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Transatlantic: uma breve épica viagem

Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Fonte: Site Oficial, Wikipedia
Em 05/02/14

O Transatlantic com certeza é um dos grupos, ou melhor, SUPERGRUPOS, mais subestimados das últimas décadas. Marcados pela pompa, cadência e beleza musical de seu Rock Progressivo com peças (vamos falar de músicas quando essas não passarem de 6 minutos, portanto, peças) que já chegaram a impressionantes quase 80 minutos de duração, sua sonoridade é pulsante e extremamente variada, podendo passear facilmente do jazz ao Rock com desenvoltura passando por diversos temas sem nunca perderem a sua identidade. E aproveitando a aguardada visita que esses talentosos astros farão dia 13 de Fevereiro no Brasil, marcando a estréia da banda em terras Brasileiras, irei traçar aqui um perfil de cada integrante, seu trabalho e carreira e finalmente falar da trajetória do grupo durante esses 13 bem sucedidos anos de estrada. Preparados para a viagem? Apertem os cintos e permaneçam em seus assentos, pois nosso Transatlântico da memória está partindo para alçar um grande voo!

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I - AJUSTANDO OS CONTROLES PARA CONSTRUIR A PONTE

Conheça nossos protagonistas dessa grande história: Neal Morse, Roine Stolt, Pete Trewavas e Mike Portnoy.

Vamos conhecê-los melhor.

- NEAL MORSE

Experiente e talentoso multi-instrumentista Estadunidense, Morse é mais lembrado por seus anos levando a frente o grupo Estadunidense de Rock Progressivo que o tornou conhecido, o Spock's Beard, tendo sua fase com Morse de 1995 a 2002. Algumas de suas grandes inspirações progressivas são bandas como Genesis, Yes, Pink Floyd e Kansas, além de vários outros grandes artistas como George Harrison, Eric Clapton, U2, The Who, Cat Stevens, Jars of Clay e Beatles. Morse passou também pela banda de Eric Burdon em 1997, fundou o Flying Colors em 2012 e tem uma sólida carreira solo onde trabalha seu Rock Progressivo Cristão. Em 2002 ele deixa o Spock's Beard e o Transatlantic para passar a dedicar-se somente a sua carreira solo, pois havia se convertido ao Cristianismo. Em 2009 se reuniu novamente com o Transatlantic mas continuou mantendo sua carreira solo que mantém até os dias de hoje.

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- ROINE STOLT

Guitarrista e cantor Sueco de grande destaque, Stolt é reconhecido mundialmente por sua banda principal, The Flower Kings, banda Progressiva altamente influenciada pelo Yes e guitarristas como David Gilmour e Frank Zappa. Sua pegada altamente jazzística na guitarra o diferencia de muitos outros guitarristas modernos. Um grande exemplo de sua pegada jazzística, além de sua banda principal, e aonde sua influência do jazz é mais sentida é o projeto The Tangent que criou em 2003 em parceria com o tecladista Andy Tillison do Parallel Or 90 Degrees e que abandonou em 2005 após dois álbums de estúdio. Além dele, Stolt ainda participou de projetos com a banda Kaipa, sua primeira banda em 1975, a banda de 2002 Karmakanic e marcou presença em álbums de Neal Morse e Steve Hackett. Atualmente, Stolt ainda mantém o The Flower Kings como seu projeto principal.

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- PETE TREWAVAS

Junto com Roine Stolt, o Britânico baixista Pete Trewavas faz parte da geração mais clássica do Rock Progressivo. Ele é um dos membros da icônica banda Marillion, fundada em 1979 e que continua sendo sua banda principal nos dias atuais. Suas grandes influências de Genesis, Yes, The Beatles, Camel, Radiohead e artistas como David Bowie e Peter Gabriel contribuem com a sonoridade soturna e melancólica do Marillion além da faceta mais Pop do grupo e o coloca em lugar de destaque no som do Transatlantic. Além do Marillion, Trewavas mantém outro de seus projetos pessoais, o mais obscuro Edison's Children, que participa junto de Eric Blackwood que é um fotógrafo, técnico, músico e webmaster que trabalhou com efeitos especiais em muitos projetos famosos do cinema e TV como Men in Black 3, The Bourne Ultimatum, I Am Legend, Person of Interest e Boardwalk Empire só para citar alguns.


