, e por isso eram vistas com certo preconceito. Afinal, o metal ainda é inegavelmente terreno masculino, e mesmo a atenção prestada atualmente à cantoras como Liv, Anneke (The Gathering), Tarja (Nightwish) e Cristina (Lacuna Coil), está longe de mudar esse injusto placar.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

De qualquer maneira, o ToT foi um dos responsáveis pela idéia mágica (ainda que tardia) de aproveitar vocais femininos doces e tecnicamente irrepreensíveis no metal, e hoje se dá ao direito de fazer o som que quer, como bem prova "Musique". Os vocais masculinos guturais que contrastavam com os femininos angelicais ficaram para trás, e agora a banda abusa da fórmula vocal-masculino-nos-trechos-eletrônicos-com-toneladas-de-sintetizadores-e-vocal-feminino-nos-refrões-pesadões-e-cheios-de-melodia. Os masculinos, a cargo de Raymond Rohonyi (que também cuida dos "computadores" do disco), são invariavelmente alterados por efeitos eletrônicos. E no que diz respeito aos refrões, a banda continua afiada, e pelo menos nesse quesito deve continuar agradando todos seus velhos fãs: as guitarras de Frank Claussen estão excelentes, pesadas e limpas (méritos da produção cristalina e equilibrada), em perfeita harmonia com os belíssimos vocais de Liv Kristine. Ao longo das 12 faixas de "Musique", essa é basicamente a postura da banda, e gostar ou não disso vai do grau de tolerância que cada um dispensa quanto ao uso de influências eletrônicas no metal. Na verdade, essa estrutura básica das músicas é repetida tanto ao longo do álbum, que pode até incomodar um pouco mesmo aqueles que gostam – ou pelo menos não se importam – com os famosos barulhinhos eletrônicos e bases computadorizadas. Mas a banda mostra-se bem a vontade ao criar cada uma das composições, e isso faz com que, no final das contas, o saldo seja positivo.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Os destaques ficam por conta das seguintes faixas: "Crash / Concrete" (a mais metal de todas); a belíssima "Reverie"; a empolgante faixa-de-abertura "Machine"; "Image" (cujo refrão nos remete diretamente à uma banda que parece ser grande influência do ToT atual, o Sisters of Mercy); a hipnotizante e sem guitarras "Space Age" (que no encarte está grafada com símbolos impronunciáveis – mas de acordo com o site oficial da banda, chama-se mesmo "Space Age") e a quase pop "The New Man". Essa última é uma faixa bônus que deve sair pelo menos na Europa, tendo em vista que ainda não sabemos como será a versão nacional de "Musique".

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Resumindo, "Musique" é um disco muito bom, mas que tende a arrancar caretas de grande parte dos fãs de metal, que não são exatamente conhecidos por sua tolerância e espírito aberto à novas influências e mudanças de sonoridades. Como disse Bruce Dickinson na época de seu injustiçado disco solo "Skunkworks", "os fãs de metal não são exatamente as pessoas com a cabeça mais aberta do mundo". Aparentemente, Liv Kristine e seus amigos não têm consciência disso... e se tem, não estão nem aí. Ponto para eles.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

publicidade
Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp

Liv Kristine: fui demitida de minha própria banda!

Liv Kristine: "Fui forçada a deixar o Theatre of Tragedy"

Gothic Metal: Bandas com vocais femininos


Câncer na língua: entenda a doença de Bruce Dickinson