In Flames: A banda "se vendeu" ou evoluiu?

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Por Mateus Ribeiro
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Quando uma banda atinge um grande número de fãs, muitos dos fãs mais radicais costumam falar que os músicos se venderam. Quando a banda muda o estilo de suas composições e o visual, então, alguns mais exaltados deixam de seguir a banda.

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Com os Suecos do In Flames, que farão shows em outubro aqui no Brasil, ambas as coisas aconteceram: principalmente após o lançamento do estupendo "Clayman", no ano 2000, muita gente não gostou do direcionamento que a banda tomou. Dali pra frente, cada lançamento trouxe novos traços de modernidade. Guardadas as devidas proporções, foi o que aconteceu com o Metallica após o lançamento de "Load": ao mesmo tempo que a banda perdia seguidores antigos, arrebatava inúmeros novos seguidores.
A questão que fica é a que intitula o texto. A banda "se vendeu" ou simplesmente evoluiu?

Bom, a resposta não é muito complicada, mas sempre é bom explicar nosso ponto de vista. E é isso que farei. Vamos lá.

Quando o In Flames surgiu, fazia um som extremo. Tanto que algumas partes do primeiro disco, "Lunar Strain", chegam a flertar com o Black Metal. Mas se ouvir com cuidado, muita coisa ali já era um tanto quanto moderna, de certa forma. Apesar da porradaria sem limites, existe muito espaço para a melodia. O disco seguinte, "The Jester Race", já mostra uma grande evolução musical. Passagens acústicas, uma produção mais polida e a melodia quase mais presente que o peso são as marcas registradas do segundo lançamento, que consegue tornar a banda mais conhecida pelo planeta.

Porém, o melhor estava por vir: "Whoracle", lançado em 1997, e "Colony", disco de 1999, são considerados por muitos o ápice da maturidade musical da banda. Após anos, o In Flames se consolidava como um dos pilares do estilo que ficiou conhecido como Death Metal Melódico, ou Som de Gotemburgo. De fato, são dois discos estupendos, que contam com melodias grudentas, muito peso, e uma aula de vocal de Anders Fridén, hoje odiado por inúmeros fãs (e ex fãs) dos caras. Analisando friamente, o ápice da banda conta com passagens um tanto quanto modernas para a época. Vocais alternando entre os guturais e os limpos, partes mais gritadas e levadas um pouco mais cadenciadas não eram coisas exatamente comuns entre bandas extremas. Aliás, talvez essas caracterícticas tornaram o In Flames praticamente uma "unanimidade cult" do final dos anos 90, época que o fã de Metal estava ávido por novidades. Independente de qualquer coisa, o peso, a velocidade e a identidade do In Flames estava ali.

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Até que chegou o esperado ano de 2000. Sempre retratado nos filmes como o começo de uma era moderna, o ano representou o início de uma nova era para Jesper Strömblad e sua turma. "Clayman" assustou muita gente, pois juntou tudo de melhor dos lançamentos anteriores com algumas partes um pouco mais comerciais. Ainda assim, é um divisor de águas. Mesmo entre a parcela que odeia a banda atualmente, existem aqueles que guardam o disco em um lugar no coração.

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Já em "Reroute to Remain", a coisa ficou escancarada. Lembro até mesmo de alguns amigos falando que a banda estava fazendo um som parecido com o da banda norte americana Linkin Park. Bom, é fato que os caras deram uma belíssima "americanizada" no som, mas a comparação, apesar de para alguns fazer sentido, para mim soa um grande exagero.

Em 2004, a banda já estava consolidada como uma das maiores (e mais polêmicas) de sua geração, quando lançou "Soundtrack To Your Escape". Nesse disco a porca torceu o rabo sem dó. Era barulhinho por todo lado, "pipipi" a dar com o pau, umas batidas meio esquisitas e até umas paradas meio eletrônicas. Quem ainda tinha uma ponta de esperança, largou mão. Eu, que sou um pouco mais cabeça aberta, demorei um bom tempo pra assimilar as ideias do disco. Hoje, acho um dos melhores.

O último suspiro da banda (para alguns) foi com "Come Clarity", de 2006. Reunindo o melohor de ambas as fases, o disco soa como uma volta aos velhos tempos, ao mesmo tempo, que flerta com a modernidade dos discos lançados neste século. Cheio de grandes músicas, continua com algumas delas até hoje no repertório da banda, caso de "Take This Life", "Leeches" e a faixa título.

Depois de um hiato de dois anos, uma nova fase se inicia. "A Sense of Purpose" mostra que a banda jamais iria lançar um disco no estilo de "Whoracle", ou um novo "Clayman", que seja. O caminho da banda, de lá até os dias atuais, é pavimentado por canções mais melódicas, com um apelo popular, e traços modernos. Seja com "Sounds of a Playground Fading", seja com "Siren Charms", ou com o mais recente "Battles", quem ouvir qualquer música dificilmente vai imaginar que a mesma banda gravou, por exemplo, "Behind Space".

E é aqui que a mudança no som da banda começa a ser explicada. A banda sempre passou por muitas trocas de integrantes. De um tempo pra cá, elas começaram a se tornar mais constantes, e a impressão que tenho é que tanto Björn Gelotte quanto Anders Fridén (músicos com mais tempo na banda) gostam do que estão fazendo de anos pra cá, e que disco após disco, prepararam os ouvidos dos fãs para as mudanças. Mas, sinceramente, não imagino que daqui pra frente as coisas mudem muito.

Aos mais saudosistas, fica a saudade (e talvez o ódio) da banda. Aos mais amenos, que conseguem ouvir a música sem o radicalismo de um seguidor mais extremo, todos os discos podem ter seus bons momentos. Da mesma forma que "Jotun" é uma ótima música, "Deliver Us" também pode agradar.

O que não se pode negar é que tudo o que a banda fez até hoje, além de muito bem feito, sempre foi feito com o coração. eu não sou imbecil a ponto de achar que quando modificaram o som, não miraram o mercado norte americano, dando uma pisada no freio. Mas seria muita maldade julgar que de quinze anos pra cá a banda compõe e toca apenas pensando em venda de CDS. Ao mesmo tempo em que olharam para o lado comercial, buscaram evolução musical, desde o primeiro lançamento, até o último.

Faça o teste. Ouça a discografia inteira. E tente perceber que a cada lançamento, mudanças aconteceram. Para pior ou melhor, depende do ponto de vista. Fato é que a modernidade não veio ontem, tampouco de uma vez só.

Dito isso, na minha opinião, que sou fã de todos os álbuns,a banda não se vendeu. "Apenas evoluiu". E vocês, o que acham?




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Sobre Mateus Ribeiro

Fanático por Ramones, In Flames e Soilwork. Limeirense com muito orgulho (e sotaque).

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