Resenha - Goodbye 20th Century - Sonic Youth
Por Saulo Gomes
Postado em 08 de maio de 2000
Com quase vinte anos de estrada, o Sonic Youth chegou naquele perigoso estágio da carreira musical, onde uma banda consegue ter o seu próprio estúdio de gravação. Perigoso, pois com a maior liberdade, fica mais fácil para essa banda se entregar a um experimentalismo exacerbado e insípido, sem se preocupar com quaisquer tipo de concessões, comerciais ou não. Pois desde o início de 99 o Sonic Youth vem gravando uma série de EPs experimentais para o selo independente da banda, SY Records. Esse material, de distribuição limitada, é praticamente intransponível, mesmo para o fã mais fanático do Sonic Youth. Um bom exemplo dessa ‘overdose’ criativa pode ser testemunhada no CD duplo Goodbye 20th Century, lançado no final de 1999. O CD era para ser, originalmente, um lançamento do selo da banda. Mas a gravadora do SY, a Geffen, resolveu bancar o álbum. Sabe lá Deus o porquê. Goodbye 20th Century é uma espécie de Metal Machine Music dos anos 90, o disco inaudível que Lou Reed gravou nos anos 70. E definido por um crítico mais afoito, como a ausência de toda música. A idéia, aparentemente, era traçar um panorama da música contemporânea deste século. Para isso o CD reúne interpretações da banda para composições de músicos de vanguarda, como John Cage, James Tenney, e Christian Wolff - incluindo até mesmo uma faixa de 12 segundos composta pela Yoko Ono, intitulada "Voice Piece For Soprano", e interpretada pela filha do casal Kim Gordon e Thruston Moore, Coco Hayley, de três anos. O resultado está longe de ser acessível ou mesmo relevante. A música é em geral inócua e inexpressiva. Enfim Goodbye 20th Century é daqueles CDs que se escuta apenas uma vez e se dá por satisfeito. É do tipo: como se a vida já não fosse bastante complicada...
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