Jeff Buckley: renda-se ao talento de um músico genuíno

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Por Danilo F. Nascimento
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Jeffrey Scott Buckley nasceu em Anaheim, pequena cidade situada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Jeff Buckley, como ficou conhecido, era filho de Tim Buckley, lenda da música folk norte-americana.

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Jeff optou por seguir carreira na música ainda muito jovem. Quando cursava o colegial já ansiava por uma oportunidade de despontar no mercado fonográfico, porém, sempre teve um profundo receio de não conseguir sair das "asas" de seu pai. O músico sempre ficou apavorado com a ideia de não atingir o sucesso do pai e ser cobrado para isto.

Mas a história que pudemos presenciar, provou-nos justamente o contrário. Jeff tornou-se um artista independente e completamente desvencilhado das amarras que envolviam o legado cultuado de Tim Buckley.

Jeff Buckley faleceu em 19 de maio de 1997, com apenas 30 anos de idade. Antes, porém, lançou um dos álbuns mais requintados e poéticos da história da indústria fonográfica. Grace, de 1994, é um dos melhores álbuns de todos os tempos.

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Jeff era um músico dotado de talento ímpar. Dono de uma das vozes mais belas do showbiz, o músico podia tocar guitarra tão bem quanto cantava. O cantor era tenor e o seu alcance podia variar entre A1 e F♯6.

Tudo por trás do álbum soa incrivelmente consistente e singular. Podemos encontrar os mais variados denominadores para mensurar o esta obra. O disco era mágico, magnífico, belo, grandioso e dotado de um senso poético absolutamente irrepreensível.

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Convém salientar que a obra musical de Jeff Buckley aparece quase sempre em registos semi-acústicos, com guitarras sem distorção e harmonias vocais esteticamente impecáveis.

Embora nunca tenha alcançado o reconhecimento comercial de outros conterrâneos da mesma época, o artista ganhou o status de cult, e angariou adeptos e seguidores em todo o mundo.

No próximo dia 23 de agosto, Grace completará 21 anos, e prestarei uma singela homenagem ao legado de Jeff Buckley, analisando faixa a faixa, aquele que, indubitavelmente, é um dos melhores álbuns já gravados.

01. Mojo Pin

As transposições nas guitarras e os vocais solenemente sofríveis e sentimentais são os pontos altos da canção. "Mojo Pin" retrata a dependência química de Jeff. O jovem exagerava consideravelmente na ingestão de entorpecentes para conseguir lidar com as perdas da vida.

02. Grace

A faixa que dá nome ao álbum é magistral. A canção levanta pontos como o medo, a mortalidade e o amor. Não por acaso, a impostação e colocação da voz de Buckley lembra, vagamente, as performances apresentadas por Robert Plant no final dos anos 60.

Mais tarde, Jeff admitiu que seus grandes ídolos eram Robert Plant, Van Morrison e Freddie Mercury. Esta canção soa como a primeira vez em que você vivencia um romance. Você, simplesmente, não consegue conter a empolgação e o desejo de seduzir e ser seduzido pela pessoa amada.

03. Last Goodbye

Dotada de groove e perspicácia, "Last Goodbye" chega para chutar a sua porta. Aqui vemos um ótimo trabalho rítmico da banda de apoio de Jeff. A canção é uma uma ode à loucura emocional, quando sentimentos são tudo e nada no mesmo compasso. O maestro Jeff Buckley dita o ritmo da dança e distribuí o último adeus.

"Last Goodbye" traz à tona todas as qualidades da obra do músico. Um lirismo poético sobrenatural, seguido de excelentes trabalhos nas guitarras, com um punhado muito bem vindo de orquestrações simples, porém, muito bem elaboradas.

04. Lilac Wine

Neste clássico da excepcional cantora Nina Simone, Jeff Buckley transborda emoção e assombra corações com a sua impostação fora de qualquer suspeita. Certa vez, o músico Matt Bellamy admitiu ter conhecido o trabalho de Nina Simone por meio deste cover de Jeff Buckley. O líder do trio britânico Muse aventurou-se pela discografia ímpar da cantora e resolveu gravar o clássico "Feeling Good" com sua banda. Os vocais de Jeff nesta canção são nada menos do que excepcionais.

A canção pode ser vista como uma declaração ou até mesmo um desabafo de um corpo cansado de lutar, ou ainda, retratar a resiliência de obter o tão sonhado poder de superação. Inclua a teatralidade de Jeff Buckley à sua interpretação ímpar e terá uma das melhores regravações da história da música.