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- MIKE PORTNOY

Apesar da aparência de New Jersey, Portnoy, nascido em Long Island, EUA, é o famoso e eterno baterista da mega banda de Metal Progressivo que o fez famoso, o Dream Theater e, apesar de não estar mais na banda atualmente, a memória coletiva ainda o associa fortemente à banda como seu projeto de maior sucesso. Seus 20 anos com o Dream Theater (1989-2009) deram a experiência e a fama de ser um dos melhores bateristas do mundo atualmente por seu trabalho. Suas fortes influências e raízes do Heavy Metal, com bandas como Metallica, Slayer e Iron Maiden se confundem com suas inspirações em bandas e artistas como Rush, The Who, Ramones, The Beatles, ELP, Yes, Pink Floyd, Genesis, Queen, Kiss, Led Zeppelin, Deep Purple, Muse, Tool e outras, fazendo de Portnoy um baterista e músico bastante versátil e que consegue facilmente navegar em estilos variadíssimos. Além do Dream Theater, já passou por projetos como OSI, Adrenaline Mob, Avenged Sevenfold, Liquid Tension Experiment, Neal Morse, Flying Colors e atualmente é baterista fixo da banda The Winery Dogs.

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II - A GENESIS: NOSSO NOVO MUNDO

O supergrupo foi uma idéia de Portnoy e Morse, grandes amigos de longeva sintonia musical e artística, como uma forma de poderem explorar terreno musical diferente daquele em que trilhavam com suas respectivas bandas principais, o Dream Theater e o Spock's Beard. Com isso em mente, começaram a procurar por gente interessada em fazer parte do projeto, e chegaram até a sondar o guitarrista Jim Matheos, da banda Fates Warning, amigo de Portnoy de longa data, que não aceitou a oferta e levou Portnoy a sondar outros de seus amigos de longa data e artistas favoritos, Roine Stolt e o baixista Pete Trewavas, que foram, segundo ele, escolhas óbvias, respectivos à seus papéis na banda.

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Para quem já sabe o que vem a ser um "supergrupo", pode pular este e o próximo parágrafo, mas para quem ficou sem entender o termo, explico: um supergrupo é aquela banda que conta com integrantes que já conseguiram anteriormente alcançar notoriedade e reputação no meio musical e com sua audiência e se juntam com a intenção de fazer algo diferenciado em suas carreiras paralelamente a sua carreira normal. Normalmente os supergrupos tem pouca duração, podendo ir de um ou dois anos a 10, ou talvez mais, enfim, não se trata do projeto principal de determinado artista, está mais para um projeto paralelo que o mesmo faz quando dá, como forma de satisfazer um desejo musical que não pode ou por alguma razão não se encaixa em seu grupo normal.

A idéia em si não é nova ou de duas décadas atrás. O próprio Cream de Eric Clapton, Crosby Still & Nash, Beck Bogert & Appice, Emerson Lake & Palmer, Bad English, o Asia de Steve Howe, o Avantasia ou o atual Chickenfoot de Satriani e Hagar são bons exemplos disso.

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Pois bem, antes de se chamarem Transatlantic, tentaram o nome "Second Nature" (referência ao Rush, talvez?), mas aceitaram a proposta de troca do nome, que veio do ilustrador Per Nordin, que acabou fazendo belíssimas ilustrações do famoso dirigível para os álbums do supergrupo, sem falar na belíssima logomarca que guarda aquela aura de banda setentista, o que faz todo sentido, pois o som dos quatro é altamente influenciado pelo Progressivo dessa década, tendo várias passagens de trechos musicais remetendo a Genesis, Yes, Floyd e similares.

