Anathema
Postado em 06 de abril de 2006
Por Sílvio Costa
O Anathema é um dos mais influentes grupos do cenário europeu de doom metal da década de 90. Surgido em Liverpool, em meados de 1990, o grupo começou graças a uma conversa entre os irmãos Daniel, Vincent e Jamie Cavanagh com os seus velhos amigos John Douglas e Darren White. Foi de Daniel a idéia de fundar um grupo que mesclasse velhas influências, de Venom a Candlemass, tentando criar um som novo em meio à efervescência que vivia o underground europeu desde meados dos anos 80, com o surgimento de inúmeros grupos bem-sucedidos tanto na Inglaterra quanto em alguns países do continente. Com essa proposta surge, em meados de 1990, o Pagan Angel, que gravaria sua primeira demo em novembro daquele ano. Pequenos shows na cidade natal marcam a curtíssima carreira do Pagan Angel, já que em julho do ano seguinte Daniel apareceria com um novo nome: Anathema. A segunda demo, All faith is lost foi gravada em seguida e a banda começou a se aventurar por outras cidades, dando suporte a bandas como Bolt Thrower e Paradise Lost, que também estava ensaiando os seus primeiros passos. Esta segunda demo chamou a atenção do pequeno selo suíço Witchhunt Records, que promoveu o lançamento do single They Die, lançado ainda em 1991. As 1000 cópias deste, hoje raríssimo, EP esgotaram-se rapidamente e a popularidade da banda cresceu muito no underground europeu. Já sem o baixista Jamie, que deixa a banda para dedicar-se aos estudos, a banda é contratada pelo pequeno selo Peaceville Records.
Com o lançamento do EP Crestfallen, ocorrido em novembro de 1992, a banda viu seu nome crescer no underground europeu de maneira nunca antes experimentada. A banda aproveitou o tempo no Academy Studios e gravou mais nove faixas, que integrariam o primeiro LP Serenades, lançado em fevereiro de 1993. Os primeiros shows fora da Inglaterra aconteceram na Bélgica e Holanda, quando a banda se apresentou junto com o At the Gates e Cradle of Filth. Em agosto de 1994, para surpresa e delírio dos fãs brasileiros, que só os conheciam graças a caríssimos LPs importados, o Anathema chega ao nosso país para três apresentações.
Em maio de 1994, a banda retorna ao Academy para gravar cinco faixas que integrariam o mini-LP Pentecost III. Entretanto, devido a problemas com a Peaceville, este trabalho só seria lançado um ano depois. Nesta época começam a aparecer os primeiros problemas com relação a Darren White, cuja voz não parecia se encaixar nas concepções musicais do novo álbum. Surgia assim – agora com os vocais de Vincent Cavanagh – The Silent Enigma. O disco foi um enorme sucesso, marcando a transição do doom/death característico de Serenades e Crestfallen para um som mais trabalhado, repleto de influências diversas, como gótico, heavy tradicional e rock progressivo. O disco tem uma excelente produção (a cargo da própria banda) e representa um importante passo no crescimento do Anathema. Da tour de divulgação deste disco foi gravado um show na Polônia, realizado em março de 1996, para posterior lançamento do primeiro VHS da banda: Visions of a Dying Embrace.
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O terceiro álbum foi lançado em 19 de novembro de 1996. Eternity traz o Anathema na sua melhor forma e a qualidade da produção não permite que se perceba que ele foi gravado e mixado em apenas três semanas. John Douglas deixou o grupo em junho de 1997 em virtude de problemas com drogas.O passo seguinte foi compor o material novo, com Shaun Steels (ex-Solstice) na bateria e gravar o primeiro trabalho com a Music For Nations (o contrato com a Peaceville havia acabado), chamado Alternative 4. Os experimentalismos deste disco desagradaram os fãs e também Duncan Patterson, que já vinha se desentendendo com Daniel desde os tempos de Eternity. Assim, o baixista resolveu deixar a banda, que encontrou Dave Pybus para substituir Duncan. É nesta época que Martin Powell (ex-violinista e tecladista do My Dying Bride) se torna membro efetivo do Anathema, mas ele não chega a gravar nada com o grupo, saindo no começo de 1999 para se juntar ao Cradle of Filth.
As gravações do quarto álbum ocorreram entre fevereiro e abril de 1999. Judgement marca o retorno de John Douglas à banda e a maior tour já feita pelo grupo, incluindo a primeira apresentação nos Estados Unidos, no Milwaukee Metal Fest em junho de 2000.
Em 2001 foi a vez de A Fine Day to Exit, que aprofundou as influências progressivas da banda, contribuindo ainda mais para que o Anathema se afastasse do doom metal do início da carreira e criasse um estilo único. A produção de Nick Griffith (que trabalhou com o Pink Floyd em The Wall) é a maior prova do mergulho da banda nas melodias intrincadas do rock progressivo da década de 70. As mudanças na sonoridade, entretanto, desagradaram Dave Pybus, que deixa a banda e vai para o Cradle of Filth.
No início de 2002 uma bomba caiu sobre os fãs da banda. Daniel decidiu abandonar o grupo para se dedicar a um projeto chamado Lid, que já havia lançado um CD em 1997. Mas o que parecia ser o epitáfio dos mestres do doom metal britânico acabou não se confirmando e Daniel retorna ao grupo, trazendo seu irmão Jamie depois de 11 anos. O resultado desta reunião, que contou ainda com o tecladista Les Smith (velho amigo dos Cavanagh e ex-membro do Cradle of Filth), foi o excelente A Natural Disaster.
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