Toe Fat: os dedos gordos do Rock
Por Edson Medeiros
Fonte: Acid Experience
Postado em 18 de setembro de 2013
Além de ser uma das bandas pioneiras a misturar o Hard e o Prog, o TOE FAT ainda serviu como vitrine musical para que seus integrantes pudessem sair do underground londrino e entrassem de vez no mainstream quando posteriormente fizeram parte de uma dezena de outros grandes grupos, como o URIAH HEEP e o BEE GEES.
Seu valor pode ter sido reconhecido apenas tardiamente, mas o TOE FAT será sempre lembrado como uma das melhores bandas injustiçadas de todos os tempos.
THE GODS e CLIFF BENNETT & THE REBEL ROUSERS
Em 1969, duas promissoras bandas inglesas estavam acabadas: o combo de R&B chamado REBEL ROUSERS que acompanhava o vocalista CLIFF BENNETT e a banda londrina THE GODS. Ambas nunca chegaram a alcançar boas posições nas paradas de sucesso e nem conquistaram uma grande legião de fãs, mas ao menos serviram para que diversos músicos (mais tarde consagrados) saíssem do underground e entrassem num meio mais profissional da música.
O CLIFF BENNETT & THE REBEL ROUSERS esteve ativo por quase uma década, tornando seu frontman uma espécie de celebridade no Reino Unido, em seu período de atividade lançaram dois álbuns, dois EP’s e uma dezena de singles que só atingiram posições medianas nas paradas britânicas; já o THE GODS se manteve ativo por aproximadamente 4 anos, um curto período onde lançaram somente quatro singles, colocaram dois discos no mercado e ganharam notoriedade nos Pubs da fria Londres.
A formação do TOE FAT
Influenciado pela nova cena que surgia com bandas como o LED ZEPPELIN e o HUMBLE PIE que elevavam o movimento Heavy/Blues criado pelo CREAM a níveis altíssimos de distorção e peso, BENNETT resolve começar uma nova banda nestes moldes e saí à procura de músicos experientes para se juntarem a ele, foi apresentado ao multi-instrumentista KEN HENSLEY (ex-THE GODS) por seu empresário que agendou um jantar de negócios entre os dois, onde firmaram o acerto de formarem uma nova banda, naquela mesma noite escolheram o nome TOE FAT, uma esdrúxula sugestão do manager que queria o nome mais repulsivo possível.
Graças a alguns contatos e amizades que BENNETT havia cultivado durante seus tempos no REBEL ROUSERS logo ele descolaria um contrato para a gravação de dois álbuns, no Reino Unido pelo selo Parlophone e nos EUA pela Rare Earth, um braço mais Rocker da Motown.
Com a maioria dos detalhes acertados, só faltava mesmo gente para ajudar a colocar o projeto pra frente, enquanto HENSLEY convida o baterista LEE KERSLAKE com quem havia tocado no THE GODS, o baixista JOHN KONAS seria escolhido para o posto após algumas audições, mas não durou muito no cargo e acabou se demitindo pouco antes do início das gravações devido aos vários desentendimentos com BENNETT, quem acabou ficando com seu posto foi JOHN GLASCOCK (outro ex-membro do THE GODS).
A estréia em vinil – BENNETT vs. HENSLEY
As gravações do álbum de estreia do grupo duraram até o inicio de 1970, sendo concluídas sob muitas confusões envolvendo BENNETT e HENSLEY, duas personalidades fortes demais para aceitarem as opiniões um do outro, o principal motivo de discórdia entre eles era a direção musical que o grupo deveria tomar, enquanto BENNETT tentava fazer algo mais denso e pesado, HENSLEY pendia para uma música mais Soft e Progressiva, o que culminou na expulsão do guitarrista pouquíssimo tempo após o lançamento do LP TOE FAT, tudo isso em meio a tour de promoção do álbum na Europa, o que forçou BENNETT a pedir socorro ao guitarrista ALAN KENDALL, um velho conhecido da cena underground de Londres. Após o fim das datas no Velho Mundo, KENDALL foi efetivado como membro da banda e eles viajaram pela primeira vez aos Estados Unidos numa longa tour abrindo para o supergrupo DEREK & THE DOMINOS.
Bad Side of the Moon
Voltando para Londres, começaram a trabalhar em novas composições para o seu segundo álbum (já previsto em um contrato firmado pela banda) e enquanto isso chegaria às lojas o primeiro single do grupo extraído da sua estréia homônima, contendo "Just Like Me" no lado A e "Bad Side of the Moon" (original de ELTON JOHN) como lado B. Curiosamente o lado B acabou fazendo mais sucesso que o carro-chefe do single, o que motivou a Parlophone a colocar um segundo compacto no mercado contendo "Bad Side of the Moon" como lado A e "Working Nights" como lado B. Mesmo com o single alcançando boas posições nas paradas – principalmente nos EUA – o álbum não parecia decolar e a banda é forçada a interromper as gravações do seu segundo disco para tentar fazer dinheiro na estrada, isso devido às pressões da gravadora que ameaçava os despedir se continuassem sem dar o retorno esperado.
