Journey: reunião com Perry é mistério e a história não ajuda

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Por Lucas Esteves, Fonte: Rolling Stone, Fan Asylum, Jou
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Muita expectativa tem sido depositada em uma possível reunião da formação clássica do JOURNEY durante a celebração do Rock n Roll Hall of Fame, programada para o mês de março em Cleveland, nos Estados Unidos. Após a aprovação do grupo para a homenagem por meio de uma bem-sucedida votação popular, jaz agora a questão: STEVE PERRY aparecerá no evento para dividir o palco com os ex-colegas?

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A história mostra que sim e não. Mas o 'não' é o mais provável a acontecer naquilo que os fanáticos da banda mais desejam: uma reunião para uma performance musical. A explicação está em outra ocasião festiva do Journey ocorrida em 2005. Na época, o grupo teve a honra de receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood e uma cerimônia foi organizada em 21 de janeiro de 2005, uma ensolarada sexta-feira.

Supostamente, todos os membros do Journey – atuais e passados – deveriam comparecer ao evento e receber honrarias e fazer discursos. Entretanto, ninguém fazia a menor ideia se Perry sequer sabia do fato. Quem dirá aparecer por lá e fazer a sua parte.

O cantor estava desaparecido da vida pública e artística desde que deixou a banda por se recusar a fazer uma cirurgia reparadora de um problema nos quadris em 1998. A decisão acabou se tornando um muro para sempre intransponível entre ele e o guitarrista fundador do grupo, NEAL SCHON.

Não satisfeitos em cultivar rusgas à distância, o caldo ficou ainda mais entornado quando, em 2001, Schon encheu o saco do temperamento arredio e problemático de Perry e resolveu montar uma nova formação do Journey, contando com o cantor STEVE AUGERI (Ex-TYKETTO), para seguir em frente com o próprio legado. Naquele mesmo ano, o canal musical VH1 ajudou a piorar de vez as relações ao editar um 'Behind The Music' contando a história do grupo.

Neste documentário – disponível no Youtube nas versões compacta e estendida – Steve Perry não tem papas na língua e afirma que nunca se sentira de verdade parte do grupo, no qual entrou apenas na gravação do quarto disco e sendo o terceiro a ocupar o posto de vocalista. Perplexo, Schon respondeu ao desabafo do cantor: 'Como você pode não se sentir parte de algo que em determinado momento você controlou completamente?'.

Devido a tantos desentendimentos, Schon não sabia absolutamente nada de Perry fazia muitos anos no dia em que a homenagem ao Journey aconteceria em Los Angeles. Sobre o assunto, conversou com o jornalista da Rolling Stone Jolie Lash pouco depois que o encontro da banda ocorreu e contou bastidores de algo que, no dia, foi chocante. Simplesmente Steve Perry apareceu e participou do evento, de terno preto e cabelos castanhos em um penteado pra lá de brega, sorridente como uma criança, amigável com todos e orgulhoso do legado da banda.

'Eu não sabia nada sobre isso, e ninguém mais também. Andamos da parte de trás (da calçada) até a frente, onde todos estavam, e lá estava ele. Era a primeira vez em nos víamos – ou falávamos – em mais ou menos sete anos', lembrou Schon à revista. Neste dia, além da atual formação do Journey (Neal, Ross Valory, Jonathan Cain, Augeri e Deen Castronovo), estavam presentes o ex-vocalista Robert Fleischman, os ex-bateristas Steve Smith e Aynsley Dunbar e o ex-guitarrista George Tickner.

O guitarrista recordou que houve ainda uma espécie de 'encenação' ao vivo patrocinada pelo DJ Mark Thompson, do programa Mark & Brian Show, da rádio KLOS, ocorrida na véspera da homenagem. '[O DJ perguntou] 'Steve estará lá?'. Eu disse 'vocês têm o número dele? Vamos ligar e convidá-lo'. Eles tentaram entrar em contato, mas não conseguimos. No final, Mark fingiu que era Steve Perry e eu disse: 'estou te convidando pessoalmente. Você precisa estar lá. Você tem muito a ver com isso'. Aparentemente, ele ouviu este programa enquanto dirigia na auto-estrada', contou.

Este, amigos, foi o nosso 'sim'. O problema, é o 'não'.

O encontro e a cerimônia aconteceram na manhã da sexta-feira. À noite, no House Of Blues, houve uma celebração musical da homenagem ao Journey, um show muito esperado e cujos ingressos se esgotaram em apenas três minutos três dias antes. Afinal, o mistério cercava a apresentação e o impensável poderia acontecer.

Muitos famosos compareceram ao evento e, durante o show, foi dito que haveria várias surpresas. Porém, a maior de todas acabou não acontecendo. Steve Perry manteve seu perfil arredio, voltou para casa e não cantou uma só nota com seus ex-colegas, deixando muitos que estavam no local bastante decepcionados. O jeito foi se contentar com as presenças de Smith, Dunbar, Tickner e Fleischman participando especialmente das canções 'Wheel In The Sky', 'Lights', 'Chain Reaction', 'Walks Like A Lady' e 'Voodoo Child'. Quase passou batido o fato de que o primeiro cantor do grupo, o também tecladista Greg Rollie, foi quem não deu as caras.

Dias depois, 'The Voice' falou sobre o recebimento da estrela na Calçada da Fama - em uma das raras postagens anuais que faz no site Fan Asylum - e agradeceu aos fãs. Ao longo do relato, deixou escapar nos detalhes o quanto sua intimidade com Neal Schon é quase nula e as pendências do passado são uma espécie de fantasma.

'Quando estávamos tirando fotos em frente à estrela, Jon Cain estava ao meu lado. Eu disse a ele: 'você sabe o que tem ali naquela calçada? Grandes canções. Parabéns, Jon'. Ross Valory era o nosso cello dos baixistas. Foi divertido vê-lo fazer palhaçadas de novo. Foi realmente ótimo rever Steve Smith e Aynsley Dunbar mais uma vez depois de tantos anos. Que bateristas perfeitos eles foram para a música do Journey, e os dois se esforçaram pra caralho para isso. Eu disse a Neal 'parabéns' enquanto ele estava lá de pé fazendo graça ao lado de Hecle e Jeckle, ou como os fãs conhecem, Mark e Brian, da KLOS'.

Ele aproveitou também para reclamar do que chamou de 'violação completa' de sua privacidade no episódio da tentativa de chama-lo para a cerimônia ao vivo no ar e garantiu que o fato, além de não ter sido ouvido por ele, não influenciou sua decisão. Ou, talvez, quase.

'Quero deixar uma coisa muito clara: eu pensei sobre essa cerimônia por bastante tempo. E na maior parte desse tempo, eu achei que a melhor decisão seria não ir, devido à nossa nova separação em maio de 98. Eu sabia que seria minha, e apenas minha, a decisão de ir ou não, e ninguém poderia me influenciar nisso. Depois que decidi ir, na manhã de 20 de janeiro, eu estava indo em direção ao norte de Los Angeles. Ao passo em que me aproximava, eu liguei na KLOS e ouvi M&B e aquilo que eles queriam fazer. Então eu rapidamente desliguei, pra que assim eu ainda tivesse vontade de comparecer ao nosso evento. Estou tão feliz que fui.'

Nenhuma palavra sobre o show recusado.

E, no último dia 20 de dezembro de 2016, mais uma mensagem dúbia com a cortesia de Steve Perry, novamente no Fan Asylum.

'Estou verdadeiramente grato pelo Journey ter sido indicado ao Rock & Roll Hall Of Fame'.

Nenhuma palavra sobre a futura apresentação.

O dia 30 de março promete.

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