Alice in Chains: como foi o processo de gravação vocal no "Dirt"?
Por Brunelson T.
Fonte: Rock in The Head
Postado em 24 de março de 2018
Lá em 2014, a equipe de produtores e engenheiros que participaram do processo de gravação do álbum "Dirt" (3º trabalho de estúdio do ALICE IN CHAINS, 1992), haviam sido entrevistados pelo site Grunge Report e falaram sobre a construção vocal desse clássico disco.
Seguem as declarações logo abaixo:
Dave Jarden (produtor do álbum): "Foi o 3º trabalho de estúdio do ALICE IN CHAINS, o qual revelaria a assinatura sonora do falecido vocalista, Layne Staley. Pesadas camadas dos seus vocais em estúdio foram gravadas em 02 ou 03 tomadas com múltiplos intervalos. A técnica, chamada de ‘empilhamento vocal’ (stacked vocals) era totalmente do jeito ‘Layne de ser’, sabe? O que ele falava para mim quando fizemos essa coisa toda, é que ele já tinha tudo planejado na sua mente. Ele apenas dizia: ‘Me dê uma outra tomada! Agora, eu quero duplica-la! Agora, vamos triplica-la!’ Layne apenas dizia o que ele queria fazer e nós fazíamos".
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Bryan Carlstrom (engenheiro do álbum): "Havia também um elemento de improvisação de como ele gravava os seus vocais. Eu me lembro de quando ele trabalhou na música que abre o disco, ‘Them Bones’, com Layne falando para nós: ‘Ah, eu consigo ouvir uma pequena parte inédita do meu vocal ecoando lá no fundo do meu cérebro, implorando para que ela entre e fique nessa música’. Enquanto ele ouvia a canção tocando em playback nos fones de ouvido, Layne começou a verbalizar o que era aquele vocal que havia escutado lá no fundo do seu cérebro, com os seus gritos de: ‘Ah!, Ah!’, no mesmo tempo do riff da guitarra de Jerry Cantrell. Ele só precisou gravar esses ‘Ah!’ 01 ou 02 vezes, e eles definitivamente marcaram essa música clássica do rock n’ roll".
Annette Cisnero (assistente de produção e engenharia do álbum): "Layne também era capaz de inovar em sua habilidade de usar a sua própria voz como um instrumento musical. Ele cantava os versos da música ‘Godsmack’, parecendo que ele estava usando aquele efeito de voz que definitivamente soava como um pedal de distorção para guitarra, chamado ‘tremolo’. Ou como o efeito de voz muito usado por vocalistas de bandas de rock, chamado ‘leslie’. Mas ele fazia aquilo por si mesmo, você me entende? Ele fazia por conta própria, sem a ajuda de nenhum tipo de distorção para a voz! Nenhuma magia de estúdio foi usada ou foi necessária para aquilo que ele fez. Eu não tinha ideia de como ele conseguia fazer aquilo, porque a equipe de produção teve que improvisar uma parede feita de material à prova de som no estúdio a pedido do próprio Layne, entre a janela da sala de produção onde ficava a nossa mesa de som e do estúdio onde a banda estava gravando, para que Layne não fosse visto por nós ou por qualquer outra pessoa que estava do lado de fora enquanto ele cantava... Layne era bastante tímido e tinha vergonha de que as pessoas ficassem olhando para ele enquanto participava das sessões de gravação dos álbuns".
Confira o áudio da canção citada nessa matéria, "Godsmack":
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