Tommy Bolin: Tesouro Perdido do Rock e Heavy Metal
Por João Braga
Postado em 21 de abril de 2013
Nesta quarta publicação gostaria de escrever sobre um guitarrista que para muitos é apenas conhecido como o substituto do "mestre dos mestres" Ritchie Blackmore nos icónicos DEEP PURPLE, falo pois claro de Tommy Bolin.
Este extraordinário guitarrista nascido no Iowa começou a sua carreira ainda muito jovem numa banda chamada PATCH OF BLUE, Bolin tinha ainda treze anos quando entrou para banda o que provocou o seu rápido amadurecimento nos palcos. PATCH OF BLUE tocava uma mistura de rock & roll, R&B e pop tendo conseguido algum destaque comercial com três ou quatro "hits". A sua carreira musical continua com uma passagem de três anos (1968-1971) pela banda de hard rock/blues rock ZEPHYR que tinha claramente um som mais parecido com aquilo que Bolin iria tocar ao longo da sua carreira. ZEPHYR tinha como vocalista a excelente voz de Candy Givens que deu uma grande intensidade e pujança ao som da banda. Apesar do lançamento com a banda de dois álbuns Tommy Bolin sentia-se frustrado por não ver as suas composições nos discos e por não se sentir devidamente valorizado no grupo pelo que decidiu abandonar o ZEPHYR em 1971 para formar a sua própria banda.
Agora dono do seu destino musical e com a responsabilidade criativa "nos seus ombros" Bolin juntamente com um ex-membro do ZEPHYR Bobby Berge apresentam um projeto musical (ENERGY) mais sólido misturando jazz, rock e blues com forte predominância para os criativos riffs e solos de Tommy Bolin. Infelizmente, muitas destas gravações só puderam ser ouvidas após a sua morte numa compilação de arquivos, mas é de notar a qualidade do grupo e também a evolução musical de Bolin. ENERGY durou apenas dois anos mas conseguem, graças aos arquivos oficiais do artista, ter uma legião pequena de fãs que aprecia o que sobra do trabalho realizado pelo grupo entre 1971 e 1973. Já nesta altura, em 1973, Bolin desperta a atenção daquele que viria a ser um dos maiores bateristas de todos os tempos Billy Cobham. O guitarrista participa em quatro das dez faixas do álbum de estreia do baterista que foi lançado em 1973 intitulado "Spectrum". O álbum é, na minha opinião, um dos poucos discos que pode de facto ser denominado como uma obra-prima. É um dos mais inovadores trabalhos de "jazz fusion" que a indústria musical teve a oportunidade de testemunhar. Em termos técnicos o álbum é perfeito e as faixas em que Tommy participa são muito provavelmente das mais doentias, rápidas e ambiciosas composições de guitarra que já tive a sorte de ouvir. Foi aliás graças a este álbum e à sua extraordinária exibição que Tommy Bolin entrou para o DEEP PURPLE.
Antes de entrar para o DEEP PURPLE, o guitarrista integrou entre Agosto de 73 e 74 os JAMES GANG que é claramente uma banda já mais reconhecida pelos fãs de rock e heavy rock. Novamente, Tommy Bolin tem uma excelente performance nos dois álbuns em que participa primeiro em 1973 no álbum "Bang" e em 1974 no álbum "Miami", a banda toca um hard rock bastante típico para a altura, no qual a sua guitarra desempenha um papel fundamental.
Como referi anteriormente, a sua entrada para o DEEP PURPLE deveu-se principalmente ao seu desempenho no álbum de estreia de Billy Cobham. Após a saída de Ritchie Blackmore, o DEEP PURPLE discutiram se deveriam ou não encerrar atividades. Felizmente a banda decidiu continuar e escolher um substituto. Mas onde se encontraria um substituto ao nível do "mestre dos mestres" Ritchie Blackmore? Após ouvir "Spectrum" David Coverdale decidiu que Bolin tinha que entrar para a banda e convidou-o para uma "jam". A "jam" durou quatro horas, o seu talento e disposição conquistaram-lhe o lugar. Após a sua entrada, DEEP PURPLE começou a compor o bastante credível "Come Taste the Band", sete das nove faixas foram compostas e escritas por Tommy Bolin.
