Destruction: os anos noventa e a história não contada da banda

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Por Adriano Souza
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O DESTRUCTION é uma das bandas mais celebradas entre os fãs de metal e principalmente o pessoal da "velha guarda" que vivenciou a ascenção do thrash-metal na metade dos anos oitenta.

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Com trinta anos de carreira, o trio liderado por MIKE SIFRINGER (guitarra) e MARCEL SCHMIER (Voz/Baixo) vem mantendo-se relevantes no cenário do metal mundial, dividindo a coroa de "reis do thrash-metal alemão" com seus compatriotas do KREATOR, SODOM e TANKARD.

Apesar de ser um grande fã e gostar muito dos discos clássicos da banda, hoje eu gostaria de falar um pouco sobre a fase mais polêmica e obscura, o chamado "NEO-DESTRUCTION", alcunha criada pelos fãs para designar o DESTRUTION que fora reativado na metade dos anos noventa, fase essa que a própria banda tenta esconder dos fãs.

Antes porém precisamos voltar a 1989, ano em que a banda voltava de uma bem sucedida turnê mundial promovendo o álbum "RELEASE FROM AGONY" (fazendo um show no Brasil inclusive) mas que também desencadeou um processo de grandes mudanças, já que MIKE SIFRINGER, guitarrista e principal compositor da banda, interessava-se cada vez mais pelo thrash americano e os grandes nomes do gênero como TESTAMENT, EXODUS, OVERKILL e afins, que por sua vez eram mais técnicos e cadenciados do que o Thrash alemão que é tradicionalmente mais ríspido e direto.

MIKE, convicto do que almejava para a banda, resolve demitir o baixista / vocalista SCHMIER e gravar um novo álbum entitulado "CRACKED BRAIN", que seria o último trabalho pela gravadora STEAMHAMMER, já que o álbum, na época de seu lançamento, decepcionou os fãs pela ausência do antigo frontman e sua voz esgarçada característica. A indeferença dos fãs e principalmente a demissão de SCHMIER havia custado caro para o DESTRUCTION, já que a banda literalmente implodiu logo após o lançamento do álbum e nou houve gravadoras interessadas em lançar novos discos da banda sem que SCHMIER retomasse seu antigo posto. Um final de carreira um tanto melancólico para uma banda que até pouco tempo havia sido um importante nome dentro cena metaleira underground, ainda que no final da estória, este não seria ainda o seu fim.

MIKE, diante da tragédia, tinha apenas duas escolhas: Chamar SCHMIER de volta à banda e fazer o som característico pelo qual a banda tornou-se conhecida, ou lançar sua música, seja ela qual fosse, de forma totalmente independente. Ainda que a antiga gravadora (SPV / Steamhammer) fosse um selo bem pequeno, era eficaz em atender o nicho underground, ao passo que gravar um disco por conta própria, significava limitar drasticamente sua distribuição e ainda arriscar levar prejuízo, haja visto a baixa popularidade da banda naquele momento.

Foi então que em 1993 MIKE decide contrariar a expecativa dos fãs e escolhe trilhar o caminho mais tortuoso, reformulando o Destruction com os novatos THOMAS ROSENMERKEL (voz), MICHAEL PIRANIO (Guitarra) e CHRISTIAN ENGLER (Baixo), além do já conhecido OLLY KAISER, baterista da banda desde os tempos de MAD BUTCHER (1987). A reformulação da banda era a único caminho possível para MIKE, já que não tinha interesse em reunier-se com SCHMIER, tão pouco retomar a velha sonoridade, ainda que a decisão de manter o nome DESTRUCTION tenha sido questionável. De qualquer forma, deu-se início ao "NEO-DESTRUCTION", fase obscura e esquecida da banda que carregava consigo também uma ambiguidade: Um talentoso guitarrista chamado MIKE SIFRINGER que sacrificou sucesso por intergridade artítica. Sim, por mais piegas que essa última sentença tenha soado, o EP autointitulado lançado em 1994 foi concebido apenas com o talento e devoção de uma banda que naquela altura nada mais tinha a perder.

