Resenha - Estreito - Rodox

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Por Rafael Carnovale
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Nota: 6


Um cd polêmico. É a primeira impressão que vem à cabeça quando se ouve o primeiro solo do vocalista Rodolfo Abrantes. Passada a poeira da sua saída do Raimundos, a polêmica de sua conversão ao evangelismo e o quanto isto teria influenciado sua saída, eis que o rapaz apronta seu cd solo, sob o nome de banda RODOX, seu codinome nos últimos cds dos Raimundos. Esquecendo disto tudo, Rodolfo parece querer dar uma continuidade ao trabalho que fazia, mas com diferenças.

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A primeira faixa, Olhos abertos, remete diretamente ao Nu Metal de bandas como Korn e Soulfly, sendo bem interessante. Depois entra o Hardcore assumido Não Lembro Mais, que contém influências do som Raimundos.

O disco oscila entre o hardcore explícito (Não Lembro Mais, Ao Lado do Sol, Estreito e Quem dá mais ), aonde notamos influências de bandas como Agnostic Front e o próprio Raimundos da época do Lapadas do Povo, e faixas mais Raimundas, como as punks De uma só Vez e Cego de Jericó. E Rodolfo também dá umas quedas para o Nu Metal, com claras influências de Soufly e Slipknot em Olhos Abertos, Quem dá mais, Três Reis, com guitarras pesadas e ritmo cadenciado, com vocais com efeitos ou rapeados, com pitadas de eletrônica, mas bem de leve.

Seria mais um cd do Raimundos, não fosse pelas letras, que refletem claramente a conversão de Rodolfo, e como isso mudou sua vida. Tal fato é relatado diretamente nas faixas Olhos Abertos, De uma Só vez e Cego de Jericó. Mas todas as faixas do disco têm tal característica, umas de maneira mais direta, outras de maneira mais implícita.

Destaque para a faixa Continuar de Pé, que é diferente de tudo o que Rodolfo já fez, com uma levada de sax interessante, e uma letra sobre superação pessoal (reflexo do que ele passou?), e a balada Quem Tem Coragem Não Finge, que mostra que Rodolfo pode escrever letras muito interessantes numa música mais leve, mais pop.

Um cd ruim? Não. Mas Rodolfo poderia fazer melhor, principalmente se escrevesse algo menos ligado ao momento que viveu, algo mais politizado e consciente, como ele mesmo havia declarado. Mas é um bom começo.


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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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