Resenha - Polka Vergonha - Tubaína
Por Carlos Roberto Merigo Filho
Postado em 14 de agosto de 2000
Nota: 8 ![]()
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Três anos após o lançamento do primeiro disco, a banda Tubaína traz "Polka Vergonha", contendo mais algumas excelentes canções do rock-caipira. E como não poderia ser diferente, bairristas como nunca!

Misturando riffs básicos, letras escrachadas e interioranas, "Polka Vergonha" não chega a ser tão bom quanto o primeiro disco da banda, mesmo assim mantém a boa qualidade. A banda Thompson participa do disco, que é uma produção independente da Aquém De Queluz Records, da própria banda Tubaína.
A música que abre o disco, "Pamonhas", é excelente e inclusive vem sendo tocada nas grandes rádios em São Paulo. Quem não conhece aquele senhor que passa com uma Variant caindo aos pedaços e vendendo pamonhas? É incrível como o carro das pamonhas está em todo lugar, sempre com o "puro creme do milho".
Muitas sátiras só serão facilmente entendidas por quem mora ou conhece o interior do estado de São Paulo e todas aquelas figuras caricatas. Como o caipira que "vende um rim para comprar uma guitarra Gibson", na faixa-título "Polka Vergonha". E a história de um sueco perdido em Birigüi, em "Loucademia de Mulheres", e a de um carro velho movido à gás em "Carrão de Gás", sempre desfilando características da vida no interior, misturadas aos acordes simples de um rock‘n’roll empolgante.
"Nem" é uma das melhores faixas do disco, e ganhou duas versões: a la Elvis, e a versão metal. E aproveitam para tirar um sarro com a cidade de Araçatuba: "Nem se Birigui fosse eleita a cidade do ano e Araçatuba virasse um bairro suburbano, haveria uma festa tão grande quanto a que eu faria se conquistasse seu coração".
Destaque também para a ótima "Presidente Prudente, Salve a Gente!", em que uma estátua do presidente Prudente de Morais serve de esconderijo após o rapaz aprontar algumas com a filha do prefeito, e a versão Beach Boys em "Surf in Birigui", sem se esquecer da prancha em cima do fuscão.
A história de uma paixão é contada em "O Bis em Rancharia", onde as contempladas dessa vez são as cidades de Taubaté e Coroados.
Outra coisa que não se pode esquecer são os times de futebol do interior, como XV de Jaú, Ituano, Novo Horizontino e tantos outros, mas o time de coração do Tubaína não é nenhum desses, e sim o Bandeirante - como homenagem, nada melhor que o hino do clube em versão ska na faixa "Marcha em Birigüi".
Pinga com limão e feijoada com feijão, uma combinação sadia para se degustar ouvindo a décima-primeira faixa, "Pinga com Limão"
A faixa-bônus é totalmente inútil, mas de longe uma das mais engraçadas do disco. "@ # $ % Errei!!!" é onde a banda reúne diversos erros cometidos durante a gravação do disco. Ali se pode conferir de tudo, desde mensagens de celular e paródias do RPM até uma sátira com uns tais de Flaudinho e Muchecha. Paulo Mancha, o vocalista, além de morder a língua ainda esquece as letras por diversas vezes.
O novo disco do Tubaína é um prato cheio para quem gosta de rock-punk-metal-a-billy-ska com boas pitadas de humor, sempre referenciando o velho e bom estilo de vida tranqüila do interior. Para quem mora nas grandes cidades, no meio do caos, só resta a inveja. :)
A banda continua realizando shows em São Paulo e agradando ao público, não só pelas músicas como também pela farta distribuição de pipoca doce Gasparzinho. Tubaína é uma ótima opção para quem quer dar boas risadas com rock‘n’roll básico e, como eles mesmo dizem, são uma banda "bairrista e politicamente incorreta desde 1992".
Contatos: http://www.tubaina.com.br
Telefones: (11) 3849-6504 ou 9158-5306
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