Lançado pelo recém criado selo da banda (BRAIN BUTCHER COMPACT), o EP autointitulado chega sem qualquer alarde mas causando muita estranhesa. A banda mostrava um som bastante diferente, calcado no metal moderno praticado por PANTERA, MACHINE HEAD ou próprio SEPULTURA de CHAOS AD e ROOTS, bandas que acabaram por influenciar a antiga geração de thrashers da Bay Area estadunidense e por consequência, as bandas germânicas também. Não houve banda naquela época, principalmente entre as vertentes mais pesadas do metal, que não tivesse absorvido aquela nova sonoridade, incluíndo aí o Kreator, banda conterrânea que lançara também, durante os anos 90, uma coleção de álbuns controversos, ainda que os mesmos tenham ganhado reconhecimento de pelo menos uma parcela de fãs.

Rótulos a parte "DESTRUCTION" é um verdadeiro petardo esquecido do thrash-metal, que mostra uma banda extremamente coesa, seja no sentido técnico ou artístico da palavra. As quatro músicas do o EP traziam riffs avassaladores, uma bateria complexa e vocais enlouquecidos e muito bem colocados, combinação que só não conquistou o devido reconhecimento por uma questão de "timing", entre o que a banda queria realizar e a expectativa dos fãs.

Não se sabe ao certo a razão pela qual a banda optou em lançar um EP ao invés de um álbum completo, a princípio, parecia que a intenção era sondar o interesse dos fãs para com a nova sonoridade, teoria essa que não se sustentou, pois no ano seguinte eis que surge mais um EP, intitulado "THEM NOT ME", novamente produzido e lançado pelo próprio selo da banda, concebido exclusivamente para lançar o próprio material.

Se DESTRUCTION já havia sido suficientemente maluco, THEM NOT ME elevou a insanidade da banda para o próximo nível, mostrando um som ainda mais cadenciado e inesperado. A faixa de abertura "SCRATCH THE SKIN" apresentava uma estrutura musical bastante ousada para época, com "paradas" e grooves interferindo no andamento da música a todo momento, ao passo que "MENTALLY HANDICAPPED ENTERPRISE" mostrava um thrash quase a moda antiga, rápido e impiedoso.

Mas se a máquina do Destruction estava funcional e em plena atividade, o mesmo não poderia ser dito de sua reputação entre seus fãs. A empreitada musical do quinteto havia sido demasiadamente ousada para que os fãs, geralmente conservadores, a vissem com bons olhos e isso, somado à pequena capacidade da banda distribuir seus discos fazia com que a banda tocasse pouco, realizando shows em pequenos clubs locais, ainda que isso fosse apenas um detalhe para a banda: Mais importante do que continuar fazendo música, era continuar a fazer música que eles queriam fazer, o que nos leva ao derradeiro trabalho: "THE LEAST SUCCESSFUL HUMAN CANNONBALL", lançado quanse três anos depois, em 1998.

O último trabalho do chamado "NEO-DESTRUCTION" viria em forma de full-length: O primeiro e único da banda com esta fromação. THE LEAST SUCCESSFUL HUMAN CANNONBALL é de longe o trabalho mais odiado dessa fase por um simples razão: É o mais surtado, com passagens jazzísticas misturadas a thrash-metal, contando inclusive com um baixo funkeado, tocado em "slap" em diversas faixas. Se THE LEAST SUCCESSFUL HUMAN CANNONBALL sofre até hoje rejeição por parte dos fãs, por um outro lado, quem curte essa fase da banda invariavelmente o considera como o melhor trabalho desse período. THE LEAST SUCCESSFUL HUMAN CANNONBALL, propositadamente ou não, ironiza o próprio estado em que a banda encontrava-se, exibindo em sua arte de capa, já sem o logotipo característico da banda, um homem-bala com a cabeça enfiada em um canhão, sugerindo que a banda fosse o próprio personagem: Alguém que voluntariamente havia escolhido ser lançada para onde quer que fosse, mesmo que isso lhe custasse a própria existência.

Curiosidades:

- Quando MIKE e SCHMIER reuniram se para a volta da formação clássica, era comum jornalistas desconhecerem totalmente os três trabalhos da era "NEO-DESTRUCTION".

- O site oficial da banda menciona os três lançamentos mas os categorizam como "Discografia não oficial".

- Os três trabalhos jamais foram reeditados e permanecem como itens raros entre coleionadores.

- MIKE SIFRINGER frequentemente declara ter bastante orgulho daqueles discos, apesar da quase total desaprovação dos fãs.

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Post de 08 de março de 2015


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