05. So Real

Aqui vemos o medo estampado em toda a ambientação da canção. Jeff Buckley parece querer algo, mas tem receio de falhar. Há angústia e dor por todos os lados. Trata-se de uma trama interpretada por Jeff e sua banda, onde não se sabe se o final será real.

06. Hallelujah

Esta brilhante composição de Leonard Cohen, é uma das canções mais regravadas da história. Miljenko Matijevic e Jon Bon Jovi são apenas dois dos músicos que interpretaram este clássico atemporal. Porém, para o próprio Cohen, a melhor interpretação desta canção foi mesmo de Jeff Buckley. É inexplicável o sentimento que envolve o ouvinte durante a audição. A canção fala e conversa com todos os povos, independentemente da religião de cada um. Ela é épica e sua linguagem é universal.

07. Lover, You Should've Come Over

"Lover, You Should´ve Come Over" é, certamente, uma das canções de amor mais bonitas já escritas. É tão genuína, quanto poética. Conduzida por uma guitarra e a voz angelical de Jeff, a canção é passional, solitária e trata de diversos temas envolvendo relacionamentos.

É uma faixa introspectiva e figura cativa na playlist de qualquer ser humano que tenha amor pelos seus próprios ouvidos. Aqui, Jeff dialoga com o ouvinte em uma conversa legitimada por um torpor que forma uma sintonia impressionante. Se você já amou e sofreu por amor, possivelmente se identificará com os versos singelos esculpidos nesta canção.

08. Corpus Christi Carol

Uma canção religiosa, interpretariam alguns. Espirituosa, interpretariam outros. Aqui, Jeff Buckley contrasta sua potência vocal com harmonias dotadas de uma sensibilidade única e deveras intangível.

09. Eternal Life

"Eternal Life" é a faixa mais pesada do disco. É um verdadeiro canto de libertação. É possível notar toda a versatilidade vocal de Jeff, que vagueia por toda a sua extensão vocal de forma formidável. O tema "vida eterna" pode ser interpretado de maneira ambígua na canção, que trás referências de inúmeras vertentes do rock, incluindo rock alternativo, funk rock e jazz fusion.

10. Dream Brother

O perfeccionismo de Jeff Buckley sempre tomou a dianteira de seus processos criativos. Sua excruciante vontade em transformar sua obra em algo perfeito, foi o que fez seu disco chegar tão perto disso. O álbum soa tão grandioso, quanto épico ou majestoso, mesmo levando em consideração a simplicidade com que as sessões de gravação transcorreram. "Dream Brother" é o cruzamento perfeito entre o Led Zeppelin e o Nusrat Fateh Ali Khan.

Esta estupenda canção age como uma síntese de todas as faixas anteriores e encerra o álbum com chave de ouro, deixando um gostinho insaciável por mais. Infelizmente, Jeff Buckley não teve tempo de nos brindar com outro álbum, mas deixou em poder da humanidade a possibilidade deleitar-se com os prazeres que a audição de Grace pode proporcionar.

O legado de Jeff Buckley é inexpugnável. Seu carisma, talento e sua voz de brilho estonteante, foram responsáveis por influenciar incontáveis gerações de músicos mundo afora.

Thom Yorke, Matt Bellamy, Jimmy Gnecco, Tom Chaplin, Myles Kennedy, Josh Homme, Richie Kotzen, Chris Cornell, John Frusciante, Ryan Adams, Rufus Wainwright, Elliott Smith e Chris Martin, são apenas alguns dos nomes que já admitiram, publicamente, serem estreitamente influenciados pelo trabalho elaborado por Jeff Buckley em Grace, que, ao lado de Ok Computer (Radiohead), pode ser considerado a grande obra prima musical dos anos 90.

Sua vida inspirou a concepção e elaboração do documentário "Amazing Grace", que estreou em 2004. O documentário expõe a vida, música e o talento de Jeff, tendo sido contemplado com críticas positivas de público e mídia. Nele, é possível ter acesso à entrevistas com os membros da sua banda, amigos, familiares, produtores, fãs e excertos de atuações.




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Sobre Danilo F. Nascimento

Administrador por casualidade. Músico por instinto. Escritor por devaneio. Fascinado por música, literatura e cinema. Seu primeiro contato com o mundo do rock data de meados dos anos 90, uma época de transição entre o analógico e o digital, e, principalmente, uma época onde a MTV ainda era aprazível e relevante. Idolatra e cultua o legado instituído pela maior banda de todos os tempos, o Queen.

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