Dissecando Roots Bloody Roots: a grande canção do Sepultura!
Por Herick Sales
Fonte: Blog Herick Sales Guitar
Postado em 03 de julho de 2018
Antes que me batam, logicamente o Sepultura tem outras grandes canções, mas escolhi falar especificamente sobre a música Roots Bloody Roots, do álbum Roots, de 1996. Não considero esse o melhor álbum do Sepultura, e pode ser questionável até mesmo, se essa música é a "melhor’’ deles, mas dentro do meu ponto de vista, é com certeza a mais importante da carreira da banda. O começo deles teve grandes flertes com o death metal, e o começo do reconhecimento da banda veio, quando adotaram a pegada mais thrash, com grandes influências de Slayer e Metallica. Mas acredito que nesse período, a identidade sonora da banda ainda estava se formando, para culminar em algo único.
Essa "cara do Sepultura" que conhecemos, começou a surgir forte, com os experimentalismos e influências tribais no álbum Chaos A.D., de 93, de onde vieram talvez os maiores clássicos da banda. Mas o ano de 96 reservou um daqueles encontros mágicos, em que todos os fatores se entrelaçam para o nascimento de uma obra única. Os anos 90 estavam sendo a cara dos movimentos alternativos, e o Sepultura tratou de trazer isso para si, e elevar ao ápice influências regionais e tribais, chegando até a conhecer uma tribo de índios.
Realmente uma entrega e estudo em prol de uma obra, tal qual grandes atores, que mergulham na história e comportamentos de um personagem para interpretá-lo. Tecendo sobre as raízes de cada ser humano (ou seria uma referência da banda à sua própria brasilidade?), Roots Bloody Roots nasceu e até hoje me assusta, tamanha a voracidade e peso monolítico apresentado na mesma. Nuances estilísticas encontradas nela e no álbum Roots em si, já eram vistas em outras bandas do cenário alternativo, como o Korn, por exemplo, mas o Sepultura pegou isso e interpretou à sua maneira. Contendo uma maior simplicidade, se comparada a outras canções da banda, parece que tal desnudamento musical foi o ingrediente primordial para alcançar tamanha porrada. É como um soco! A guitarra de Andreas soa rouca, num riff mântrico, a bateria de Igor, menos veloz que de costume, acentuou mais ainda cada porrada, espancando as peles e pratos (me veio à mente enquanto escrevo, Supernaut, do Sabbath). O baixo junto, deixando mais grave o som, e a voz do Max! Puta merda, que voz! Talvez a interpretação mais raivosa e agonizante dele, numa entrega absurda. Acredito que as tensões que já estavam surgindo na banda, contribuíram e muito para esse resultado.
Arrisco a dizer que, Roots Bloody Roots, virou quase um conceito, ajudando a redefinir como seria o metal dali em diante, e tal conceito com essa violência tribal, influenciou diversas outras bandas, como por exemplo o Slipknot. Numa época em que a qualidade da nossa música apresentada ao grande público, tem uma queda vertiginosa de qualidade, é uma lufada de ar fresco lembrar como músicos brasileiros ajudaram a mudar o rumo de um gênero, e criaram algo extremamente icônico.
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