Ramones: falar que as músicas da banda são "todas iguais" é uma tremenda besteira
Por Mateus Ribeiro
Postado em 15 de novembro de 2020
O RAMONES é um dos maiores nomes da história do rock and roll. O quarteto, formado em 1974, influenciou muitas bandas de diversos estilos que surgiram nos anos seguintes. Mesmo possuindo milhões de fãs e tendo deixado um legado gigantesco, é comum ouvir que "as músicas da banda são todas iguais". Eu, particularmente, já ouvi essa frase dezenas de vezes e imagino que você também tenha ouvido. Mas será que essa afirmação procede? Definitivamente, não. E vou tentar explicar as razões para discordar dessa bobagem nos parágrafos abaixo.
Basicamente, dois tipos de pessoas afirmam que as músicas do RAMONES são todas iguais: as que não gostam da banda e as que não conhecem muita coisa além dos principais hits. Por sorte, eu não faço parte de nenhum desses grupos e não só gosto (muito), como também conheço grande parte da obra dessa banda maravilhosa.
Qual a razão para essa besteira ser vomitada há tanto tempo por tanta gente? De fato, as estruturas simplistas de algumas músicas são similares. A voz de Joey Ramone, que não costuma variar muito, também dá a impressão de que as composições são todas iguais. A falsa impressão, aliás.
Analisando rapidamente a carreira da banda, é possível notar as diferenças nas músicas através das fases que o RAMONES passou durante sua longa trajetória: os primeiros anos, a entrada de Marky Ramone, a era Richie Ramone e os últimos anos, que contaram com a entrada do baixista C.J. e o retorno de Marky.
Nos primeiros trabalhos ("Ramones", "Leave Home" e "Rocket To Russia"), as músicas seguem uma fórmula simples: rock and roll cru, com poucos acordes e letras simples, em composições extremamente curtas. Mesmo que a receita tenha servido como base para QUASE tudo que o grupo escreveu nos primeiros anos, é possível notar músicas que fogem um pouco desse padrão. Alguns bons exemplos são "I Wanna Be Your Boyfriend", "You´re Gonna Kill That Girl", "Oh, Oh, I Love Her So", a melancólica "Here Today, Gone Tomorrow" e "I Wanna Be Well".
Em 1978, o baterista original Tommy sai da banda e Marky Ramone (ex- DUST) entra em seu lugar. Além de mudar a formação, o RAMONES mudou um pouco o seu som, deixando as composições mais pesadas e bem trabalhadas. "Road To Ruin", quarto trabalho do grupo, mostra essa mudança em "I Just Want To Have Something To Do", "She´s The One" e "I Don´t Want You".
Vale ressaltar que neste disco aparece o primeiro "solo" de guitarra em uma música do grupo (em "Don´t Come Close"). Também em "Road To Ruin", estão duas das melhores baladas gravadas pelo RAMONES: a versão para "Needles And Pins" e a maravilhosa "Questioningly", que arranca lágrimas até dos mais cascudos (inclusive este que vos escreve).
O trabalho seguinte, "End Of The Century", é cheio de experimentos. Produzido pelo cultuado e controverso Phil Spector, o disco é cheio de pompa, muito diferente dos lançamentos anteriores, onde a simplicidade era a regra. "Baby, I Love You", por exemplo, mostra bem que o RAMONES também conseguia ser "fofo". Outra música diferente das demais é a dançante "Do You Remember Rock And Roll Radio?", que se tornou um dos maiores sucessos da banda.
Lançado em 1981, "Pleasant Dreams" é um disco que passa longe de ser repetitivo. O álbum é uma mistura de tudo o que a banda havia lançado até o momento. "All´s Quiet On The Eastern Front" e "It´s Not My Place (In The 9 To 5 World)" são duas composições interessantes e mostram o RAMONES um pouco mais descontraído do que o habitual.
Naquele tempo, o clima na banda não era dos melhores, o que reflete na baixíssima qualidade de "Subterranean Jungle", que de longe, é o trabalho mais fraco de toda a discografia do RAMONES. Por outro lado, as enfadonhas músicas da bolacha são diferentes de tudo o que já havia sido feito antes. Os covers para "I Need Your Love", "Little Bit O´ Soul" e "Time Has Come Today" mostram uma sonoridade curiosa e se não fosse pelo vocal de Joey, não seria tão fácil decifrar que o RAMONES gravou estas versões.
A entrada do baterista Richie Ramone coincidiu com o período mais pesado e versátil do RAMONES. Os três álbuns gravados com o talentoso músico na bateria apresentam músicas pesadas, muito bem construídas e até mesmo algumas que se aproximam dos cinco minutos (uma eternidade para os padrões ramônicos).
Infelizmente, este período é um pouco desconhecido e algumas pessoas não conhecem "Too Tough To Die", "Animal Boy" e "Halfway To Sanity" (que até poucas semanas, não estavam disponíveis nas plataformas digitais). Porém, são excelentes trabalhos, principalmente para quem AINDA acha que as músicas do RAMONES são iguais.
Algumas composições dos álbuns acima citados que jogam essa teoria na lata do lixo são "I´m Not Afraid Of Life", "Chasing The Night", "Howling At The Moon (Sha- La- La)", "Daytime Dilemma (Dangers Of Love)", "Somebody Put Something In My Drink", "Something To Believe In", "I Wanna Live", "Garden Of Serenity", "I Know Better Now" e a pesadíssima "I´m Not Jesus". Todas essas músicas possuem suas próprias características e comparar uma com a outra mostra uma total falta de conhecimento.
Após a volta de Marky, o RAMONES gravou três discos que certamente, estão entre os mais legais e diversificados da discografia da banda: "Brain Drain", "Mondo Bizarro" e o derradeiro "Adios Amigos". A união da experiência de Joey, Johnny e Marky com a juventude do grande C.J. fizeram a banda se reinventar.
Todas as músicas lançadas nos últimos álbuns do quarteto possuem uma própria cara e são bem distintas umas das outras. Vale a pena ouvir com atenção as excepcionais "Can´t Get You Outta My Mind", "Poison Heart", "Anxiety", "It´s Gonna Be Alright", "Cabbies On Crack", "It´s Not For Me To Know" e "She Talks To Rainbows".
Apesar de discordar da afirmação de que as músicas são todas iguais, é necessário pontuar que durante as apresentações ao vivo, principalmente as do final da carreira, de fato, existem muitas semelhanças entre uma faixa e outra. Para quem não sabe, durante os shows desse período, a banda tocava as músicas de maneira acelerada e como algumas partes eram "atropeladas", realmente a audição se torna um pouco enjoativa em alguns momentos. Mas que ouvir o "Loco Live" inteiro é uma baita experiência, isso ninguém pode negar!
A intenção deste artigo não é empurrar nenhuma verdade absoluta, mas apenas tentar desconstruir uma bobagem infundada que é o mantra de alguns rockeiros amargurados. E se mesmo assim, as pessoas continuarem achando tudo igual, existem aqueles velhos ditados: "Em time que está ganhando não se mexe" e "FODA-SE".
Espero que tenham gostado. Um abraço e até a próxima!
Comente: Qual sua música preferida do Ramones?
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