Sem conseguir bons shows no Reino Unido, o TOE FAT resolve mesmo é apostar no mercado americano e embarcam novamente para a Terra do Tio Sam, mas agora como banda principal e não abrindo shows para outro grupo.
Novas mudanças
Com o final da nova tour, já em 1971 o ex-TOE FAT – agora membro do URIAH HEEP – KEN HENSLEY convida o baterista LEE KERSLAKE a integrar seu novo grupo, este aceita e sem exitar abandona o grupo em meio as gravações de seu segundo disco, o jeito foi recrutar as pressas o irmão mais novo de JOHN, BRIAN GLASCOCK, ainda inexperiente, tendo tocado apenas em bandas amadoras da época. Com tudo praticamente pronto durante a mixagem do novo álbum – que já tinha até nome: TOE FAT TWO – os executivos da EMI, irritados com a pouca vendagem do primeiro disco resolvem troca-los de selo, jogando o grupo para o menor Regal Zonophone e deixando-os quase sem visibilidade comercial na Inglaterra.
O sucesso posterior
Com um novo fracasso comercial foram demitidos pela EMI, o que decretou o fim do grupo, que terminou quase sem nenhum reconhecimento nos dois lados do atlântico a não ser pelo sucesso de "Bad Side of the Moon" nos EUA. Com o passar dos anos o TOE FAT finalmente recebeu algum reconhecimento e admiração por fazer parte de um dos melhores movimentos do Rock, onde se misturavam o Hard e o Progressivo de forma austera e poderosa. Os ex-membros da banda acabaram provando seu valor musical posteriormente, quando passaram por diversos outros grupos como foram os casos de JOHN GLASCOCK com passagens pelo CHICKEN SHACK e o JETHRO TULL, além de ALAN KENDALL e BRIAN GLASCOCK que fariam parte da fase mais gloriosa do BEE GEES. O multi-instrumentista KEN HENSLEY e o baterista LEE KERSLAKE que abandonaram a banda ainda antes do seu fim prematuro, tocaram durante anos no URIAH HEEP, sendo de fundamental importância para o sucesso da banda como uma das grandes do Hard/Prog britânico dos anos 70. Já o vocalista BENNETT reativou seu antigo grupo, o REBEL] ROUUSERS, em mais algumas apresentações antes de sua definitiva aposentadoria.
Discografia:
Toe Fat (1970)
Toe Fat Two (1971)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Iron Maiden que "deveria ter sido extinta", segundo o Heavy Consequence
Tony Dolan não se incomoda com a existência de três versões do Venom atualmente
Por que "Wasted Years" é a pior faixa de "Somewhere in Time", segundo o Heavy Consequence
Hulk Hogan - O lutador que tentou entrar para o Metallica e para os Rolling Stones
BMTH e Amy Lee - "Era pra dar briga e deu parceria"
A banda brasileira que sempre impressiona o baixista Mike LePond, do Symphony X
A música do Rainbow que Ritchie Blackmore chama de "a definitiva" da banda
"Esse disco acabou com minha paixão pelo heavy metal": Sergio Martins revisita clássico
O álbum que é para quem tem capacidade cognitiva de ouvir até o fim, segundo Regis Tadeu
A pior música do pior disco do Iron Maiden, de acordo com o Heavy Consequence
Os 5 melhores álbuns do rock nacional dos anos 1980, segundo Sylvinho Blau Blau
Líder do Arch Enemy já disse que banda com membros de vários países é "pior ideia"
"I Don't Care", do Megadeth, fala sobre alguém que Dave Mustaine admite ter implicância
A melhor e a pior música de cada disco do Iron Maiden, segundo o Heavy Consequence
O ícone do thrash metal que era idolatrado na Bay Area e tinha um lobo de estimação
Nicko McBrain volta aos palcos sem o Iron Maiden
Os 10 países onde o Sepultura mais fez shows ao longo de sua carreira
O maior disco de Heavy Metal da história para Robert Trujillo; "o álbum supremo para mim"


Com problemas de saúde, Mick Box se afasta das atividades do Uriah Heep
O histórico compositor de rock que disse que Carlos Santana é "um dos maiores picaretas"
Frontman: quando o original não é a melhor opção
Pattie Boyd: o infernal triângulo com George Harrison e Eric Clapton