Inclusive, a arte do ilustrador pode ser encontrada em alguns endereços na web, como este:

http://www.lonelyarts.com/bryce/dogrock.html

III - ...E ENTÃO, HAVIAM QUATRO...

- Fase 1: SMPT:e (Março/2000) e Bridge Across Forever (Outubro/2001)

Com o supergrupo formado, a banda decidiu começar os trabalhos de seu disco de estréia, que ficou se chamando simplesmente "SMPT:e", que nada mais são do que as iniciais de cada nome dos integrantes, além de, segundo eles mesmos, representar uma sigla para um protocolo interno de estúdios de gravação de ponta. Conceitos técnicos à parte, o disco foi altamente aclamado pela crítica e caiu no gosto do público e, segundo Robert Taylor do site Allmusic, o disco contém "algumas das melhores músicas de Rock Progressivo já escritas".

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Desta primeira empreitada, gosto de destacar sempre a peça de 31 minutos chamada "All of the Above", a fabulosa e belíssima balada "We All Need Some Light" e a peça "My New World". O disco em sua versão normal ainda conta com uma bela reinterpretação de uma peça da banda Procol Harum. Vale também destacar as duas opções de capas que o álbum possui, sendo a primeira, a favorita do ilustrador Per Nordin.

É um disco autêntico de Rock Progressivo Sinfônico, direto em sua abordagem, com seções variadas, hora rápido e ágil, direto, hora lento, reflexivo, intimista, sempre elegante ou agressivo quando a necessidade exige, um álbum focado e com uma banda entrosadíssima que sabe onde quer chegar. Não só a variedade musical impera como cada integrante traz à mesa sua experiência pessoal e identidade, há horas que ouvimos Flower Kings nos arranjos instrumentais, outras Spock's Beard nas melodias (grande parte do tempo), outras Marillion nas intervenções e em alguns arranjos de Trewavas e a versatilidade, peso e agressividade que Portnoy traz do Dream Theater. Todos os integrantes também tem seus momentos individuais para brilhar e o estilo de cada um parece mergir de forma absolutamente natural, resultando em uma grande obra musical do gênero Progressivo que enfrentou, até o momento, o teste do tempo com vigor e, creio eu, será ainda bem mais longeva no futuro.

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Com tantos rojões, o quarteto, após sua turnê pelos EUA que gerou o disco ao vivo "Live in America" (Março/2001), decidiu deixar um pouco mais de lado seus projetos principais de carreira para já lançar, no ano seguinte, seu segundo álbum, "Bridge Across Forever".

Neste segundo disco, pode-se notar que as intervenções melódicas de Morse já não estão mais tão dominantes e frequentes como no primeiro disco, a variedade aqui é muito maior do que no primeiro, o que faz com que este álbum seja não só mais diversificado e uma grande evolução se comparado ao debut da banda, mas também afirme de vez a química que já era presente no primeiro disco entre o quarteto. Assim como o primeiro disco, este também foi aclamado pelo público e crítica como uma das melhores coisas que aconteceram no Rock Progressivo nos últimos anos.

Os grandes destaques deste segundo trabalho ficam por conta das duas peças principais, "Duel With the Devil" e "Stranger in Your Soul", ambas com seus aproximados 30 minutos de duração. Há também no disco uma grande homenagem do quarteto aos Beatles na segunda faixa, coisa que a banda faz questão de reiterar nas suas turnês quando toca. Trata-se de uma grande obra progressiva onde cada integrante sente-se ainda mais motivado em mergir suas identidades musicais em esperiências únicas e com uma qualidade musical ímpar. Não se trata porém de um disco conceitual, mas a estrutura das faixas confunde-se com o termo, uma vez que vê-se temas sendo retomados em faixas diferentes do disco, como é o caso da segunda e quarta peças, fazendo aí a conexão entre idéias e conceitos. Elaborado com bastante inventividade e qualidade, o segundo disco do Transatlantic é, creio eu, o melhor da carreira do quarteto até agora, conduzindo o nível do Rock Progressivo moderno novamente para altas escalas, próximas daquelas de altíssimo nível que se via nos anos 70, período em que o estilo encontrou maior efervescência de idéias.

