Top 5: discos de metal nacional com nomes de outros estilos
Por Igor Miranda
Postado em 21 de fevereiro de 2017
Há quem diga que metal e outros gêneros musicais não se misturam. É um equívoco que a lista abaixo trata de desmentir.
Neste artigo, compilo cinco participações de nomes consagrados em outros segmentos em discos de bandas brasileiras de metal. Uma das colaborações sequer envolve uma personalidade ligada à música.
Veja:
Henrique Portugal
O tecladista Henrique Portugal, notável por seu trabalho com o Skank, tocou em três discos do Sepultura. Ele era vizinho dos irmãos Cavalera e os conhecia desde os primórdios da banda.
Portugal tocou teclados e sintetizadores nos discos 'Schizophrenia' (1987), 'Beneath the Remains' (1989) e 'Arise' (1991). Paralelamente, ele tocava com Samuel Rosa, desde 1983, em uma banda de reggae chamada Pouso Alto.
O último disco gravado por Henrique Portugal com o Sepultura foi gravado no mesmo ano em que o Pouso Alto se transformou em Skank, já com o baixista Lelo Zaneti e o baterista Haroldo Ferretti. A banda mineira de 'reggae rock' só atingiu o estrelato em 1994, com o disco 'Calango'.
Em entrevista ao iG, Samuel Rosa contou que, em 1991, o Skank ainda era citado como o projeto de um ex-membro do Sepultura. 'Quando fizemos um de nossos primeiros shows fora de Minas Gerais, um jornal paulista noticiou assim: 'Banda de reggae de ex-integrante do Sepultura toca em São Paulo'', diz, aos risos.
Milton Nascimento
O lendário cantor de MPB Milton Nascimento fez uma participação especial em 'Late Redemption', faixa do álbum 'Temple Of Shadows' (2004), do Angra.
Não é segredo para ninguém que a banda de power metal misturava elementos da música brasileira em suas canções. Contudo, foi a primeira ocasião em que uma lenda de outro gênero participava de um disco do grupo.
'Late Redemption' chama a atenção por ter uma letra cujos versos variam entre o inglês e o português. E cada parte é cantada por um dos vocalistas: os momentos anglo-saxões são de Edu Falaschi e as partes lusófonas são de Milton Nascimento.
Em entrevista à revista 'Dynamite', Edu Falaschi contou como os membros do Angra chegaram ao nome de Milton Nascimento para uma participação no disco. 'A idéia do Milton (Nascimento, cantor) veio de quando o Kiko estava mostrando uma música, eu cantei imitando o Milton, brincando, e disse que a música tinha tudo a ver com ele. Fizemos a proposta, ele adorou e gravou', disse.
Além de Milton Nascimento, o disco 'Temple Of Shadows' conta com as participações dos vocalistas Kai Hansen, Hansi Kürsch e Sabine Edelsbacher, além dos músicos Sílvia Góes, Yaniel Matos, Douglas Las Casas e Michael Rodenberg.
Silvio Luiz
O icônico radialista e locutor esportivo Silvio Luiz fez uma participação curiosa na música 'Futebol, Mulher e Rock n' Roll', do Dr. Sin. A faixa está presente no álbum 'Insinity' (1997).
A peculiar participação de Silvio Luiz consiste em narrar uma partida de futebol ao longo da música. Os inconfundíveis bordões do locutor esportivo, é claro, aparecem durante a canção.
Em entrevista ao Whiplash.net, no ano de 2006, os irmãos Andria e Ivan Busic relembraram a parceria. 'Na época do 'Insinity', a gente já estava gravando, aí me deu um estalo no corredor da gravadora: 'pô, a gente tem que gravar com o Silvio Luiz'. Fomos até ele e pedimos para ele cantar, aí ele disse que não sabia cantar em inglês, então a gente falou: 'se você for participar, a gente faz uma música em português'. Assim nasceu a música', disse Ivan.
