Iron Maiden: série "por quê Iron Maiden?" parte 2

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Por Daniel Sicchierolli, Fonte: Consultoria do Rock
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Chegamos ao segundo capítulo da série quinzenal "Por quê Iron Maiden?" que é basicamente para explicar, justificar e comprovar que estamos diante da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. Não apenas em relação as músicas ou performances em shows, mas também porque há muito a ser lido e pesquisado quando se aprofunda nos temas que recheiam as letras. Vamos em frente, coloque a música e viaje conosco. Não se esqueça de comentar no Whiplash.net, no blog e divulgar para seus amigos. Acesse o blog para saber como contribuir ou sugerir temas. Com vocês: Stranger in a Strange Land...

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Introdução por Daniel Sicchierolli:
http://www.consultoriadorock.blogspot.com

Por Amâncio Paladino Messina


Uma das mais profundas músicas do Maiden, "Stranger in a Strange Land", constitui também uma das experiências mais ricas na busca de uma nova sonoridade no já aclamado e perfeito Somewhere In Time. A harmonia, a melodia e a técnica característica de Adrian Smith são presença marcante e fogem da temática durona do puro Metal. O solo é uma obra prima digna de ser recordada e ouvida até o fim dos tempos.

Como veremos, a polêmica da música não se limita às distorções e ao eventual uso de teclados em certos trechos, mas e principalmente, se estende à letra e ao que ela transmite. "Stranger in a Strange Land" se autoproclama: é uma música fora do comum num disco fora do comum!

A sexta música


Ela é a sexta música do álbum Somewhere In Time do Maiden, e ao que tudo indica, parece existir uma magia em torno das sextas músicas. Por vezes ela é o que há de melhor no álbum, por outras vezes ela é o clímax de uma trama muito bem urdida, ou ainda é somente uma fuga do tema principal e um alívio no meio de uma densa e profunda obra. Assinada por Smith, "Stranger in a Strange Land" não foge a esta sina.


Quando comecei as pesquisas acerca desta música, me deparei com um extenso material sobre Robert A. Heinlein, autor de ficção-científica, mais conhecido em nossos dias por histórias recém filmada como Starship Troopers (livro de 1959) e Planeta Vermelho (livro de 1949). Dentre muitos contos e livros, destaca-se com toda razão a obra prima de Heinlein: Stranger in a Strange Land (1961). O livro, tido por muitos como “a ficção científica definitiva”, foi ganhador de diversos prêmios de literatura. Lançou as bases para muitas outras lançadas a posteriori: visitas de E.Ts na Terra, governo negando informação, governo mesclado com religião num futuro totalitário e muitos outros clichês de hoje em dia.

Martian Manhunter

A história trata da vida de um sobrevivente da primeira missão tripulada à Marte. O jovem chamado Valentine Michael Smith teria nascido em solo marciano após ter sido concebido durante a viagem de seus pais ao planeta vermelho numa primeira tentativa de colonizá-lo. De uma forma muito triste todos os viajantes, exceto Valentine, teriam morrido. Ele foi então encontrado pelos habitantes de Marte, e no maior estilo Tarzan Das Selvas, foi criado pelos próprios, adquirindo a sabedoria e a cultura marciana, bem como poderes psíquicos imensuráveis nas escalas humanas (qualquer semelhança com o herói Martian Manhunter não é mera coincidência). Após vinte e cinco anos, Valentine retorna ao planeta Terra, encontra uma espécie de sociedade dominada por um regime que mistura religião e totalitarismo, é aprisionado pelo governo devido a seus poderes especiais e...

Ok, ok... Vou fazer uma parada estratégica aqui para citar que quando eu estava na metade do livro de Heinlein, relacionando as referências à letra de Smith, recebi de amigos a informação de que a música "Stranger in a Strange Land" não seria sobre o livro de Heinlein! Assim apesar do livro ser sensacional, a história vibrante e tudo o mais, o título seria apenas uma coincidência!

Tais informações afirmavam que na verdade a música teria sido composta por Smith após uma conversa com um pesquisador que encontrou um corpo congelado no Ártico. Outra versão é que Smith teria conversado com um explorador sobrevivente que voltou do Pólo Norte, enquanto seus companheiros lá ficaram. A música trataria então de um explorador que, sozinho no Ártico, teria morrido, sendo seu corpo encontrado por outro explorador cem anos depois.

