Resenha - Nº 4 - Stone Temple Pilots

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Por Ricardo Augusto Sarcinelli
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Reestabelecido em sua line-up após incontáveis e sucessivos problemas do vocalista Scott Weiland com as drogas, o STP apresenta um dos álbuns mais aguardados do ano. O frenesi em torno da banda não é em vão, uma vez que eles foram responsáveis por uma revigoração no rock quando este apanhava feio em função da reafirmação do metal e pelo esfacelamento do movimento que convencionou-se intitular "grunge", ao qual a banda sempre foi sumariamente vinculada. Mesmo donos de um estilo único e particular, como a grande maioria dos grupos deste movimento, o Stone atravessou um mar de críticas estúpidas e comparações idem, de profissionais que conheciam tanto de música quanto eu de balet, até conseguirem finalmente o respeito da mídia. Nada de novo portanto no maravilhoso mundo do show business...

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Nº. 4 apresenta uma banda reconfigurada, rearranjada e pesada, muito pesada. À primeira audição o álbum soa um tanto difícil aos ouvidos acostumados aos três volumes anteriores, mas logo tudo se transparece. É exatamente esta abordagem mais agressiva - principalmente nas três primeiras faixas ("Down", "Heaven & Hot Rods" e "Pruno"), com a guitarra de Dean DeLeo afinada em ré (isso é lindo!) - o grande diferencial deste álbum. A facilidade com que Scott Weiland desfila entre o caótico e o poético é algo quase que sobrenatural, onde belíssimas melodias se interpõem ao calipso rocker concebido sobre a sempre formidável cozinha de Robert DeLeo (Baixo) e Eric Kretz (Bateria). A competência e técnica dos músicos é evidenciada a cada acorde, impossibilitando qualquer destaque singular, embora canções como "Down" (primeiro single), "Church On Tuesday", "Sour Girl" , "Glide" e "I Got You" sejam realmente capazes de tocar os céus.

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Este quarto volume, embora mantendo o estilo particular da banda, não é uma continuação dos trabalhos anteriores, que possuíam muitos aspectos comuns entre si, mas uma reafirmação de uma das bandas que, se conseguir exorcizar seus próprios demônios, tem todos os requisitos para se tornar uma das mais influentes da próxima década.

Sim, eles possuem hábitos um tanto estranhos como abusar das maquiagens (no sentido feminino da coisa mesmo!), usar roupas escandalosas ou ainda comporem a quatro, pelados numa banheira. Talvez eles estejam rindo disto tudo, talvez sejam um bando de viados mesmo. Estes são os Stone Temple Pilots, e não o seriam se fossem diferentes. Guardemos nossos preconceitos e antigos dogmas no milênio que se finda. Para compreendermos o futuro, não precisaremos mais destas ferramentas.

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Nota: 8 (oito)




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