Resenha - I'll Take Care Of You - Mark Lanegan
Por Paulo Haroldo
Postado em 05 de maio de 2000
Nota: 8 ![]()
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Título lírico mais do que apropriado para este singelo conjunto de canções entoadas por Mr. Lanegan junto ao fiel selo Sub Pop. Enquanto os Screaming Trees, sem gravadora desde DUST (1996), amargam um semi-ostracismo, seu frontman não perde tempo e investe em seu lado crooner, pouco mais de um ano após o lançamento do álbum anterior, "Scraps At Midnight". E já que estão sem trabalho, seus companheiros de banda aproveitam para dar aquela providencial ajuda ao amigo cantor.

No 4º cd de sua carreira solo, Lanegan reúne 11 covers (é pouco... são menos de 34 minutos de gravação) que oscilam entre a habitual melancolia etílica e a certeira homenagem a ídolos do passado. A maioria das faixas está impregnada pelo tom intimista acústico, que combina à perfeição com a voz ora rouca (à la Tom Waits) ora macia de seu intérprete. "Carry Home", balada confessional, tem apenas voz e violão, delicadeza na medida certa. "Shiloh Town", escrita por Tim Hardin (compositor da célebre "If I Were A Carpenter"), é uma agradável surpresa, só inferior a "Creeping Coastline Of Lights", uma das melhores do disco. "Badi-Da" vem em seguida, na mesma linha poética, derramada e triste. Impossível deixar de reparar nos arranjos despojados e límpidos, como na regravação de "Consider Me", blues de Eddie Floyd e Booker T. Jones Jr., onde Mark Hoyt reproduz fielmente o estilo de Sam Cooke na guitarra. "Little Sadie", de textura leve, tem um violão e uma guitarra sobre melodia country, inspirada nas estações de trens poeirentas e perdidas do meio-oeste americano. "Together Again" e "Shanty Man’s Life" são toadas sublimes, daquele tipo que o R.E.M. vem tentando realizar há anos, com resultado enfadonho. Já a última música, "Boogie Boogie", não chega a ser bem um boogie, por seu andamento lento e compassado, destoando da sonoridade do resto do disco.
"I’ll Take Care Of You" é talvez o trabalho mais inspirado de Mark Lanegan, uma das maiores vozes do rock atual. É uma amostra convidativa para os que ainda não conhecem esse singular artista, que dessa vez não precisou mergulhar no Jack Daniel’s para nos brindar com um belo cd.
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