Blind Faith: como a fé cega em um jovem deus fez surgir o primeiro supergrupo
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 20 de fevereiro de 2016
O que falar de uma banda que, antes mesmo de anunciar oficialmente a sua formação, já era idolatrada pelos fãs e pela imprensa, cercada por uma expectativa tão grande que os seus integrantes, fazendo piada de si mesmos, escolheram o nome "blind faith" para batizá-la?
Estamos em 1969, vivendo em um mundo que presencia os momentos finais dos Beatles, onde os Rolling Stones ainda não são gigantes e o Led Zeppelin dá seus primeiros passos. Neste contexto vivia um garoto inglês que, apesar da pouca idade, já era chamado de deus, e cuja simples presença em qualquer projeto sacudia não apenas a cena musical, mas o próprio mundo. Esse garoto chamava-se Eric Clapton.
Depois de fazer parte dos Yardbirds e apresentar a música dos negros norte-americanos para os garotos brancos ingleses, gravar um dos álbuns mais importantes da década ao lado dos Bluesbreakers de John Mayall e injetar doses maciças de peso ao rock junto com os comparsas Jack Bruce e Ginger Baker no Cream, Clapton encontrava-se em uma encruzilhada: ele poderia entrar em uma banda, formar o seu próprio grupo ou seguir carreira solo. Todas eram possibilidades.
O Blind Faith surgiu quase que por acaso. Em busca de diversão, Clapton convidou o amigo Steve Winwood e, juntos, começaram a levar algumas jams. Ginger Baker ficou sabendo da empreitada, e quis se juntar à dupla. A princípio Clapton foi contra, pois era da opinião que a presença de Baker transformaria o que era para ser uma simples reunião de amigos em algo muito maior, mas foi vencido pela insistência do baterista e de Winwood. Dos ensaios regados a longos improvisos foram surgindo as primeiras ideias para algumas músicas próprias, assim como a necessidade de um baixista para completar o grupo. Rick Grech, do Family, foi convidado e aceitou de imediato. Assim nascia o Blind Faith, o primeiro supergrupo da história do rock.
Gustavo Anunciação Lenza | Luis Alberto Braga Rodrigues | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A notícia que os quatro estavam compondo juntos logo vazou, gerando uma enorme expectativa na imprensa e nos fãs, que prontamente profetizaram que Clapton, Winwood, Baker e Grech gravariam um dos melhores álbuns que o rock haveria de ver nascer.
Apesar dos exageros, eles não estavam errados. A coletiva crença absoluta que levou os quatro a batizarem o projeto como Blind Faith, revelou-se verdadeira com o lançamento do autointitulado debut, em julho de 1969. O álbum está cravado sobre dois sólidos alicerces: a belíssima "Can´t Find My Way Home" e a antológica "Presence of the Lord". A primeira é nada mais nada menos que o melhor registro de Steve Winwood, uma das mais belas vozes que o rock deu ao mundo. Sobre o violão de Clapton, Winwood entrega uma belíssima linha vocal, alternando momentos em que usa sua voz de forma natural à falsetes antológicos. O resultado é estupendo, justificando em sua plenitude os pré-conceitos sobre o grupo.
Já "Presence of the Lord" é a conversa de Clapton com Aquele com o qual era comparado. Cantada de forma magnífica por Winwood, transformou-se em uma das mais emblemáticas canções do guitarrista, tanto pela sua letra belíssima quanto pelo solo inesquecível repleto de wah-wah, onde Clapton parece querer mostrar que, apesar do advento de Hendrix, ainda possuía algumas cartas na manga.
Além de "Can´t Find My Way Home" e "Presence of the Lord", mais quatro músicas completam o disco de estreia do Blind Faith. "Hard to Cry Today", a faixa de abertura, é um hard como só se fazia no final da década de 1960, e cuja receita se perdeu com o tempo. "Well All Right" coloca groove no som do grupo, com um resultado final que antecipava os caminhos ensolarados que Clapton trilharia em álbuns como "461 Ocean Boulevard" (1974). O belo solo de violino executado por Rick Grech em "Sea of Joy" é outro momento inesquecível, enquanto a longa "Do What You Like" traz solos individuais de cada integrante, com destaque para Ginger Baker.
Além da música, Blind Faith trazia mais um atrativo. Sua capa, onde a filha de Baker posava com o peito nu e segurando um avião pra lá de fálico, causou grande polêmica na época, gerando inclusive a proibição da venda do disco nos Estados Unidos, o que levou a gravadora a lançar uma versão exclusiva para o mercado ianque, com uma imagem do quarteto substituindo a capa original.
Após o lançamento do disco, o quarteto, cercado por empresários, agendou e realizou uma turnê pelos EUA. A pressão aumentou, os compromissos também, e, ao perceberem, os quatro estavam novamente vivendo aquilo que justamente queriam evitar quando juntaram forças. O que era para ser um prazer se transformou em obrigações sem fim, e isso levou os quatro a decretarem o fim da banda.
Passados mais de 40 anos de seu lançamento, "Blind Faith" ainda é um dos pontos mais altos da carreira de Eric Clapton, Steve Winwood, Ginger Baker e Rick Grech. Um álbum que vale a pena ser (re) descoberto, juntamente com o ao vivo London Hyde Park 1969, que saiu em vídeo e mostra a apresentação dos caras no lendário parque inglês.
Para quem quiser conhecer, uma boa pedida é a versão estendida lançado há pouco tempo e repleta de faixas extras, traçando o documento definitivo sobre o Blind Faith.
Muito mais que recomendável, histórico.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O artista que é "a essência do rock", segundo James Hetfield do Metallica
Baterista de Piracicaba vence concurso do Metallica com galinha de borracha
A música esquecida do Led Zeppelin que Robert Plant acha simplesmente "linda"
A música do Pink Floyd que David Gilmour nunca mais vai tocar ao vivo
Os 100 melhores álbuns da década de 1980, em lista da Classic Rock
As três músicas punk que Lemmy escolheu entre as maiores de todos os tempos
O hit do Foo Fighters que Dave Grohl odeia: "Parece uma canção dos Eagles"
Capital Inicial cancela shows nos Estados Unidos após vistos negados
A banda clássica dos anos 2000 que virou paródia de si mesma, segundo Regis Tadeu
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
Ripper Owens elege o maior cantor da história: "Boa margem sobre qualquer outro"
A letra de Ronnie James Dio que Tony Iommi e Geezer Butler quase vetaram
Dave Mustaine classifica Teemu Mäntysaari como o guitarrista que sempre procurou
O clássico do Black Sabbath que foi lançado há mais de 50 anos, mas continua atual
58 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil em julho
Os 20 maiores cantores de todos os tempos, na opinião de Ozzy Osbourne
O hit de Rita Lee que é versão dos Beatles com história do amor entre bode e cabra
Heavy Metal: os 11 melhores álbuns da década de 70 segundo o Loudwire

Téléphone: A banda que revolucionou a música francesa
Presença de Palco: dicas para iniciantes
George Harrison: O Beatle calado, sempre à sombra de Lennon e McCartney