A turnê do álbum ainda contou com as participações do multi-instrumentista e líder do Pain of Salvation, o sueco Daniel Gildenlöw que foi até reconhecido na época como um quinto membro honorário da banda, fazendo um pouco de tudo nas turnês Europeias, que resultaram no disco ao vivo "Live in Europe" (Novembro/2003). Esta turnê não só reafirmou o Transatlantic como uma das bandas Progressivas de maior relevância da última década e dos últimos tempos como também representou o fim de uma etapa que pareceu ser um fim permanente. Felizmente, o "permanente" não prevalesceu como se verá a seguir.

- Tempus Fugit: a separação (Outubro/2002 a Março/2009)

De alguma forma, Neal Morse diz ter recebido uma mensagem de alguém do alto. Uma voz, uma entidade. Dizia que essa entidade era nada menos que Deus dizendo a ele que deveria desistir de tudo e fazer outra coisa com sua vida. Foi o momento em que o músico se converteu ao Cristianismo.

Como não pretendo ficar especulando os mistérios do universo nesta matéria, vamos apenas dizer que Neal acabou obedecendo esse chamado e deixando sua banda principal, o Spock's Beard, que tinha acabado de finalizar o álbum "Snow". E, dentre frustrações, angústias e incertezas sobre o futuro, Neal, dizendo ser obrigado a fazer a decisão mais difícil que já fez em sua vida, abandona tanto sua banda como o Transatlantic e todos os seus outros projetos. E como era de se esperar de um supergrupo, este foi o fim do Transatlantic, pelo menos por enquanto.

Neste período, que foi de 2002 a 2009 sem atividade da banda, Neal alavancou sua carreira solo de músico progressivo Cristão ou mesmo músico Cristão se preferir, uma vez que não se dedicava somente ao progressivo, em grande escala. Em seus discos solo, chamava artistas de progressivo com quem tinha contato constante para lhe ajudar, especialmente Portnoy, que continuou colaborando com Morse de forma constante. Até o icônico Steve Hackett, ex-guitarrista do Genesis fez uma participação em um de seus álbums. Desta época, quero destacar os ótimos "Testimony" (2003), "?" (2005) e o álbum "Cover to Cover" que tem versões ótimas de músicas clássicas de Rock.

Stolt e Trewavas continuaram levando em frente suas bandas principais e outros projetos, ainda elaborando grandes discos do gênero Progressivo. Destaques aqui para o excelente "Marbles" do Marillion, "Picture" do grupo Kino, "Adam & Eve" do The Flower Kings e o fantástico "The Music that Died Alone" do grupo The Tangent.

Mike Portnoy, além do Dream Theater, continuou absurdamente produtivo e participando de projeto paralelo após projeto paralelo. Na verdade era impressionante a quantidade de projetos que Portnoy abraçou em tão curto espaço de tempo, parecendo até mesmo que havia deixado sua própria banda principal em segundo plano, projetando aí talvez sua futura saída. Alguns destaques que merecem menção aqui são os trabalhos que fez com Morse, incluíndo os já citados "Testimony" e "?", "OSI" que foi um projeto com Kevin Moore, "Octavarium" do Dream Theater e o álbum "Cover to Cover" com Morse e Randy George, sem falar nos inúmeros discos tributo que lançou.

Então em Agosto de 2008 ocorreu uma quase-reunião do quarteto original em que numa apresentação de Morse, surgem no palco Stolt e Portnoy para acompanhá-lo em duas performances especiais naquela noite de "We All Need Some Light" e "Stranger in Your Soul". Apenas Trewavas não estava presente nessa reunião, mas isso deve ter sido o bastantre para que uma faísca surgisse para que o quarteto resolvesse novamente se reunir e retomar as atividades.

