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Virou moda falar mal do Metallica?

Sim, os caras pisaram muito na bola nos últimos anos. Mas sua importância para a história do heavy metal é absolutamente inegável...

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Com o lançamento em DVD do documentário "Some Kind Of Monster", dirigido por Joe Berlinger (de "A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras") e Bruce Sinofsky, os headbangers brazucas têm mais um motivo para detonar o Metallica. Pudera: o filme exibe as feridas abertas de um grupo que, no meio das gravações do criticado "St.Anger", teve que lidar com a reabilitação de seu vocalista contra o alcoolismo e com a saída do baixista Jason Newsted num dos momentos mais críticos da história da banda - que, a partir dali, passou a contar com o apoio de um psicólogo. A piada perfeita estaria pronta, não? Hahahaha, vamos todos apontar os dedos de maneira acusadora e rir do Metallica.

Tsc, tsc, que coisa feia. Ok, ok, é hora de separar o joio do trigo e analisar com a frieza necessária a trajetória da trupe de James Hetfield para evitar transformar o quarteto norte-americano em bode expiatório para todas as mazelas que afligem o metal hoje em dia. Se é para criticar e falar mal, é bom que façamos isso do jeito certo, sem cometer nenhuma injustiça. Vamos aos fatos:

FATO 1: Depois de passarem anos incentivando a troca de gravações piratas de seus shows, em fitas-cassete, pelos fãs, os caras encabeçaram uma campanha contra o MP3 na internet - usando como principal alvo o Napster. Com uma série de ameaças judiciais, o grupo conseguiu tirar a criação do jovem Shawn Fanning do ar (que retornaria num esquema "politicamente correto" anos depois).

Análise: Isso realmente foi terrível. Talvez seja o ato mais condenável da banda em toda a sua história. Sem citar, é claro, as declarações públicas do baterista Lars Ulrich que, por sua arrogância, tornou-se um dos sujeitos mais detestáveis do rock e, na minha modesta opinião, merece ser exilado para sempre na ilha do Tom Hanks em "Náufrago". Voltemos aos fatos.

FATO 2: Ao lado de nomes como o Megadeth (do dissidente Dave Mustaine) e o Anthrax, eles também foram responsáveis, nos anos 80, pela resposta americana ao metal inglês surgido na NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) e representado por bandas como o Judas Priest e o Iron Maiden. O metal ficou mais sujo, mais furioso, mais pesado, mais virulento, mais gritado... mais thrash.

Análise: Quanto a isso, nenhuma dúvida. E só por isso, o Metallica já merece um mínimo de respeito.

FATO 3: O Metallica lançou, no começo da década de 90, o disco chamado de "Black Album", que pasteurizou o estilo e abriu as portas da MTV para o rock pesado. Eles são mesmo um bando de traidores!

Análise: Êpa, êpa! Quanto a isso, discordo radicalmente. Isso é coisa de gente sem qualquer visão geral das coisas. Sejamos coerentes: é proibido, para todo mundo que não anda de preto e não é cabeludo, gostar de metal? É proibido que o metal ganhe mais espaço nos meios de comunicação e alcance mais e mais pessoas? É proibido ver o metal na tela da MTV? Avisem isso pro Massacration, oras. Desculpem, caros puritanos, mas creio que isso só faz bem para o estilo. Só porque o "Black Album" é recheado de músicas "grudentas", ele virou um disco de música pop? Metal não pode ter refrão? Aliás... algum de vocês aí sabe definir exatamente o que é ser pop ou não? Ah, vá, façam-me o favor.

FATO 4: Discos como o "Load" e o "Reload" são um verdadeiro pecado para a história do metal e deveriam ser queimados em praça pública.

Análise: Novamente, um pensamento limitador que só ajuda a dar fama de "extremistas" aos headbangers. Catso, que mal há em mudar de ares? Nem toda banda consegue fazer o mesmo tipo de som para sempre. À medida que um músico envelhece, ele ganha novas influências e pode querer incorporar isso no seu som. Não é nenhum pecado. A partir do momento que uma banda quiser tocar única e exclusivamente para agradar o seu público, acabou a importante fração que é a satisfação pessoal do artista com o seu trabalho. O Iron Maiden consegue soar novo mesmo fazendo aquele mesmo metal tradicional. O Metallica não estava mais conseguindo o mesmo efeito com o thrash de discos como "Kill'em All". E resolveu mudar. Também é pecado? "Load" e "Reload" são discos dos quais gosto bastante, experimentais na medida certa e com propostas interessantes de amadurecimento musical.

FATO 5: "St.Anger" é um disco manufaturado para a molecadinha que curte new metal.

Análise: Bem, quanto a isso, sou obrigado a concordar. "St.Anger" soa tão forçado na tentativa de ganhar novas sonoridades inspiradas neste "novo metal" que povoa as rádios brasileiras que acaba ficando artificial. Parecem quatro tiozinhos querendo dar uma de "modernosos". O resultado é um disco altamente dispensável - que, tudo bem, é bem mais pesado do que "Load" e "Reload". Mas é covarde. Babaca. Com vocais descordenados e uma bateria que parece ser feita de panelas. Estamos entendidos? :-)

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.

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