O baterista disse, ainda, que a música veio em boa hora. 'Era véspera da Copa do Mundo (da França, em 1998), e é uma música bem alto astral. Aí fomos fazer o clipe, do qual a Mariana Ximenes participou também, e queríamos botar ele na banheira, só de fralda. Aí ele ficou pê da vida, deu um esporro na gente, mas tudo do jeito dele, muito engraçado, como se fosse um paizão', afirmou.
Andria, por sua vez, revelou que os músicos da banda mantiveram contato com Silvio Luiz após a parceria. 'Inclusive nós ficamos amigos da família dele, da esposa, dos filhos, após esse clipe. E ele sempre foi um ídolo para nós, eu e o Andria passamos a infância vendo jogo somente com a narração dele, jogávamos futebol de botão imitando ele', disse.
Ao longo de 'Insinity', também há a participação do vocalista Michael Vescera, na música 'No Rules', e Jonathan Mover, em 'Insomnia'. Vescera viria a ser uma espécie de co-vocalista do Dr. Sin anos depois.
Em uma publicação no Facebook, de junho de 2013, Silvio Luiz chegou a brincar ao relembrar sua participação na música. 'Já fui cantor. Duvida?', disse, na postagem, acompanhada do clipe de 'Futebol, Mulher e Rock n' Roll'.
https://www.facebook.com/silvioluizoficial/posts/218369291644065
Rappin' Hood
O rapper Rappin' Hood faz participação na música 'Onisciente Coletivo'. A faixa em questão dá nome ao disco lançado pela banda em 2002.
A canção, que também tem a participação do guitarrista Marcelo Munari (Pavilhão 9), mistura hardcore/crossover tradicional do Ratos de Porão a um rap, feito no último minuto da música, por Hood.
Em entrevista ao jornal 'Folha de S. Paulo', no ano de 2002, João Gordo explicou a escolha pela parceria. 'Gosto de rap há muitos anos. Rap brasileiro, que eu entendo a letra, é muito melhor que rap gringo', disse.
Mais recentemente, em participação no canal de YouTube 'Panelaço', de João Gordo, Rappin' Hood relembrou a parceria com o Ratos de Porão. 'Você tem que ir ao meu programa de rádio, já toquei essa música várias vezes. E estamos em um momento em que a música está bem atual', afirmou.
Falcão
Falcão, um dos sujeitos mais icônicos do brega, registrou uma participação na música 'The Mummy', do Massacration. A faixa faz parte do segundo álbum da banda, 'Good Blood Headbangers' (2009).
Como de costume da carreira do artista e da banda, a participação foi recheada de bom humor. '(A música) É sobre uma múmia do faraó que fica 2.000 anos sem sexo e sai com um pênis gigantesco atrás de vítimas. A minha voz aguda com a voz dele que nem sei definir como é. Parece um animal, um falcão. Ficou perfeito o casamento', disse a banda, em bate-papo com internautas no site UOL, no ano de 2009.
Ao G1, também em 2009, Detonator explicou o apreço por Falcão, em um tom de humor, mas com algumas verdades no meio. 'Falcão, na verdade, é um gênio. O heavy metal é um meio nojento, podre, onde um quer ver a caveira do outro. Os artistas de heavy metal fedem. [...] Muitas dessas bandas invejam o Massacration e copiam o Massacration. Por isso a gente procura mestres fora do heavy metal e o Falcão é um deles. Ele foi o primeiro que acabou com os preconceitos no Brasil, com os preconceitos linguísticos, se podemos dizer assim. Foi o primeiro a sacanear os EUA com as suas letras. Por isso gostamos dele, da atitude dele', disse.
Dois anos depois, em 2011, Falcão disse, em press-release divulgado pela banda Comitiva do Rock, que foi fã de rock na juventude. 'Na minha juventude, ouvi muito Pink Floyd, John Lennon e principalmente Elvis, o que explica minha voz e meu inglês joiado. Quem conhece minha música 'Sacanagem é Roxa', vai notar que também sou grande fã do AC/DC. Mas o que eu nunca revelei numa entrevista antes, é que eu gosto mesmo é de rock paulera! Pode me chamar de metaleiro, pois eu sou metal', afirmou.
Comente: Você é dos que acham que metal não se mistura ou pensa que é o contrário, tem que se misturar?
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