Seria a magia da sexta música me impedindo de achar a verdadeira inspiração para tão primorosa obra? Será que nunca conseguiria achar alguma referência que me desse uma pista de onde os solos do eterno Adrian Smith teriam vindo? Comecei a ponderar o que seria mais provável:

1. Adrian Smith conversar com um pesquisador que achou um corpo congelado.

2. Adrian ter conversado com um sobrevivente de expedição ao Pólo Norte.

3. Ele ter lido o livro de Heinlein e escrito a música sobre uma expedição que teria achado restos congelados de quem ficou para trás no planeta Marte?

Para responder a esta pergunta, assim como um detetive, vou entrar em detalhes do texto de Heinlein (lembrem-se amigos, detalhismo é a chave!).

Evidência 1

No primeiro capítulo do livro (edição estendida com o texto original, ou seja, sem os cortes do editor), Heinlein descreve a primeira expedição à Marte na nave Envoy. Nela, 4 casais com habilidades e conhecimentos específicos, viajaram para o planeta vermelho para fundar a primeira colônia. Algo saiu muito errado, e ao que tudo indica, os casais não sobreviveram. Nunca se recebeu nenhuma transmissão desta tripulação que indicasse que tipo de situação teria provocado seu desaparecimento.

No segundo capítulo uma segunda expedição é enviada vinte e cinco anos depois. Os corpos dos tripulantes da Envoy são encontrados, e o humano criado em Marte, o protagonista do livro chamado Valentine Michael Smith, filho de um dos casais da Envoy, também é encontrado.

Portanto há um indício de que a música poderia ser sobre o momento em que o corpo de um dos tripulantes da Envoy é achado em Marte.

No entanto existe uma pequena incompatibilidade da música com o livro:

“One hundred years have gone and men again they came that way
To find the answer to the mystery
They found his body lying where it fell on that day
Preserved in time for all to see”

Ou seja, na música, cem anos se passaram até que o corpo fosse encontrado e não vinte e cinco como no livro de Heinlein.

Evidência 2

Em outro trecho da música ouvimos:

“Stranger in a strange land
Land of ice and snow
Trapped inside this prison
Lost and far from home”

Entendemos que a pessoa perdida está numa “Terra de Gelo e Neve”. Seria esta terra Marte, que em seus polos possui inverno eterno como a Terra? Ou seria o Ártico do próprio planeta Terra?

Final

Fãs do Maiden, nunca achei uma evidência que comprovasse a tal conversa entre um pesquisador que achou um corpo congelado e Adrian Smith, ou mesmo da conversa entre o sobrevivente de uma expedição e Adrian Smith.

A melhor coisa que tenho sobre isso é o testemunho de Nicko, em Listen with Nicko Part VIII: “Anyway! Yes, Stranger In A Strange Land, that's moving on, I've only got a few minutes now to tell youabout the sleeve for this here single. And, Stranger In A Strange Land was based on a story that Adrian hadread in the newspaper about and expedition that got lost in the North Pole... silly gits! Course they f'king getlost, there's no signposts up there, are there! And they found some frozen bodies almost perfectly preserved... I wonder what parts were not preserved... hmmm... Anyway! Adrian, apparently he met one of the expedition who was a survivor.... I guess he must have been a bit old, eh, it was f'king years ago. I dunno. Anyway no, he bought the album because of the song, apparently, and now he's actually one of Maiden's top fans.”

Portanto apesar de não haver uma prova cabal que determine a relação direta entre a letra da música e o texto de Heinlein, os temas são muito parecidos para desprezarmos a influência do livro sobre a música.

Fica a dúvida? Você escolhe... Afinal quem assina a música é Smith (Valentine ou Adrian?).

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Sobre Daniel Sicchierolli

Rockeiro desde que nasci e administrador de empresas nas horas vagas sou mais um dos milhares de "torcedores" do Iron Maiden além de ser fã de Hard Rock 80s e um dos fundadores do blog Consultoria do Rock. Depois de anos e anos ouvindo o velho e bom rock n' roll só tenho mais uma coisa a dizer: I STILL WANNA ROCK.

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