Em uma nota pessoal, creio que em uma das "conversinhas" com Morse, Deus chegou na orelha dele e deve ter dito "Sim, agora não tem problema, pode ir". Talvez isso seja algo que nunca vamos descobrir, porém a surpresa para todos é que em 2009 o Transatlantic estava de volta.

- Fase 2: The Whirlwind (Outubro/2009) e Kaleidoscope (Janeiro/2014)

Eis que em meados de Abril de 2009, os quatro integrantes do Transatlantic, após um hiato que durou 7 anos se reunem novamente em estúdio para gravarem seu mais novo trabalho, "The Whirlwind".

O terceiro álbum do grupo se diferencia pelo número de peças presentes nele... somente uma! Uma grande peça, "The Whirlwind", que apesar de ser dividida em 12 faixas no decorrer do disco, trata-se de uma única peça de aproximados 80 minutos.

E o grupo realmente se superou e provou que essa espera de 7 anos por material inédito valeu a pena. Não é possível fazer destaques no disco. Posso falar de momentos mais marcantes, mas para dizer a verdade o disco todo é o destaque. Momentos como a faixa de introdução, e a seguinte. Ah sim, e "On the Prowl", ou também "A Man Can Feel" que já puxa mais para o estilo de Stolt; "Out of the Night" também é divertidíssima, "Evermore" seguida da contagiante "Set Us Free" e... e... tá vocês já devem estar pensando a essa altura "acho que esse é o disco favorito desse cara", sim, meu caro leitor, é o meu disco favorito do quarteto! E como não gosto de marginalizar as coisas, eu vou entender muito bem se você gostar mais de outro, porque o supergrupo dá perfeitas razões para isso. Mas o terceiro é realmente meu favorito, mas naquele senso de é meu favorito por gosto, por coisas com as quais eu me identifico nele. Significa que se você dizer que seu favorito é o Bridge Across Forever, eu vou entender perfeitamente e concordar com você. Enfim, como não farei destaques nesse terceiro disco, vou apenas terminar dizendo que o grupo acaba fazendo outra homenagem a um certo Beatle em uma das faixas e o álbum, como em uma boa obra clássica de Progressivo termina de forma apoteótica deixando o ouvinte querendo mais.

Algumas pessoas chegaram a comentar que a partir de 2009, e devido à conversão de Morse ao Cristianismo, a banda estava se tornando uma banda Cristã. Mas creio que não vem a ser esse o caso. Quem conhece o Morse de épocas mais remotas ou já pesquisou sobre os trabalhos mais clássicos dele sabe muito bem que Morse sempre cantou aquilo que acreditava, escreveu música do jeito que acreditava que tinha que ser escrita. Não se pode ser mais honesto do que isso. Se um disco como The Whirlwind atinge tantas pessoas, Cristãs ou não devido a sua mensagem, que realmente contém letras inspiradoras, com certeza não se trata de uma crença ou qualquer coisa que o valha, pelo menos não diretamente dela. Na opinião deste, há muito da integridade do próprio artista que sempre esteve alí presente, essa integridade que muitos artistas midiáticos padecem de ter. E não há qualidade melhor em um artista talentoso do que essa, manter sua integridade, ser honesto consigo mesmo para que isso transpareça a quem vier conhecê-lo.

Enfim, com o final de um grande período de turnê e novamente sem atividade por algum tempo, o quarteto decide que é hora de voltar com mais um trabalho. E aqui chegamos no final (por enquanto) de nossa pequena grande jornada olhando para o mais recente trabalho do grupo, "Kaleidoscope", lançado em Janeiro de 2014.

