Pink Floyd: Uma visão Introspectiva de Wish You Were Here
Por Ricardo Bellucci
Postado em 01 de abril de 2018
Esse será um artigo algo intimista, eu diria, uma pequena reflexão sobre sentimentos e visões de mundo, uma espécie de bate papo entre amigos. Não tenho nenhuma outra pretensão além disso. Ouvir o Pink Floyd é uma viagem, para muitos dos fãs (e mesmo dos não fãs). O Floyd é uma espécie de viagem existencial, em rumo ao seu próprio interior. Muitas das letras do Floyd nos proporcionam essa sensação. Elas nos tocam de forma profundamente intimista, em uma espécie de questionamento filosófico profundo. Essa sensação, para quem já experimentou, é difícil de descrever em palavras, difícil.
Essa é para mim, sem sombra de dúvidas, uma das razões pelas quais me identifico, profundamente, com a banda. Essa visão intimista em relação ao mundo, que produz não aquele tipo de alienação tão bem retratada no seu álbum The Wall, mas algo mais reflexivo, evocando valores e emoções que todos temos, possuímos.
Todos passamos por momentos de questionamento na vida, momentos onde vamos do Paraíso ao Inferno, onde experimentamos "o céu azul da dor", e isso acontece não apenas quando temos algum tipo de perda, mas também quando nos questionamos sobre nossa própria postura diante das coisas, diante do mundo. Momentos onde nos sentimos perdidos, isolados, mesmo imersos em um mar de pessoas. Onde somos obrigados a vestir, diante da sociedade, uma espécie de máscara, que oculta nossa tristeza, nossas dúvidas, nossos receios e fraquezas. Somos obrigados a ser fortes o tempo todo.
Vivemos em uma sociedade marcada por contradições profundas, muitas vezes voltada para uma espécie de hedonismo, de um consumismo exacerbado, que acaba por nos isolar de uns dos outros, e de nós mesmos. Uma sociedade que dita o nosso papel, o nosso lugar, que nos obriga a trocar "nossos heróis por fantasmas", nos torna mais um tijolo na parede.
Corremos o tempo todo, todo, em busca de coisas, conquistas, o tempo todo, mas "o que encontramos" após buscar e correr ano após ano?. Será que encontramos os nossos "velhos medos", nossos receios. Esse questionar-se, diante da realidade do mundo está presente em muitas linhas, de muitas letras do Floyd.
Naquele momento, naquele instante que "bate" o "vazio", ligamos o som e o FLoyd nos conduz a nós mesmos, em uma viagem de retorno a nossa origem, a nossa própria história. Nela encontramos as pessoas que amamos, os momentos felizes de nossas vidas, lá na infância, na adolescência, marcados muitas vezes por coisas simples e singelas. Nessa hora a vida se mostra uma jornada profundamente pessoal e significativa. Nesses instantes voltamos a nos sentir seguros, sentimos que apesar de tudo, vale a pena viver, para sentir, para experimentar sensações, escrever e reescrever nossas histórias, nos aproximamos de novo, não só de nós mesmos, mas em relação ao nosso próprio papel nessa imensa e profunda jornada chamada vida.
Fique com um dos meus "sons" preferidos do Floyd para essas horas, espero que goste:
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