Megadeth: Discografia comentada - Parte 1

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Por Mateus Ribeiro
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O INÍCIO DE TUDO E OS DIAS DOURADOS

A demissão está longe de ser o sonho de vida do ser humano. Porém, no caso de David Scott Mustaine, mundialmente conhecido como Dave Mustaine, ser demitido foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Caso exista alguém no planeta que não saiba da historia, Dave Mustaine foi demitido do Metallica após se comportar da pior maneira possível, e teve que cruzar os Estados Unidos para voltar até sua casa. Depois de alguns dias dentro de um ônibus, decidiu que fundaria sua própria banda, movido por muito ódio, rancor e sangue nos olhos. Com tanta coisa nobre envolvida,o resultado certamente seria algo muito bom. Então, após algum tempo, surge o MEGADETH.

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Após algumas mudanças de formações (uma característica que acompanha a banda até hoje), a banda se estabiliza com Dave na guitarra e vocal, seu fiel escudeiro David Ellefson no baixo, Chris Poland na guitarra, e Gar Samuelson na bateria. E é aí que começa uma das historias mais produtivas e controversas da historia do Thrash Metal.

"Killing Is My Business...And Business Is Good!" (1985)

Conforme dito acima, o MEGADETH era guiado, entre outros fatores, pelo ódio cego de seu mentor. Isso fica evidente nas músicas do primeiro álbum.

A estreia do Megadeth apresenta composições rápidas, pesadas, e um tanto quanto técnicas. A voz peculiar de Mustaine dava um ar especial para a sonoridade da banda.

Alguns dos destaques do disco ficam por conta de "Mechanix", "Rattlehead", "Last Rites/Loved To Deth", "Chosen Ones" e "Looking Down The Cross".

"Peace Sells... but Who's Buying?" (1986)

Pouco mais de um ano depois do primeiro álbum, o Megadeth lança "Peace Sells... but Who's Buying?", um de seus melhores discos, e um clássico absoluto do Heavy Metal.

As músicas ficaram mais técnicas, porém, a rapidez e o peso continuavam presentes. Em pouco tempo, o Megadeth se tornou uma banda mais séria e profissional (apesar das atitudes um tanto quanto controversas de seu líder). As letras das músicas ainda tratam de temas mais comuns, como o ocultismo ("The Conjuring" é um bom exemplo), mas, por outro lado, também tratam de temas sérios, como a guerra fria ("Peace Sells").

"Peace Sells..." apresenta uma ótima produção, e todas as suas faixas merecem destaque. Os maiores sucessos do disco são a faixa de abertura, "Wake Up Dead", e "Peace Sells".

O Megadeth começava a aparecer para o mundo.

"So Far, So Good... So What!" (1988)

Em janeiro de 1988, o Megadeth lança seu terceiro álbum, que apresenta uma nova formação: Jeff Young entrou como guitarrista, e Chuck Beller assumiu as baquetas.

O disco mantém a fúria dos álbuns anteriores, e traz a primeira balada pesada da carreira da banda,"In My Darkest Hour", que se tornou um dos maiores sucessos da carreira de Dave Mustaine, e se mantém firme e forte no repertório da banda. A melodia da música foi escrita por Dave logo que recebeu a notícia da morte de Cliff Burton.

A evolução da banda é notável em canções como "Set The World Afire", "Mary Jane" (que ao contrário do que muita gente pensa, não fala sobre maconha), a rápida "502" e "Hook In Mouth", uma dura crítica ao PRMC (um instituto que visava aumentar o controle dos pais sobre o que seus filhos ouviam).

Apesar de ser um pouco mais fraco que seu antecessor, é um ótimo lançamento.

FORMAÇAO CLÁSSICA

"Rust In Peace" (1990): Novamente, a banda muda de formação, e dessa vez, Mustaine acertou a mão: para as guitarras, foi recrutado Marty Friedman, e para a bateria, Nick Menza.

O quarto álbum do Megadeth é uma obra prima, e sempre pipoca em listas de melhores discos da história do Metal. O nível da banda evoluiu de forma assustadora, tanto na parte instrumental quanto na lírica.

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Os temas das letras são bem variados, indo desde OVNIs("Hangar 18"), passando pela Guerra Fria ("Rust In Peace...Polaris), e chegando até os conflitos religiosos da Irlanda do Norte ("Holy Wars... The Punishment Due"). Aliás, "Holy Wars..." é o maior sucesso da banda até hoje.

As músicas ficaram mais rápidas e mais complexas, como pode ser conferido na insana "Five Magics" e em "Take No Prisoners".

Dali em diante, o Megadeth começou a figurar entre os gigantes do Metal.

"Countdown To Extinction" (1992): A repercussão de "Rust In Peace" havia sido a melhor possível, o que praticamente obrigava o Megadeth a lançar um bom trabalho na sequência. E o quinto disco, "Countdown To Extinction", não decepcionou.

Algumas músicas do álbum são um pouco mais lentas e reflexivas, e os temas abordados são os mais variados possíveis. A faixa de abertura, "Skin O'My Teeth", que fica entre o Heavy Metal e o Hard Rock, fala sobre suicídio. Outras músicas, como a manjada, porém ótima "Symphony Of Destruction" e "Architecture of Aggression" falam sobre o combo guerra/política. A belíssima faixa título mostra toda a preocupação da banda com o meio ambiente, e "Sweating Bullets" fala sobre os dramas pessoais de Mustaine.

Um álbum sólido, que começa a mostrar outra faceta da banda. O Megadeth mostra que sabia pisar no acelerador, mas que também mandava bem ao pisar no freio.

"Youthanasia" (1994): Por incrível que pareça, a formação da banda se manteve a mesma por três álbuns seguidos (fato inédito, e que nunca mais voltaria a acontecer). A estabilidade resultou em um ótimo disco, que consegue conciliar o peso dos primeiros álbuns com um senso de melodia jamais visto nos trabalhos anteriores.

Tudo em "Youthanasia' é absolutamente perfeito, e o disco é a perfeita representação da maturidade musical que o Megadeth atingiu. Logo de início, a fantástica "Reckoning Day" já dava alguns indícios de que os caras estavam mais afiados do que nunca. A caótica "Train of Consequences", a melancólica e bela "Addicted To Chaos" e a maior balada da banda até hoje, a formidável "A Tout Le Monde", já seriam mais que suficiente para considerar o disco um clássico. Mas ainda há espaço para muita coisa boa, como "The Killing Road", "Elysian Fields", "Family Tree", a faixa título, entre outras.

Depois de chegar ao topo, o Megadeth conseguiu o mais difícil: se manter.

Infelizmente, dali em diante, a caminhada da banda já não seria mais tão bela, e passaria por alguns momentos ruins. Mas isso é assunto para a segunda parte!




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Sobre Mateus Ribeiro

Fanático por Ramones, In Flames e Soilwork. Limeirense com muito orgulho (e sotaque).

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