O meu principal objetivo com este artigo em particular é de divulgar o seu trabalho a solo, em que lançou dois álbuns em 1975 e 1976. O primeiro álbum a solo, "Teaser" é uma excelente peça musical em que predomina o bom hard rock. Apesar de ser fundamentalmente um álbum de rock, é também bastante polivalente misturando elementos de funk, latin e jazz. Para além de tocar também cantava. Neste álbum participam os deuses do rock Glenn Hughes, Phil Collins e Stanley Sheldon, entre outros. De prestar atenção a faixas como: à rockeira "The Grind", à tecnicamente apurada "Homeward Strut", à emocional "Dreamer" e às incríveis "Teaser", "Wild Dogs" e "Lotus". Numa escala de 0 a 10, daria sem problema um 9 bastante sólido. É na minha opinião uma excelente composição musical em que o talento de Bolin reina supremo.
Lista de faixas de "Teaser":
01. The Grind
02. Homeward Strut
03. Dreamer
04. Savannah Woman
05. Teaser
06. People, People
07. Marching Powder
08. Wild Dogs
09. Lotus
Em 1976 lança o seu segundo álbum a solo, intitulado "Private Eyes" que é tão bom como o seu álbum de estreia. Apesar de tudo, este álbum é diferente que o primeiro, contendo mais diversidade musical que o anterior e não é tão pujante. Com "Teaser" Bolin tem principalmente a preocupação de exibir as suas qualidades de guitarra, com este lançamento de 1976 existe maior preocupação de compor músicas mais melódicas misturando elementos de hard rock/rock psicadélico, funk, jazz e pop/rock. Em termos de pontuação é também um claro 9/10. Destaque para as faixas: "Bustin' Out for Rosey", "Post Toastee", "Someday Will Bring Our Love Home", "Hello, Again" e "Sweet Burgundy".
Lista de faixas de "Private Eyes":
01. Bustin’ Out for Rosey
02. Sweet Burgundy
03. Post Toastee
04. Shake the Devil
05. Gypsy Soul
06. Someday Will Bring Our Love Home
07. Hello, Again
08. You Told Me That You Loved Me
Pouco tempo depois do lançamento de "Private Eyes" Tommy Bolin morre vítima de overdose numa tour promocional deste mesmo álbum. Apesar de ter uma legião de fãs uma grande parte do público de rock e heavy metal apenas o conhece pelo seu trabalho nos DEEP PURPLE, e como substituto de Ritchie Blackmore. É na minha opinião, um dos génios mais subvalorizados da história da música. Devo dizer que não devem esperar um festival de "headbanging" ou de puro caos musical, mas sim uma demonstração de excelente hard rock/heavy rock dos anos 70. Tommy Bolin demonstra o seu talento em todos os discos em que participa. Atenção a todos os pormenores musicais e excelentes momentos de guitarra deste enorme artista.
Tesouros Perdidos do Rock e Heavy Metal
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Confirmada a turnê reunindo System of a Down e Faith No More em 2027
A música de 1993 que atingiu a nota mais alta da história do rock
5 clássicos do metal que você nunca deve usar para apresentar o estilo para alguém
O baterista que Lars Ulrich coloca acima de Neil Peart na história do rock
Judas Priest inicia a turnê Faithkeepers; confira setlist e vídeos
A canção do Pink Floyd que Roger Waters acha que teria cantado melhor que David Gilmour
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
O aspecto em que os Beatles eram muito superiores aos Rolling Stones, segundo Mick Jagger
O gigante do rock que Angus Young disse ser uma imitação pobre do The Who
A pior faixa de "Reign in Blood", do Slayer, segundo a Metal Hammer
5 bandas que superaram tragédia e fizeram mais sucesso após perder um integrante
O músico dos Beatles que Ringo Starr achava que não se encaixava na banda
A música do Kiss que fez (muito) mais sucesso na Europa do que nos EUA
5 músicas de metal que todo mundo conhece, mas quase ninguém sabe do que falam
Andy LaRocque se pronuncia sobre saída do King Diamond
As regras de Sharon na relação de Ozzy Osbourne com as groupies
O trocadilho picante que Ney fazia em "Pro Dia Nascer Feliz" que Cazuza gargalhava
O hit dos Paralamas que é uma indireta de Herbert para sua ex Paula Toller