O novo trabalho do quarteto ainda tem vida curta, porém já pode ser considerado mais um grande trabalho do grupo. O álbum conta com muito do que se viu dos trabalhos anteriores e também tenta caminhos ainda não trilhados pelo quarteto. Tem bastante variedade musical e reflete bem o momento que seus integrantes estão passando em suas carreiras, mas também volta ao passado bastante. Há passagens que remetem ao Spock's Beard da era de Neal, há momentos que Stolt intervém com sua sonoridade bastante conhecida do Flower Kings, há o peso e a identidade rítmica única de Portnoy e as linhas de baixo frenéticas e estilosas que Trewavas imprime no Marillion.

Gosto bastante de destacar a faixa "Into the Blue" que é um ótimo exemplo do Transatlantic clássico, ou seja, predominância de melodias e arranjos característicos do Spock's Beard com Morse e do Flower Kings, ou seja, um grande retorno ao passado que acredito que todo fã da banda vai gostar muito de presenciar ao vivo. Outro destaque bastante excitante é "Black as the Sky", que por vezes até remete a sonoridade do Genesis com Peter Gabriel e traz o melhor de cada integrante, sem fazer no entanto com que o som perca a identidade do grupo, contagiante, complexa e épica. E é claro, o épico final do disco, "Kaleidoscope", que até o momento, é a peça do Transatlantic que mais reflete o momento musical da banda, com trechos hora se parecendo muito com a banda solo de Morse ou parecendo um disco do Flower Kings, e hora soando muito como algo escrito pelo Marillion com Hogarth (muito mesmo em certa passagem) com Portnoy reconectando com seu passado progressivo e trazendo toda sua experiência, bagagem e dinâmica, provando mais uma vez que é um dos bateristas mais diversificados da atualidade, uma vez considerando que sua banda atual, The Winery Dogs, não tem nada a ver com Rock Progressivo.

Encerraremos então nossa viagem por aqui no momento e com a esperança de que no futuro voltemos a presenciar mais desses quatro músicos extremamente talentosos. Só nos resta esperar portanto para a grande estréia do grupo no Brasil, dia 13 de Fevereiro no Carioca Club em São Paulo.

IV - SONS QUE PODEM SER FEITOS: O FUTURO

O Transatlantic, na opinião deste escritor, representa de certa forma a herança do Rock Progressivo no futuro. Claro, obviamente todos podemos estar errados, mas o fato é que o Transatlantic sumariza exatamente o que o gênero tem de melhor a oferecer e sempre representou. Não estamos aqui obviamente entrando no mérito do Metal Progressivo, é bom lembrarmos pois muita gente confunde. O Prog praticado pelo quarteto é o autêntico Rock Progressivo que muitas bandas setentistas comumente praticavam em seu auge e que acabou inspirando não somente o grupo em si, mas inúmeros outros artistas do gênero que vieram depois, incluindo as bandas de Metal Progressivo.

Sendo assim, considero o supergrupo uma grande referência futura para outros talentos que forem surgindo, claro, jamais desmerecendo o passado glorioso do estilo que sempre deve ser revisitado. Mas é notório o quanto que o Transatlantic se esforçou para canalizarem todas as suas influências musicais com seus estilos próprios e momentos musicais em que vivem, passarem tudo isso em um filtro para nos proporcionarem a grande experiência do Rock Progressivo moderno, e, na opinião deste mais uma vez, uma das 5 melhores experiências modernas no gênero que existem nos dias atuais.

Estão aí os diversos vídeos espalhados pelo Youtube contendo músicas e muitas vezes apresentações completas do grupo que não me deixam mentir.

Dessa maneira, pode-se dizer, sem medo de errar, que o Transatlantic representa uma porção bastante considerável do legado que o gênero possui, talvez não a maior de todas, talvez não a mais importante, mas com certeza uma das mais relevantes e fantásticas que existem atualmente.

Que o futuro ainda traga muitas pontes a serem cruzadas para que vejamos esses músicos fabulosos atravessando e ouvintes descobrindo e muitos furacões a serem superados para que o caleidoscópio progressivo continue a refletir as mais belas cores e sons que teremos a satisfação de continuarmos a apreciar nos anos que ainda virão.

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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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